Sarau da Belvedere


Um grande escritor -Viegas Fernandes da Costa

A PROFECIA DE PIRAPORA DO BOM JESUS

Viegas Fernandes da Costa

Zé Pedro, Pedra, romeiro, pagava promessa prometida ainda no sertão: o filho que veio e que vingara comendo fé e farinha. Pois então, Zé Pedro é este que vemos descalço e maltrapilho trilhando o asfalto à beira do Tietê. Busca Pirapora do Bom Jesus, cidade de solo santo, destino da peregrinação.
Caminha lento sob o Sol, caminha feliz! Mais de cinqüenta quilômetros desde São Paulo, onde largou do ônibus.
Ainda no sertão lhe falara a aparição d’outro Zé, o José de Almeida Naves, que lá pelos idos de 1725 encontrou sobre uma pedra, na beirada do rio, ali onde agora é a Fonte do Encontro, e onde este nosso Zé Peregrino, Pedra, pretende lavar os pés, a imagem do Senhor Bom Jesus. Imagem milagreira como reza a tradição: enfrentou o fogo sem se queimar e fez surdo-mudo falar, conta o povo e a história do lugar. Mas disto não sabia Zé Romeiro até então. Sabia apenas o que aquele Zé Naves lhe segredara em noite de lua, calor e medo: “presta atenção, vai para Pirapora, agradece teu filho e batiza o nome dele na fonte do Encontro. Mas vai no dia em que o céu será terra, e a terra céu será!” “Não entendo!” – balbuciou Zé Pedro, feliz por ser pai. “Entenderás! Mas vai, lá onde encontrei a imagem do Bom Jesus. Lá onda a água não se pode beber. Vai.”
E Zé Pedro foi! Foi porque tinha fé. Foi porque prometeu que ia agradecer o filho vivo. Foi porque a Aparição mandou ir.
Nada sabia da cidade. Pediu informação. Contaram-lhe dos milagres, como aquele do carro de bois. Queriam tirar a imagem do lugar, botaram no carro e tomaram a estrada. Na curva os bois pararam num sem jeito de continuar a viagem. Foi quando o surdo-mudo apareceu e disse, com fala possível de se ouvir, para devolver o Bom Jesus ao lugar em que escolhera ficar. E assim se fez: os bois voltaram, a imagem também e um homem aprendeu a falar. Zé Pedro, peregrino, pensa se não é esta estrada que tocam seus pés descalços a mesma em que pararam os bois naquele tempo distante. Será? Asfaltada, a rodovia dos romeiros, como lhe explicaram os da romaria em que tomara carona naquele dia: o dia da profecia? Como saber? “Entenderás” – falou novamente a voz do José Naves. Não entende nada ainda, mas os pés mandaram ir, o dinheiro guardado para a passagem, e então foi, e está ali, feliz, o Sol quente tisnando o lombo mal coberto pela camisa.
Chegou cansado quando o dia já bocejava de sono. Viu a praça, a fonte, sentiu uma coisa estranha dentro de si, e foi mergulhar os pés na água santa. Mas como cheirava mal aquela água do Tietê! Lembrava a catinga do gado que apodrecia no sertão.
Lá na fonte rezou, agradeceu, lembrou o filho vivo, lembrou a mulher seca como um pau seco, mas bonita aos seus olhos de Zé Pedro. Depois foi até a igreja, bonita, não como a igrejinha tapera da sua terra, de barro, mas de pedra, pintada, telhada, iluminada. Como se sentiu pequeno naquela igreja! E depois saiu para a noite que vinha chegando.
Na praça um banco que acolheu seu corpo. Dormiu encolhido, pois para este Zé do sertão fazia frio naquela noite em Pirapora. E no sono lembrou-se então da profecia, do céu que vira terra, da terra que vira céu. A voz do José Naves martelando em sua cabeça, mandando abrir os olhos, entender. E viu então: as nuvens baixas, cobrindo o chão, cobrindo a praça, cobrindo o banco, cobrindo seu corpo de peregrino. Não sabia que nuvem cheirava mal. Achava que nuvem fosse doce como algodão doce. Mas aquelas nuvens, daquele céu de profecia, cheiravam mal. Cheiravam mal e faziam arder os olhos. E foi com os olhos ardendo que começou a andar sem ver nada além das nuvens. E foi andando que encontrou o Tietê, fétido Tietê. E o Tietê o abraçou. Abraçou e levou embora.

