Sarau da Belvedere


Espaço do leitor

Bel,
meu pai foi pedreiro e um pouco por isto parei pra ler seu texto.
Parabéns a voce por trazer a um canal de tanto alcance, a história de um homem vitimado por preconceitos, sistema de saúde sucateado e falta de carinho da gente pelo próximo. Tenho um amigo mendigo e ambos rimos juntos, outro dia, então prometi a ele uma crônica. Gostei da sua sensibilidade, do seu jeito de dizer o que todos precisamos ler.
Abraço e bom 2005 Belvedere! Bom findisemana!
Beijo! Fatima
Laguna/SC


Escrito por Belvedere às 17h58
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Tenini é escritora, pintora, escultora ,e minha prima-amiga.


 
 

 

 

 

NOITE DE PLENILÚNIO, crônica poética  de Tenini

Juro que é uma noite de plenilúnio, o calor sufocante não me deixa repousar, viro e reviro na cama coberta de suor e os meus cabelos umedecem o travesseiro feito de flocos de ilusões e desesperanças.

Súbito, entras assim furtivo, no meu quarto, envolto em luzes brilhantes e azulecentes.

Estás silencioso e perscrutador. ( Soturno?)

Nos teus olhos leio coisas que não quero saber.

Leio sobre tuas andanças, de círios e de amores que se foram.

Leio, também, as palavras com que me fascinas e me fazes escrava dos teus caprichos e pensares.

Em mágico te transformas e me encantas com a tua flauta de prímulas...

Pegas os astros: o Sol, a Lua, as estrelas e fazes delas partituras e me fazes ouvir lindas e inéditas sonatas... Adivinho o Violinista de Chagall voando pelo meu quarto executando cantatas de Beethoven com seu arco dourado e seus olhos feito verdes faróis a transpassarem minh 'alma.

 Melodias embalam meu sono e do amor percorro as escalas...

Sorrio e me ponho lânguida ao despertar, logo o Sol me descerra  e volto à rotina de sempre, em tom monocórdio. Cinjo minha fronte com a guirlanda das brancas flores do bouganville da calçada e da natureza faço cenário para o meu palco, onde volto a representar.

Logo mais, a peça deverá estar ensaiada , os spots acesos, à espera do ator principal que deverá chegar à tardinha, quando a Lua voltar, num céu estrelado para o papel que ainda não decorou.

Só que não vens e desapareces na brisa do lago  e no arco-íris da sobretarde, onde veleiros singram as  verdes águas,  em destinos incertos...

És tu, aquela meia lua azul que uma misteriosa velejadora prende em suas mãos tal qual pipa rebelde que o vento embala , despedaçando-a em retalhos de liberdade?




Escrito por Belvedere às 14h29
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Um amigo e uma homenagem linda!

A voz da filha que não há


 

(Crônica dedicada a Amiga Belvedere)

Pela primeira vez aquela emoção toda especial, jamais vivida. Nunca tinha sentido aquilo. Um simples telefonema. Foi engano sim. Mas a voz doce e meiga me chamou, na ligação inusitada no meio da aula:

-Pai!

Tocado...emocionado...disse o número decorado do meu celular. Ela insistiu, interrogando, como fosse mesmo seu pai, querendo assustar seus sentimentos. Brincar de esconde-esconde.

-Pai?

Falei então meu nome completo, meu número sagrado - quase que pedi pelo amor de Deus para que ela continuasse na linha, que ela ali fosse uma filha que não tive, e queria tanto ter...

Quase que quis mesmo ser pai. Foi uma das maiores emoções de minha vida. Era o meio de uma aula expositiva.

Queria sim, queria realmente ser pai daquela voz do outro da linha, num lugar qualquer. Meu coração, acho, naquele momento foi dono daquela voz. Como eu fosse mesmo de alguma maneira Pai daquela flor sonora.

Como é ter uma filha te ligando e te chamando toda carinhosa e carente de PAI?

