Para Thaís e Natália
Minha filha é mãe! Ainda flor abriu-se a expulsor o broto, com a dignidade da dor e da alegria. Um só grito, intenso milagre. De onde veio a coragem da minha menina? Decerto, não do sangue, das veias, da carne, mas do mistério que separa em pares a unidade e nos larga totalmente á mercê da imparidade divina. Assistir o parto de uma filha é tão, tão... É muito! Por transcendermos em meio à matéria que se faz, võo divino de anjo que brota em todas as faces, atores e espectadores daquele momento-espaço. Minha filha tinha rosto de Madonna, tão linda e pura como se, a impossibilidade do inconformismo, filha nos braços, desse à ela um segundo de certeza da força da natureza e da leveza do espírito. Atõnita, entendeu tudo.Da conta da padaria aos versos de Johnn Donne, passando antes pela física quântica. Um oráculo de sapiência, ainda que escondido nas sombras da rotina. Minha filha é mãe! Rosto de Madonna onde eu ainda busco encontrar o seu grito primeiro, não sei se de susto ou encantamento, mas que troxe-a aos meus braços e chamou-me Mãe. E foi assim, de mãe para filha, a história a derramar acontecimentos de viver, qual fosse o pregão do jornal matutino.
Elane Tomich elanetomich@oi.com.br www.elanetomich.com.br
Escrito por Belvedere às 11h02
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Lições da vida © Lenise Resende
"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. - Cora Coralina"
Uma simples frase de Cora Coralina, copiada em algum lugar da internet, inunda-me de lembranças. Passei metade da vida aprendendo a ensinar, para poder ser professora. No entanto, para ensinar um pouco do que sabia, ao meu próprio filho, que nasceu especial, precisei reaprender tudo, absolutamente tudo, o que faz de um ser, um ser humano. Para ensiná-lo a andar, foi preciso uma equipe de profissionais. Para ensiná-lo a falar, foi preciso outra equipe. Fui membro dessas equipes e aprendiz. Estava constantemente aprendendo e continuo até hoje.
Com o pediatra de meus filhos aprendi que, para ajudar uma pessoa, não podemos fazer tudo por ela. Ele proibia, o uso de liquidificador, no preparo de papinhas e sopas. Tudo devia ser amassado com garfo. O bebê deve aprender a amassar o alimento com a boca antes de engolir. Quando os dentes nascem, ele já sabe mastigar. A pessoa que não aprendeu a "mastigar", perde muitas oportunidades ao dizer "não consigo" ou "não sei". Um certo grau de dificuldade é estimulante. Quem não conhece pessoas, que gostam de tudo "mastigadinho"?
Não lembro, com que idade meu filho manifestou, pela primeira vez, o desejo de comer com suas próprias mãos. Lembro apenas, que forrava a sala de jantar com jornais e dava algumas orientações. E, era o suficiente, para deixar minha mãe nervosa, quando nos visitava. Ela insistia para que eu desse a comida na boca mas, só encontrava a solidariedade, de minha ajudante que, dizia: - Ela faz isso na hora do banho também. Ela não esfrega ele não. Fica só olhando e dizendo o que ele tem que fazer.
Quando não temos problemas para falar ou ouvir, muitas vezes, falamos sem nos ouvir. Para ensinar meu filho a falar, precisei aprender a falar com ele. A criança aprende a falar, ouvindo seus pais falarem. Não podemos ter a pretensão de que a criança saiba usar as palavras corretamente, se ela ouve o tempo todo uma linguagem infantilizada. Mesmo que a criança não fale corretamente, precisa ouvir adultos pronunciando as palavras normalmente.
As palavras tem um poder imenso. Quem ouve o tempo todo: "Como você é burro! Você faz tudo errado!". Antes mesmo de fazer alguma coisa, já sabe o que vai ouvir e erra, por desinteresse ou preocupação. Quem ouve só elogios, pode acabar se sentindo desestimulado, também, porque desconfia da veracidade do elogio. É preciso saber dosar os "Parabéns!". E, só a intuição, pode nos dizer a melhor hora de dizer: "Tente novamente, você pode fazer melhor!"
Jamais consegui esquecer, os dias em que levei meu filho, para ser avaliado em uma instituição do governo. Para que seus filhos aprendessem a andar, falar, etc., quantos sacrifícios eram feitos pelos pais. Um dia, sentada em uma cadeira, no corredor, vi chegar uma senhora muito humilde, com três crianças. A terapeuta da sala em frente a mim, veio recebê-la e indagar porque estava atrasada. A resposta da mãe foi que, no segundo trem que havia tomado, houve um problema e ele ficou parado por muito tempo. A terapeuta avisou-lhe que não atenderia a criança e que ela retornasse outro dia. A senhora argumentou que havia saído de casa as quatro horas da manhã e, aquela hora, ela e as crianças estavam cansadas e com fome. Sem a fisioterapia, perdiam o direito de almoçar na instituição. Nenhum argumento conseguiu mudar a decisão da terapeuta que, permaneceu sentada na sala vazia, aguardando a próxima criança. Não sei o que a mãe pensou sobre essa atitude mas, na minha cabeça, uma frase se formou: "E se ela estivesse pagando? Poderia se atrasar?"