XX

Lá no sertão uma televisão ligada à bateria entretém pequena multidão. Há, lá no canto, uma mulher seca como um pau seco, como as outras mulheres secas diante da televisão. A mulher seca como um pau seco traz ao colo pequeno menino adormecido. De repente a cena curiosa narrada pelo repórter: “espuma de poluição do rio Tietê, com cinco metros de altura, invade a cidade de Pirapora do Bom Jesus durante a madrugada”.
A mulher seca como um pau seco reconhece o nome da cidade: “meu Zé Pedro tá lá”.
E ela achou aquela espuma parecida com as nuvens. E ela achou tudo aquilo muito bonito. E ficou feliz, porque quando voltasse, Zé Pedro ia contar como é tocar o céu.

Blumenau, 06 de julho de



Escrito por Belvedere às 15h38
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Um escritor que admiro muito - Viegas Fernandes da Costa

BOLHAS DE SABÃO

Viegas Fernandes da Costa

Ah, as bolhas de sabão
com seus coloridos especiais!
Sempre me imaginei dentro delas, quando criança.
Mas bolhas de sabão são tão frágeis!
Por que sempre é tão frágil o belo?
O cálice de cristal, a borboleta azul... a bolha de sabão?
O sorriso de uma criança, o olhar verde desta mulher?
Tudo tão frágil, tão delicado...

Ah, as bolhas de sabão
com seus coloridos especiais!
Quisera a proteção desta bolha de sabão
agora que a poesia já não me protege mais.
Desnudou meu verbo, dissecou meu verso...
onde me esconder agora?

Poetas... poetas...
de peitos tão parcos
e pulmões tão cheios de vida!
Ah, e se dignasse a vir colher as flores
esta que me devassa
descobriria que poemas também se plantam sobre corpos
e que  poetas também são homens.

Blumenau, julho de 2004.

 



Escrito por Belvedere às 15h36
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Comentário de Simone Maia - poema Conta-gota

Ah, esse tal de amor... como rende versos belíssimos! E há quantos séculos ele vem sendo cantado e contado e recontado... E a gente ainda se surpreende com versos escritos por pessoas assim, como você, que em poucas palavras dizem tanto, vão tão fundo e reinventam, recriam. Recrias e reciclas o amor neste belíssimo poema, Bel. AMEI !!!!!

Bjs
 
Sua fã, Simone
 

 


Escrito por Belvedere às 08h47
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Meu mais recente texto - DESEJOS