Não tive essa felicidade. DEUS NÃO ME DEU ESSA SORTE, ESSE DESTINO. Meu pai já morreu faz décadas. E já não comemoro mais o dia dos pais. Uma mãe distante, velhinha, doente. Irmãos pelaí, somando, longe de mim. Mal-e-mal me ligam nas datas oficiais. Sobrinhos às pencas, correndo, lutando, nos estudos, aventuras e romances. Irmãs que não me amam mais. Não têm tempo. Tios mortos. Primos sumidos. Somente, aqui e ali, uns e outros alunos-filhos. Alguns eu adoraria chamar de Filhos, de Filhas. De outros tenho medo, muito medo. Pelo futuro deles. Pela sociedade com eles. Pelo futuro do futuro.

Era uma segunda-feira braba de abril. Perto da Páscoa. Eu estava ali, todo empolgado e guerreiro, explicando o Big-Bang, quando tocou o celular que, por erro meu, não estava desligado em sala de aula, como deveria. Minha mãe doente? Minha musa precisando de um exército? O filho sumido? Uma entrevista pro jornal? Colaboração para o site do Rio de Janeiro ou Portugal? Uma cobrança das Casas Bahia? Polido, pedi licença, por educação, tocado pela emoção, atendi.

-Pai!

Não, não era eu. Infelizmente não era. Podia ser. Devo ter sido um dia. A voz soou como uma gota de cristal no meu íntimo transido. Eu jamais estivera preparado para ouvir uma voz de uma menina-moça me chamar de papai. Jamais imaginei viver para sentir aquele abençoado dia. Pois era, talvez fosse, meu presente de Deus naquela momento, um crédito-luz...quem sabe?

-Não, amor, Você ligou errado. Não tenho filha. Meu número é...Meu nome é...

-Pai?

Ela pensou que eu estivesse brincando com ela. Talvez eu quisesse brincar. Pensou que eu estivesse mentindo. Talvez eu estivesse de alguma maneira cósmica por algum motivo. Talvez ela fosse mesmo minha filha. Sem saber que era. Talvez nunca tenha tido um pai. Talvez fosse um reencontro pedido por ela, como um sonho impossível de, pelo menos, ouvir, por um milésimo de átimo de segundo, a voz do pai dela. Um reencontro casual, sideral. E era eu o escolhido ali, o sorteado. A classe toda percebeu. Algumas alunas ficaram emocionadas.

-Nossa, tiofessor, como o sr é romântico!.
-Puxa, mestre, seus olhos estão cheios de sangue. O sr vai chorar?

-Copie, Maria Cebola, copie. Largue mão de imaginar coisa alheia.
(Eu seria um bom pai? Eu seria um pai companheiro, amigo? Eu proveria direito o lar e o coração de uma filha que não há, e que talvez se chamasse Ana Paula, talvez Clarice Cristina, talvez Flávia Carolina, talvez Claudia Rosangela, talvez Joana Sueli, talvez Tássia Thaís, talvez Nathália Ely ou Carmem Elis?)

Mas não era minha filha. Nunca será. Nunca haverá uma. Meu filho, tiraram de mim. Não sei aonde está, com quem e por quê. Tive-o, mas não pude amá-lo presencialmente. Tem nome de santo. Nome de poeta. Nome de apóstolo. Nome de doutor. Um dia, dizem os amigos mexendo com minhas estruturas íntimas, baterão pesadamente à porta, num prelúdio distante qualquer, e um moço esguio se apresentará, olhos medrosos ou viçados, gestos ensaiados por décadas, mãos trêmulas por andanças e erros, perguntando, assustado, inédito, comprometido com a emoção:

-Eu sou seu filho Thiago Frederico. Você é meu pai?

Acho que vou ter um enfarte. Acho que serei um pouquinho, de novo, pelo menos. Quem sabe um dia?

Por enquanto, vivi para sentir aquele momento mavioso, plangente, de uma voz anônima, num orelhão qualquer do Planeta Água, uma voz me ligando por engano que fosse, e no chamar, pedir, com amor, com certeza, com confiança, como se a cobrar o mimo de um afeto, um amparo, um pedido de socorro - ou para me dar um abraço, um beijo, um aperto de mão - e eu, meu Deus, atendi corado, coração em pandareco. E, confesso, nem me reconheci direito quando ela cobrou:

-Pai.

Eu poderia ter desligado, claro. Xingado a voz pela falta de educação, pelo erro, por não saber o número direito, estar gastando ficha, por ter discado errado.