Reclama-se das escolas públicas e coloca-se os filhos nas escolas pagas, para depois reclamar por estar pagando. Reclama-se do ensino e espera-se que a escola faça tudo sozinha. Quem tem filho especial - com menos opções de escola, transporte e assistência médica - com mais despesas e trabalho - aprende a ser criativo, a doar seu tempo e a ser mais paciente. Afinal, se o filho não puder ser médico, engenheiro ou advogado e não puder escolher o que deseja ser, espera-se que seja independente e feliz. ____________
Edição de Lenise Resende para Lendo & Relendo http://www.lendoerelendo.com/
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Escrito por Belvedere às 15h29
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Já é outubro
odeteronchibaltazar
Já é outubro e nem vi os dias passarem à minha janela. Já é outubro e me perdi dos dias em que os teus olhos cuidaram dos meus e as tuas mãos brincaram em meus sonhos como crianças em seus brinquedos novos. Já é outubro e perdi o dia em que os meus sonhos foram como algodão doce em minha boca. Já é outubro e esqueci o dia em que os meus risos foram canções pautadas em ritmo de céu. Já é outubro e me perdi em um tempo que um dia foi meu...
Escrito por Belvedere às 15h27
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Despedida
Sonia Pallone
"...E eis que veio a palavra O olhar sem tristeza O coração frio...
Na memória todo o filme, já, sem cor...
Tudo acabou-se ali, sem olho no olho sem revolta e sem afago...
Apenas o adeus, simbólico, na despedida sem abraço..."
Escrito por Belvedere às 19h09
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Tecendo saudades
odeteronchibaltazar
Teci mil saudades em noturnos teares
e enquanto chorava aqui dentro,
lá fora,
o orvalho umedecia os ares.
Cada gota que caía dos meus olhos
era um ponto a mais
no bordado solitário
feito com meus ais.
odeteronchibaltazar
Escrito por Belvedere às 13h43
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Amigos
Convido a todos para uma visita:
http://www.jorgeantunes.com.br
Escrito por Belvedere às 14h47
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Frases soltas
"A amizade verdadeira é uma via de mão dupla. Se não for assim, não é amizade real em si, mas simplesmente mero conhecimento superficial"
Tania Lemke
22/03/05
"Se és meu amigo não me abandonas. Podes até nem sempre comigo concordar, mas virar as costas, jamais! Se o fizer quando mais preciso de ti, não és meu amigo!"
Tania Lemke
22/03/05
"Ontem precisou de mim e ali estive. Hoje preciso de você. Onde está?"
Tania Lemke
22/03/05
"Prefiro os que se calam aos que facilmente prometem!"
Tania Lemke
22/03/05
Escrito por Belvedere às 10h07
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INFINITO
Edna Feitosa
Assim distantes, mesmo em sintonia Com palavras, jamais diremos tanto, Pois deste amor, maior que a fantasia, somente olhos nos olhos, dirão quanto. Se a realidade, impede tal encanto, Como aliada, temos a poesia, Que , comovida pelo nosso pranto, Sugere, quando a noite se anuncia. Buscas o céu na moldura da janela, Miras a primeira estrela que avistares Sempre estarei olhando para aquela. Ao infinito, envia teus sonhares, Pois, na silente paz dalguma estrela, Enfim se encontrarão nossos olhares.
Escrito por Belvedere às 10h00
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Fremito congênito
Se hoje ou ontem, pouco se lhe fazia conta. Era aquela agonia, o dia. Acordar e enfrentar, guerreiros todos postos na arena, armados até os dentes. Platéia ovacionaria, derrota ou vitoria, bem o sabia. A gana sempre havia sido ovacionar. Se o clamor seria por morte ou vida, tanto fazia. Plateia ovaciona, guerreiro luta. Isso, por agora, e ainda, é a vida.
- Esta calça precisa de ajustes.
Linda Maria
Escrito por Belvedere às 14h16
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Um diálogo diáfano entre razão e emoção
Conto-te o que não quero:
Não quero mais milongas,
nem delongas forjadas
na estupidez e na insanidade.
Passaram. Foram dias oscilantes,
sempre entre o negro e o branco,
entre a lápide e a luz.
Não quero suspirar de desgosto,
nem lamentar o gosto
amargo que me ficou na boca,
preso à língua
por silêncio arrogante.
Não quero mais sabedoria insuspeita,
verborragia inútil
e o pautar de dias pela agonia.
Não quero calar minha chuva
por algum trovoar retumbante
- ainda que distante-
Não quero analogias
tolas mentiras
Não quero casa escura
luz apagada, mesa vazia
Não quero vida de instantes
Pergunto-me o que quero
E não sei de mim, ainda.
Linda Maria
Escrito por Belvedere às 13h38
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... a miúde ...