Desejos
 
Belvedere


- De forma alguma aceito essa condição  imposta em minha vida. Se quiser partir para o divórcio, aceito. Não suporto mais sua obsessãoe ser pressionada por tanto tempo me  enlouquece! Por vezes, sinto vontade de me atirar desse décimo andar completamente nua, apenas  usando a   máscara-borboleta de paetês  nos olhos, para que, ao menos na morte, eu tenha um pouco de brilho, já que vivi esses anos completamente ofuscada por suas manias.  Estou farta! -  Natlie, bela mulher nos seus quarenta e dois anos, já não suporta mais o convívio com o marido, Mefis. Agora, era caso de vida ou morte, tamanha a angústia  que a oprimia.
Viviam num belo apartamento, classe média alta; nada  lhes faltava em termos materiais. Apenas essa obsessão dele,  que vinha desde o segundo ano de casamento, destoava, naquele cenário  de beleza e requinte. Natlie repudiava a vida que levava de tal forma, que, agora, desejava o divórcio, mesmo sabendo  que com isso  perderia  em termos materiais.  As coisas mudariam, sem dúvida, mas  se livrar daquela loucura de Mefis era tudo que desejava. Mil vezes essa libertação, a   griffes, viagens ao exterior, empregados, casa de veraneio. Abdicaria de tudo para respirar em paz.
Mefis, bem-sucedido homem de negócios, tinha seus casos extraconjugais,  mas não lhe  bastavam. Queria  mais.  Nos seus mais idealizados desejos, incluía Natlie. Ela era parte de sua obsessão também.
A conselho de alguns amigos, chegou a consultar  um psiquiatra, mas, depois, refletiu e viu que, para ele, o que sentia   era normal. Por que para os outros tudo parecia tão sujo, feio? Continuou, então, a  tentar convencer  Natlie a realizar seu sonho. Sim, chegava a ser um sonho o que ele desejava. Tudo parecia tão inacessível. Ela, sempre tão refratária à idéia agora falando em separação  e com idéias de suicídio... 
- Natlie,  você não pode nem imaginar como a amo. Por que não me entende? Por que não realiza meu sonho?- diz ele. 
Ela  se exaspera: - Não agüento mais essa vida! -  e, tirando a roupa,  aproxima-se da janela , na sala que dá para uma das principais avenidas do bairro;   senta-se  no parapeito, gritando, xingando, chorando convulsivamente.
Mefis tenta dissuadi-la da idéia de saltar,  puxa-a para si,  mas ela parece movida por uma força sobrenatural. Ele se desespera ao entender   que ela consumará seu intento. Por um segundo,  afrouxa suas mãos, por cansaço,  e, nesse exato momento, ela parte   , tal qual   um pássaro voando na amplidão.
Desesperado, Mefis chora, blasfema  e depois reflete:  - O que eu queria era tão pouco!  Um desejo adolescente e que,  desde que realizado,  talvez nunca mais me passasse pela cabeça.   Serei  louco, como dizem?
Mefis comparece ao sepultamento, sob o olhar de ódio dos amigos dela. A família de Natlie,  que de nada sabia, está  tomada pela perplexidade da perda.
Cledir, a melhor amiga de Natlie, então , lê um manifesto que expõe publicamente as razões de seu suicídio, culpando, inapelavelmente, Mefis pelo tresloucado  gesto da mulher. O ambiente fica tenso, os olhares fixos nele. O ódio se mostra sem nenhuma cerimônia. Cabisbaixo, ele deixa o cemitério. Chegando ao apartamento, tranca-se no  quarto, desliga o telefone e começa a imaginar o que fazer da vida. Sabe que nunca mais  realizará seu sonho. Imagina os dias que virão. Interrogatórios, polícia, acusações.
Sobre a cama do casal, a máscara , em forma de borboleta, com brilhos em  paetês, parece  em festa, indiferente a tudo e a todos, nesse final de ato.

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SITE PESSOAL

                    http://www.belvedere.mayte.us
http://www.belvedere.prosaeverso.com/
http://www.lunaeamigos.com.br/belvedere/bel.html
http://belvederebruno.blog.uol.com.br/
http://belvederebruno.fotoblog.uol.com.br/


 

Escrito por Belvedere às 21h35
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Opinião da Marilda sobre DESEJOS

Não canso de ler seus escritos .
Fico em silêncio para não tornar-me repetitiva.
Mas saiba que os aplausos que você escuta, são os meus .
Bom dia !
Abraços
Marilda /OlhosDe£in¢e
 


Escrito por Belvedere às 21h32
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Um portal de alto nível!

http://www.blocosonline.com.br

 

Visitem e depois me contem!

Beijusss

Belvedere



Escrito por Belvedere às 14h22
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Correio Espírita

Amigos do Correio Espírita
 
 Parabenizo a todos que tornaram possível um jornal nos moldes do Correio Espírita. O fato de Niterói agora  ter  um jornal  espírita independente, me faz renovar as esperanças em relação a divulgação de nossa Doutrina da forma que ela merece.
   O espírita  que trabalha na divulgação do Espiritismo faz a verdadeira Caridade, levando  conhecimento,a única maneira de se  mostrar  o caminho da  libertação. 
 
Um abraço e vibrações de paz.
 
 
 
Belvedere


Escrito por Belvedere às 10h34
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Minha querida Vera Vilela

RECEITA DE PESCOÇO DE GALINHA

Vera Vilela

 

Tenho certeza que algum de vocês que me lêem, já comeu ou viu um pescoço de galinha cozido. Além de ser uma coisa muito esquisita de se ver, é muito ruim de se comer. Cheio de ossinhos que só atrapalham, e nada de carne, só nos resta dar aqueles chupões barulhentos para resgatar o que possa ter no meio dele.