Mas adorei aquele momento. Uma pena que não pude dizer inteiro e completo. Talvez o pai daquela voz já tenha morrido. Talvez tenha sido meu coração, cobrando uma ligação pra mim mesmo. Talvez tenha sido o escuro de minha alma, depositária de um solarium de uma saudade. Não sei. Mas, enquanto eu viver, para muito além de para sempre, quando eu for bem velhinho como o próprio Papai Noel, quando passar repentinamente aqueles últimos momentos felizes e infelizes de nossa vida pela minha cabeça com cãs, antes do derradeiro sopro final da vida, na soma das acontecências encantadoras que me restaram, lembrarei aquela voz da filha que não tive me chamando maravilhosamente de PAI.

Silas Corrêa Leite - Site: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail: poesilas@terra.com.br
Romance ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
www.hotbook.com.br/int01scl.htm



Escrito por Belvedere às 12h25
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Fotoblog ok

Amigos

 

Consegui dar um jeito no fotoblog! Sabem que as crianças estão amando? hehehe!!!!!!!!!



Escrito por Belvedere às 11h27
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Arre!
 
Belvedere
 
 
 
Vontade...
de escalar o Everest,
ir à boca de um vulcão,
desacatar em público
 políticos demagogos e
fanfarrões .
 
Digo  ao mundo
que nada está legal.
 - Para onde vamos?
 
Muitos não se dão conta...
Vêem a vida como um grande
e infinito espetáculo,onde eles
são  os   protagonistas.
    Holofotes, já!
 
         Arre!
 
 



Escrito por Belvedere às 11h26
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Escrito por Belvedere às 20h51
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Homenagem de Raymundo Silveira, um grande escritor

Belvedere Bruno  


Belvedere! A primeira vez que ouvi este nome foi em Setembro de 1980, em Viena d’Áustria. “Hoje vamos visitar o Palácio de Belvedere e os seus maravilhosos jardins”, falou Benilde, a guia portuguesa da minha primeira excursão à Europa. Tratava-se de uma construção barroca pertencente ao governo austríaco e onde eram assinados os tratados internacionais. Naquele dia eu ainda não conhecia Versalhes e nem de Scbonbrunn, e fiquei extasiado com a maravilha que são os seus jardins. Depois eu descobri que a palavra Belvedere é de origem italiana e corresponde a um pequeno mirante construído em local elevado, de onde se descortinam amplos horizontes.

 

Belvedere! A segunda vez em que li este nome foi num site da Internet. Confesso que ele só me chamou atenção por causa do palácio vienense, mas quando eu descobri de quem se tratava, fiquei perplexo ao descobrir que era alguém muito mais bela do que os jardins do Palácio Vienense e que – tal qual o seu significado italiano – correspondia a um “mirante de onde se descortinam amplos horizontes”. Mas não um “<i>pequeno</i>”, porém um gigantesco mirante!  A princípio, eu lia quase tudo assinado por Belvedere, sem me preocupar com as suas particularidades pessoais. Para ser sincero, nem sabia se era homem ou mulher. Fui simplesmente atraído pela sua admirável escrita. Só muito mais tarde eu vi a sua fotografia, e muito depois foi que fiquei sabendo que este era o pseudônimo literário da escritora Yneyda Bruno. É claro que a sua beleza e aparência física importam muito, mas, paradoxalmente, são o que menos importam naquilo que ela tem de mais valia, pois os seus textos são o melhor cartão de visitas para aqueles que pretendem conhecê-la bem. Belvedere Bruno – parece que é assim que ela gosta de ser chamada – possui textos publicados nos principais sites da Internet.

 Bel Bruno pode até não ser a melhor escritora que conheço, todavia é a mais modesta Este seu pudor, este seu despojamento de qualquer vaidade só faz destacar mais ainda o seu valor como escritora. 

 Um dos melhores contos de Bel Bruno, “Os Quatro Vestidos” foi publicado há pouco tempo num dos mais lidos e importantes jornais de São Paulo, “O Estadão”, onde permaneceu nada menos do que dez dias no topo da coluna, tendo recebido inúmeros comentários de leitores e admiradores da sua obra.

 “O verdadeiro cronista é dotado do poder de transformar fatos simples da vida em histórias com significações importantes, com lições de vida e, como no caso desta crônica, com poesia pura. Parabéns à autora!”