(Maria Inês Simões)
A vida lhe passava como repetidas formas de espera. Nas mãos a velocidade de quem procurava palavras-sentimentos. Nada tinha de especial, a não ser a mesmice história de buscas-eternas. Encontrava passageiros de sonhos inacabados, enquanto voltava a dormir. E, acordava-esperança.
Amanhã sempre será o espaço de um tempo, onde o hoje, jamais retorna. Pensava... Acreditar...
Amanhã talvez... O tempo cansado de seguir, retorne do passado em repetidos passos. Ou estagnado com o presente,
resolva dar passagem ao futuro no que há-de-ser. Eterno. Perspectivas insólitas. Quimeras.
Escrito por Belvedere às 11h49
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Série Curtinhos 330
Soni@ Pallone
"...Minha vida é um reflexo distorcido, feito um rosto que se deforma num lago, ondulado e instável... Sou um pálido reflexo de erudição Uma imprecisão trêmula e fulgurante..."
Escrito por Belvedere às 17h30
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LANÇAMENTO
SUAVE É O CORAÇÃO ENAMORADO
de Antonio Naud Júnior
(Editora Via Litterarum, 176 págs.)
“A literatura de Antonio Naud Júnior submerge o leitor num mundo intrépido de terror e tremor, de beleza indescritível e de uma fascinante prospecção filosófica sobre o tempo, a morte, o amor, o horror, o sexo, a busca”
(Caio Fernando Abreu)
Amigos (as):
SUAVE É O CORAÇÃO ENAMORADO (poesia, 2006) já pode ser apreciado. Terá lançamento em Natal, no Rio Grande do Norte, dia 29 de agosto, na Casa da Ribeira. Será uma noite de poesia, teatro, música e boas intenções, unificando a produção cultural nordestina. O livro está uma preciosidade. É maluco beleza. Para quem não pode comparecer a tal celebração, peço que adquira o meu delírio impresso através do site da editora Via Litterarum ou do Quiosque Cultural (informações no final da mensagem). Asseguro que não vão se arrepender. Custa 24 reais, incluindo taxas de correio. Peço também que envie essa mensagem para amigos que amem versos.
Desde já, agradeço. Um abraço apertado para todos. E viva o lirismo das palavras!
Antonio Naud Júnior
O jornalista e escritor baiano Antonio Naud Júnior é um poeta do mundo, caminheiro dos quatro cantos, navegador dos sete mares. Para ele “nada é mais importante/ do que o caminho a seguir”. SUAVE É O CORAÇÃO ENAMORADO é o oitavo livro do autor. Ele publicou, entre outros, “Ficar Aqui sem Ser Ouvido por Ninguém” (1998), “ArtePalavra – Conversas no Velho Mundo” (2003) e “Se um Viajante numa Espanha de Lorca” (2005).
SUAVE É O CORAÇÃO ENAMORADO
de Antonio Naud Júnior
Ilustrações de Igor Souza
Prefácio de José Inácio Vieira de Melo
176 págs.
Valor: 24 Reais
Via Litterarum Editora
COMO FAZER O SEU PEDIDO
Envie um e-mail para
Escrito por Belvedere às 21h11
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LAMENTO PELA PAZ!
Delasnieve Daspet
Guerra é Guerra.
Não importa a sua violência,
ou a sua virulência...
Não existe desculpa para o descalabro...
As nossas guerras de todos os dias,
As nossas picuinhas,
As nossas maldades internas,
Nascem do rancor,
da mágoa, do recalque que é o homem...
É o homem mata!
Suas bombas cruzam o anil dos céus,
Toldam de cinza as tardes do mediterrâneo,
Pontes, casas, castelos,
crianças esparramadas pelos chãos,
quais bonecos jogados, esquecidos,
sonhos destruidos...
Elos que se quebram,
e que não serão recompostos!
Não interessa quem esteja certo,
quem esteja errado...
Nossa consciência nos cobra:
Não se cale!
Não permita que o amordacem,
que lhes toldem o sol,
que lhes matem o ar,
que lhes escureçam a lua!
Poeta, não permita
que o privem da liberdade!
E, é pelo Homem, o meu lamento!
Que o farfalhar das folhas leve meu soluço,
E abrace a imensidão azul de nossos sonhos
De Paz que ouso cantar,
Neste canto de recriação
que entrego ao vento!
Recriar... Reciclar... Novos horizontes...
Assumir decisões a cada dia, a cada instante,
Pois não existem estradas fáceis,
Mas a que esta adiante,
Construindo um caminhar...
É pelo homem, este solitário animal,
O meu lamento de Paz!
Campo Grande-MS - 05-08-2006.
Escrito por Belvedere às 12h26
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Entre silêncios e estrelas
Eu leio teus silêncios e decifro tuas reticências em cada linha que aparece no meio desta paixão. Sei que é cedo sei do medo que provocam as ausências mas, em prece, uno as minhas, às tuas mãos. Deixa que as palavras digam o que sempre quisestes dizer. Deixa que as manhãs aconteçam e espera pelo novo anoitecer. Entre estrelas é mais fácil poetar. Nas estrelas, fica mais fácil me amar...
odeteronchibaltazar
Escrito por Belvedere às 10h43
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