 

Pois bem! Vou dar hoje uma receita que deixa o pescoço de galinha gostoso e muito saboroso.

 

Ingredientes:

 

1 pai amoroso

1 mãe dedicada

10 filhos gulosos

1 galinha de tamanho médio

 

Tempero:

 

Amor de pai,

Compreensão de mãe,

Filhos com fome.

 

Modo de fazer:

 

Cozinhe a galinha até que sua carne fique bem macia, coloque na mesa com 12 pratinhos, sendo 2 para os pais e 10 para os filhos.

No momento de repartir a galinha o pai diz:

-         Deixem o pescoço para mim, que eu adoro!

E os filhos repartem e comem a galinha todinha, a mãe consegue pegar um pedacinho que sobrou e os ossos da costela.

O pai orgulhoso pega seu intacto pescoço e com um sorriso nos lábios de alegria por poder patrocinar esse banquete “chupa os ossinhos”.

Aprenderam?

 

Após muitos anos, já casada e com meus filhos, eu vi que em casa o pescoço sempre sobra pro cachorro. Na casa de meus já velhos pais, percebo também que o pescoço não é mais o preferido. Meu pai come, agora, muito bem um pedaço de peito, coxas ou qualquer parte da galinha. Descobri então a bondade do homem que ficava com o pescoço, mas não deixava que os outros se sentissem humilhados com isso, fazendo de conta que adorava aquele pedaço de galinha.

Tem lições que somente com o passar dos anos e o amadurecimento é que vamos absorver.
 


Escrito por Belvedere às 13h23
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Conheçam Gilberto Sgarbi, meu amor!


"O ídolo da garotada"


(Gilberto Sgarbi)


          Era a noite de 18 de julho de 1915;   na pequena cidade de Rio Bonito, no interior do estado do Rio, a platéia do ‘Circo Peruano’ delirava ao ver a trapezista Elisa Savalla caminhando sobre o arame. Em meio ao espetáculo, Elisa começou a sentir as dores do parto.
          Lázaro Gomes, seu marido, mandou que descesse imediatamente, e ajudado por outros artistas do circo, levou-a às pressas para seus aposentos. Elisa era filha do proprietário  do circo  e Lázaro era um ex-padre que largara a batina para casar-se com ela.
          Instantes depois, o mestre de cerimônias do circo subiu ao picadeiro e, sob os olhares ansiosos dos espectadores, anunciou:
          "- Respeitável público: nasceu um belo menino; seu nome é  George!"
          O público aplaudiu intensamente a chegada do pequeno George Savalla Gomes. Dois anos depois seu pai morreu. Passados anos de tristeza, sua mãe casou-se com Ozório Portilho, que partilhou na carinhosa criação de George; foi Ozório quem primeiro  caracterizou-o como o palhaço ‘Carequinha’, que um dia se tornaria o "Ídolo da garotada".
          Do sucesso nos picadeiros, foi o pioneiro dos programas infantis da televisão brasileira; Carequinha entrou para a TV Tupi do Rio em maio de 1951, 4 meses depois da inauguração. Também protagonizou seis filmes de longa metragem - sucessos absolutos de bilheteria - sem nunca se afastar do circo.
          Ainda hoje, aos 88 anos, Carequinha é o mesmo; ... a mesma roupa, a mesma aparência, e mesma jovialidade e o mesmo carinho pelas crianças, adultos e idosos, os quais sempre ensinou a amar!




Escrito por Belvedere às 11h07
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Deliciem-se com os poemas do Rubens!

A INVEJA – LITANIA
Livro: Visitações do Humano
© Rubens da Cunha

Antes de sermos dor somos cavalo:
galope nos canteiros da inocência.
Arcabouço de flores consumidas
em noites de batismos e presságios.

Antes de sermos sangue somos cárcere:
verbena soterrada no desejo.
Cadafalso de culpas destiladas
assassinando peles e destinos.

Antes de sermos ar somos advento:
nascedouro de sombras indivisas
gestando despedidas em segredo.