Eduardo Guimarães - São Paulo – capital

  “Belvedere Bruno, Eu creio na veracidade de sua crônica! Assim como dona Nara, eu também curti, por muito tempo,mágoa semelhante. Há muito estou liberto dela. Seu estilo tem o dom de prender nossa atenção. Creia que, lendo sua crônica,vi toda a cena e até senti o gosto do bolo de chocolate. Contudo, a lição maior está no fato de abrir os olhos das pessoas para que se lembrem que, numa atitude impensada, podem deixar mágoas profundas, numa criança. Você passa a dever, para nós, seus leitores, outra crônica contando como foi que dona Nara recebeu a camisola trabalhada com "casinha de abelha" no peito”.

Paulo de Oliveira - São Paulo

  “Belvedere escreve com muita qualidade e sensibilidade. Gostei demais do texto.

Nelson Faria - Indaiatuba – SP

 “Parabéns!!! Gostei muitíssimo de sua crônica. Quisera eu que todos tivessem sua sensibilidade e generosidade não só por dar atenção a uma pessoa idosa, mas principalmente pelo carinho como a descreveu e seu ato de compensá-la, pois nesta camisola azul, com casinhas de abelha, sei que há em cada uma, o seu imenso amor”.

Leonildes Zem Ferreira - Araraquara. S.P.

  “Bel, que sensibilidade pude perceber na sua crônica, além, de um jeito muito especial de me fazer lembrar o quanto a vida pode marcar as criaturas, em episódios que assumem angustiantes proporções. Você consegue, neste texto, nos induzir a dimensionar a sensação de tristeza e frustração da qual a personagem, durante uma vida inteira não conseguiu se libertar. Adorei seu jeito de nos mostrar cada emoção em forma de palavras. Parabéns. “

Aparecida Torneros - Rio de Janeiro.

 Como vêem, não se está aqui a querer “rasgar sedas”, a elogiar gratuitamente, a tecer louvores a quem não possui mérito. Mas cumprindo o dever – que todas as pessoas sensíveis desta terra deveriam também cumprir - de destacar os verdadeiros talentos deste nosso país tão carente de que se ponham os seus reais valores nos respectivos lugares. Onde há muito tempo já mereciam estar e de onde nunca deveriam ter saído. Parabéns Bel Bruno! Você é, incontestavelmente, um destes valores.

 Raymundo Silveira

 

 



Escrito por Belvedere às 20h31
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Detonei meu fotoblog! Fui apagar uma imagem e acabei com tudo. Não sei como consertar. Se alguém souber e puder me dar um "help" agradeço.

Beijussss

Belvedere



Escrito por Belvedere às 19h37
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O Primo

Belvedere

 

Após muito relutar, resolvi visitar César Bruno.

Conheci-o em um coquetel oferecido após a pré-estréia de um filme nacional, no Rio de Janeiro. Ele achou uma coincidência encontrar uma Bruno e começou a indagar sobre parentescos. Seríamos primos? "A família Bruno anda espalhada e muitos não se conhecem", falou. Concordei. Lembrei quando em plena faculdade descobri três primas que moravam aqui, na mesma cidade que eu.

Eu e César passamos a cultivar uma bela e sólida amizade, e há algum tempo passamos a nos considerar primos. Para mim é uma satisfação tê-lo como amigo. Culto, amante das letras, cinéfilo como eu, e ainda ousa escrever poemas. Nunca disse a ele, mas imita demais o Fernando Pessoa.

Gostamos de conversar sobre as críticas de cinema dos jornais e revistas. Sempre discordamos delas. Um absurdo a gente adorar um filme e ler a crítica metendo o pau. Ou, o contrário, odiar um filme e ler a crítica colocando-o nas alturas. Muitas vezes a esposa dele, Inês Maria, tem crises de riso e pergunta se não temos mais com o que nos preocupar. Como pode entender o universo de cinéfilos?

Há dois meses soube que César adoecera. Como imaginar aquele ser tão cheio de vida, tão esfuziante, doente?

Chegou a hora de tomar coragem.

Peguei um filme bem antigo — "A condessa descalça" — e levei. Seus olhos brilharam quando me viram. Falei sobre o filme e sobre a beleza de Ava Gardner. Como eu, ele diz que nunca houve mulher mais linda no mundo. E conversamos sobre muitas coisas. Ofereceu-me um licor delicioso, o Amarulla. Aproveitei para falar do meu preferido, que é o Amaretto. E aí ele começou a falar sobre licores. César sabe falar sobre qualquer assunto.

Homem genial, pensava eu, quando de supetão perguntou: "Posso te contar uma coisa?" Respondi que podia, sem dúvida. O que ouvi deixou-me boquiaberta. Narrou o sacrifício que tinha sido para ele ficar esses 36 anos casado. Nunca amara Inês Maria. Aos 16 anos, sem nenhuma experiência de vida, tivera uma filha com uma moça simples, que morava na roça. Chamava-se Rosa. A família dele tudo fizera para ocultar o fato. Ele sequer dera nome a criança. Nunca mais viu Rosa, nem a filha.

Agora, doente, tudo vinha de forma tão intensa e doída que sentia vontade de morrer para que a angústia cessasse.

Perguntei se não podíamos procurar a filha. Ele negou-se. Disse que certos fatos cabiam muito bem em filmes, mas não funcionavam na vida real. Que deixassem ele chorar o não vivido...

Saí triste. Não sei que doença tem o César. Não sei como passará esses dias imerso nessa dor, cheio de remorso...

Sei que preciso rever o amigo, porém tudo mudou. A conversa nunca mais girará sobre cinema, críticos, Ava Gardner...

A sombra de Rosa ronda seus dias, e eles andam tão cheios de brumas que estremeço.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Escrito por Belvedere às 13h45
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Escrito por Belvedere às 11h27
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Maurício Cruz é morto em assalto em Niteroi.

 
Que vida!
 
Belvedere
 
 
 

Que vida! Como se não bastasse a quantidade de problemas com os quais temos a obrigação de  conviver pacificamente,  somos agora   bombardeados de forma radical pela guerrilha urbana. O que resta  é medo. Perde-se a alegria, e até os planos, antes tão bem delineados, entortam-se. Tiros vêm por todos os lados. Morre-se por nada. Perplexidade atinge toda a sociedade.
Como chegamos a esse ponto? Onde estão os Direitos de Cidadania? Se somos seqüestrados, assassinados,  temos nossas casas invadidas, nossos bens roubados, o que nos compete fazer para modificar o cenário?
O que torna  o crime tão fácil e corriqueiro?  A certeza da impunidade, obviamente. Entre dezenas de assassinatos  por motivo fútil, por assalto, por balas perdidas, nesses últimos tempos, quantos foram solucionados?
Estupefata, vejo que chegamos a um estado  de medo que paralisa, e nos faz reféns.
Sou contra  manifestações piegas que a nada levam. É tempo de conscientização popular. É necessária a presença de líderes verdadeiros, para que possamos nos  organizar, para reivindicar nossos direitos assegurados pela  Constituição. Temos o dever de participar da  grande renovação que há de chegar.
  Queremos Educação, para que o crime não  continue em escala ascendente. Queremos Saúde, para que o cidadão não morra diante dos hospitais implorando atendimento. Queremos Habitação, para que o ser humano não viva dormindo sob marquises, nas calçadas, num estágio de vida sub-humana.
Cobremos ao Estado tudo isso. De forma pacífica, sem desrespeito aos governantes. Apenas fazendo valer nossos direitos num país, onde, felizmente,  ainda há liberdade, apesar de todas as mazelas.
Cansei dessa inércia, na qual  apenas o crime prolifera, e o cidadão vive acuado.
  Não agüento mais contar os mortos dessa guerrilha!


Escrito por Belvedere às 19h15
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UMA CASA, COM CERTEZA

 A Ana Suzuki
 
Belvedere
 

Gosto de visitar dona Wanda, naquela vila da periferia que se conserva como há uns cinqüenta anos. A casa dela, embora pobre, é tão acolhedora que sinto uma paz indescritível invadir meu ser. Os pássaros parecem prever minha chegada, tamanha é a cantoria que ouço ao entrar pela porta, após subir as escadas tão belamente decoradas por vasinhos de flores. Vasos que são de cores variadas, alguns pintados pela própria dona Wanda. Esses são os mais bonitos e com  as cores mais diferentes, originadas pela mistura que faz com as tintas. Pintora nata.
 