Antes de sermos cais somos inveja:
ancoradouro tácito do olhar
sobre a face feérica dos sonhos.

 

 

 

 

 

 

 

A INDIFERENÇA – RESSONÂNCIA DE ESPECTROS
Livro: Visitações do Humano
© Rubens da Cunha

Ausências recriam
sonâmbulos nas calçadas:
malabaristas do pesar
tropeçam em esquifes de gelo.

Já não se vê além dos sapatos:
a pressa anda calçando
os pés escassos do tempo
com cegueiras e desordens.

Nas costas,
existir é o fardo que
substitui asas.

 

O CIÚME – ANIMAL INVÁLIDO
Livro: Visitações do Humano
© Rubens da Cunha

Os submetidos ao ciúme são
animais inválidos. Tanto mais

correm, mais são vencidos pelos cascos
machucados do pensamento. Acabam

impuros na savana da tormenta.
Outros há, que algemados a velhez

do espírito, desistem de fugir.
Falecem infecundos na planície

da tirania. Inscientes, continuam
pastando conveniências e perdões,

até que sobrevenha a incerteza
e os submetidos morram sem saber

que a liberdade cáustica do amor
é uma terra ausente de derrota.

 

DISTÂNCIA
Livro: Casa de Paragens
© Rubens da Cunha

Latejar tijolos. Tigelas de alguma esperança, vinagre, um sal menor de olhos. Latejar lejanias até tudo coroar-se zéfiro. Andaluz. Cavalo minguante. Caldo de pêras derramado entre dentes. Espanha custeada a fogo e fuga. Latejar andaimes e Pirineus.  Não versar o aproximado. A distância condiz a dor.

 

 

A INVEJA – LITANIA
Livro: Visitações do Humano
© Rubens da Cunha

Antes de sermos dor somos cavalo:
galope nos canteiros da inocência.
Arcabouço de flores consumidas
em noites de batismos e presságios.

Antes de sermos sangue somos cárcere:
verbena soterrada no desejo.
Cadafalso de culpas destiladas
assassinando peles e destinos.

Antes de sermos ar somos advento:
nascedouro de sombras indivisas
gestando despedidas em segredo.

Antes de sermos cais somos inveja:
ancoradouro tácito do olhar
sobre a face feérica dos sonhos.

 

 

 

A CULPA – PONTE IMPROVISADA
Livro: Visitações do Humano
© Rubens da Cunha


Ponte improvisada sobre
os rios da descrença, a culpa
me leva a uma das margens:

a da esquerda me requer
menos algema,
mais próximo da vidência,
mais pulso em adivinhar
os meandros fáceis da fé,
já que sou este homemfeto
ainda santo à tristeza.

A da direita, me precisa
pouco afeito à esperança
de nascer-me,
pois me sabe homemfêmea
menstruado em negações,
recebendo mês a mês
a não chegada de Deus.

 



Escrito por Belvedere às 08h54
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TERESA MELLO - professora, atriz, escritora e psicóloga.

UM DIA

Teresa Mello


Adoro a voz rouca e sexy de Rod Stewart. Ontem sentei com ele no sofá, cantando no meu ouvido canções maravilhosas.Foi estimulante. Dançamos um pouco. Acordei com essa lembrança e dei de cara com a máquina de lavar, o ferro e o fogão me trazendo de volta pro filme em preto e branco.No meio do chão da cozinha meu cão deitado com um tapete me lançando olhares inquisidores.
          Hoje estou sentindo um sensação de finitude, um gosto de desgosto, uma certa peninha de mim. Hoje me pergunto as horas e vejo que a resposta  busca um desejo de sentido. Uma confirmação. Hoje não quero confirmar nada. Quero descontrolar meus sonhos, enlouquecer meus desejos... Hoje quero sangue nos arranhões das palavras, mudanças de scripts. Hoje quero percorrer os caminhos que eu temia. A escuridão. Os buracos. As surpresas. Os espantos. Hoje quero substituir meu sangue por algum líquido estranho. Algo que dê novos contornos e formas ao meu pensamento, ao meu ser. Hoje estou completamente nua de resquícios de certezas. Estou morrendo de rir dos significados de mim. Releio a vida e me deparo com histórias iguais em tempos diferentes. Me releio e me percebo uma vez mais na impossibilidade de ser. Escorrego pelas palavras e percebo um gozo singular. Me esparramo pelos afazeres do dia. Vou patinando, surfando, remando, testando, levando...Decidi! Vou comer uma barra inteira de chocolate!!!