Ela sempre sabe quando vou, pois chegar de surpresa não é nada delicado, ainda mais numa casa de gente idosa, que gosta de fazer as honrarias. Ela adora me esperar com a mesa do lanche posta: doce de abóbora com coco e também de laranja da terra e queijos variados.
 
Aliás, graças a Deus muita gente se prontifica a me agradar com  tais doces, visto que, por mais que eu tente, nunca acerto o ponto.
 
Dona Wanda é tão alegre e vivaz que me impressiona e me faz sentir uma velhinha perto dela, tamanha a disposição que tem. Vai à rua pelo menos umas três vezes ao dia. Cedinho vai à padaria comprar pão quentinho. Seu esposo, senhor Nathan, já deve estar com noventa e cinco, pelas minhas contas. Não é muito de conversa, mas adora declamar. Gosta especialmente de sonetos e de vez em quando aparece na sala para aproveitar um pouco do lanche que ela faz para mim, e eu peço que declame. Mas é apenas isso. Logo sai e fecha a porta de seu quarto. Na verdade creio que seja o cansaço da idade.
 
Na sala, os móveis bem antigos nos levam a imaginar histórias... Há uma imagem de São Jorge cuja luzinha vermelha fica acesa indefinidamente. Nunca perguntei como a coisa funciona.
 
O quarto deles é uma gostosura! Sobre uma cômoda oito porta-retratos de variadas épocas. Vejo-os  com os filhos ainda crianças, depois o casal já com os cabelos embranquecendo; observo emocionada as alegrias de aniversários, natais, enfim, uma festa para o espírito. Há também jarrinhos com flores naturais. Nada ali é artificial. Um terço imenso enfeita seu leito, presente da irmã Eugênia, quando foi à Itália.
— Que Deus a tenha — diz dona Wanda.
 
Para que tenham idéia, dona Wanda muitas vezes faz massa do macarrão pedindo ajuda à nora, Neydinha. Ninguém pode imaginar o que seja a macarronada dela.
 
Percorro os jardins dessa casa e colho uma rosa bem vermelhinha. Embrulho o cabo e digo que vou levar para minha mãe. Dona Wanda se deleita! Começa a tecer comentários sobre o amor filial. Aproveita para mais uma vez relembrar o filho Henrique, que um dia saiu de casa e nunca mais voltou. Ela ainda chora, trinta anos passados do fato.
 
Olho o relógio no meu pulso. Dezenove horas. A visita durou exatamente quatro horas e para mim foi pouco, pois estar ali, naquele ambiente tão cheio de boas vibrações, com uma pessoa amorosa como ela, me faz ter certeza absoluta de que a vida é, de fato, maravilhosa.
 

 


Escrito por Belvedere às 15h51
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Eu e Silvane Sabóia

Posto uma bela foto tirada há 3 anos em Hollywwod. Eu e Silvane conhecemos meio mundo durante o período!

Escrito por Belvedere às 15h46
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Escrito por Belvedere às 15h43
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O camafeu Belvedere

 
Tenho um camafeu
muito antigo,
adornado
por minúsculas
pérolas.
Herança
de minha tia
mais bela.
Não a conheci,
senão pelo retrato
em branco e preto,
exposto na sala
do casarão.
Ela se foi
muito cedo.
Dela,
além do camafeu,
 herdei
parte do nome
e, claro, sobrenome.
De sua beleza,
 dizem,
herdei traços.
De sua simplicidade
nenhum vestígio.
 
Ainda bem.
 


Escrito por Belvedere às 15h40
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Tempo de saudade

Caticha
 
 
Um banco vazio
cede espaço
e instala-se
a  saudade
incomensurável...
      Belvedere


Escrito por Belvedere às 15h38
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A melindrosa
 
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou  a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...
 
Florbela Espanca
 
Belvedere
 

Perguntei a ela por que vivia chorando e se lamentando. Virasse fera!  Tive perdas na vida; já chorei,  me desesperei, depois me aquietei como a própria natureza se aquieta após seus maremotos, ciclones, erupções vulcânicas.
 
Ela continuou chorando e se  lamentando; os olhos vermelhos, a face congestionada, porém  não admitindo virar fera.  Dizia que nessa sugestão estava implícita a idéia de  enjaulá-la.
 
Não sabia o que fazer para dissuadi-la daquele estado emocional. Sugeri psicoterapia, reiki, passes, pajelanças, entre outras coisas.
 
Surgiu-me então, através de um sonho,  a idéia de  pegar a melindrosa azul, no baú de fantasias de minha avó. Mostrar através da melindrosa, o avanço  da mulher nos últimos tempos. Mas era um baú tão velho! A maior parte das fantasias  deveria estar extremamente rota.
 
Encontrei a melindrosa!  Descorada, desfiada, meio amareladada, e  com suas franjas sem o antigo balanço.
 
Vesti-a, indo ao  fundo do baú do tempo!   Saí pelas ruas vestida com ela, fumando um cigarro, e com  uma peruca chanel.  Lembrei-me de quando todas essas coisas eram proibidas para a mulher. Encenei um ato libertário!
 
Visitei a moça, que, espantada, disse: - Como teve coragem de sair com uma roupa assim? Um tempo tão antigo... - ao que respondi -  Para justamente relembrá-lo e mostrar o quanto avançamos até os dias atuais.
Esse traje foi um dos nossos  símbolos de libertação. Nessa época, jogamos fora os espartilhos! Mais tarde,  os sutians!
 
Agora, jogamos  fora os lixos, que tentam se acumular em nossa tela mental.
 
A mulher, esse ser tão oprimido  através dos tempos, que ainda  hoje enfrenta algumas mazelas, pode se considerar uma guerreira vitoriosa.
 
Pensar que um dia,  sequer direito ao voto  tinha...
 
O casamento deveria  ser a meta, e cuidar dos filhos o grande ideal. Se algo ocorresse fora do contexto, como a separação, ela carregaria um fardo para o resto da vida, através da discriminação social.
 
Aturar bebedeiras de marido, surras, traições, tudo era necessário  para que mantivesse o casamento. Carregar a  cruz até o final dos dias. Era o preço!
Elas tinham razões de sobra  para chorar!
 
Hoje, a mulher compete de igual para igual com o homem nas mais diversas áreas. Provou o quanto é capaz. Conseguiu conciliar o "ser mãe" e "ser trabalhadora", sem as antigas culpas.
 
A mulher merece, e tem o direito de ser feliz!
Digo a moça: - É seu tempo! Não desperdice seus dias. A vida é sua, e a você  compete arquitetar carinhosamente  o seu destino.
 
Retiro então, a peruca chanel,  percorro as ruas ainda vestida com a melindrosa azul e rota, mas de significado concreto e rico.
 
Certamente cumpriu o seu papel, em pleno século 21!
 
 
 

 


Escrito por Belvedere às 14h35
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Amigos

O calor aqui está demais! Insuportável mesmo. O que me aconselham? Estou desesperada. Ansiando brisas...



Escrito por Belvedere às 14h44
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JAZZ

SANTIFICADA
 
 
Belvedere
 
 
Ajoelhei-me, tecendo, horas
a fio, um enredo bíblico,
no qual me saísse
um tanto santificada
nessa incrível história.
Rezei  Ave-Maria,
Pai Nosso, Salve-Rainha
e,  a  toda  hora,
fazia o sinal-da-cruz.
Um tercinho me acompanhava,
embora  eu nunca soubesse
o que fazer com as continhas.
Clamei aos céus:
-Pai, afasta de mim esse cálice!
 Levantei-me, vesti meu casaco,
ainda ouvindo cânticos de louvores.
 
Cheguei em casa, escolhi  um Cd
e curti jazz.
 



Escrito por Belvedere às 14h42
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Há anjos

Há anjos

Belvedere


Há anjos
rodeando nossos caminhos.
 Quando não os percebemos,
  quanta chance é  perdida!

Há anjos
rodeando nossos caminhos.
Vivem assim como nós , trabalhando,
lutando no dia-a-dia.

Mas têm a voz
 e as mãos santificadas.
A energia que os envolve
é balsâmica, pacifica.

Há anjos
rodeando nossos caminhos.
Que nossos olhos consigam vê-los,
antes que decidam voar!



Escrito por Belvedere às 14h40
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