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Escrito por Belvedere às 19h58
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Teresa Mello, uma pessoa espetacular!!!!!!!!

A QUIROMANTE

 

TERESA  MELLO


Me  senti tão estranha! Desci as escadas cambaleando, perdendo as referências. Na semana passada Marilu me chegou com a novidade: -Amiga, essa é muito boa. Lê além e através das mãos. Lê a alma. Parece que essa mulher andou me seguindo durante meses. Você tem que ir lá amiga! Quer o endereço?
      A sala recendia a incenso ordinário e mofo. A mesa redonda vestia uma toalha de renda amarelada pelo tempo. Um rádio antigo com um jarro de flores de plástico engorduradas chiava tons sertanejos. Na parede cor de rosa       alguns quadros com fotos antigas cercados por gravuras coloridas de santos: São Jorge, Santo Antônio, Santa Teresinha, Cosme e Damião... Todos ali bem juntinhos sacramentando leituras de mão a trinta e cinco reais o quarto de hora.
      Dona Zizinha me mandou sentar. Gorducha, baixinha, cabelos branco amarelados como a toalha, tinha um sorriso espaçado pelos poucos dentes que lhe restavam. Pegou suavemente minhas mãos e começou a falar da minha vida. Ouvi tudo calada.
      Que alívio sair dali. Eu tão bem casada e adaptada ouvir esse monte de besteiras. Dizer que preciso me libertar, frequentar a vida... Imagine. Nem estou presa a nada. Gosto bem da minha vida. Sempre vou ao cinema com Olavo. Embora ele não goste do mesmo estilo que eu, até cede vez por outra. Teatro ele não gosta. Sempre dorme. Trabalha muito.    Não posso exigir esse sacrifício também.
      Depois ela vem dizer que abandonei a música. Ora essa, estou sempre ouvindo a JB. Tá certo que não abri mais o piano. Ah, nem tenho tempo e idade pra isso. É um móvel tão bonito! Ficou enfeitando a sala. Além do mais Olavo não gosta de barulho quando está assistindo TV. Essa mulher não sabe de nada. Dizer que eu devia voltar a pintar pra abrir meus caminhos. Que a minha evolução espiritual depende da abertura desse triângulo da arte que vê na minha mão. Pintar pra que? Pra quem? Olavo mesmo diz:...se ainda desse algum dinheiro...
      Tenho é que cuidar da minha saúde: A bronquite alérgica, a enxaqueca semanal, a coluna... Esse sim é um triângulo que preciso observar.
      Marilu que me desculpe mas vou procurar uma boa cartomante. Daquelas que falam verdades. Tenho um endereço quentíssimo.







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Escrito por Belvedere às 19h57
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Amilcar del Chiaro Filho - um anjo em minha vida!

Dançando Nas Nuvens

Foi no dia de finados. Seguimos a nossa opção de décadas e não fomos ao cemitério que abrigou e abriga ainda os restos mortais de pessoas tão queridas para mim. Fiz as minhas preces, logo pela manhã, envolvendo todos aqueles que passaram pela minha vida, deixando marcas profundas, iluminadas pela amizade e pelo amor.

À tarde, estava escrevendo textos para a Rádio Boa Nova e resolvi ouvir música enquanto trabalhava. Era uma seleção de boleros que amávamos muito, eu, e minha companheira desencarnada, que deixou intensa saudade em meu coração.

Parei de digitar, fechei os olhos, imaginei-me dançando com ela nas nuvens, entre flocos brancos de algodão. Vi-a jovem e feliz. Eu a conduzia na contradança por um salão infinito. Um vestido branco, com ligeiros tons rosa, amplamente rodado, envolvia seu corpo delicado. Com uma das mão segurava a minha e ponta do vestido, com a outra envolvia-me num carinhoso abraço. Eu sentia-me jovem e saudável, vestindo um terno azul marinho.

Dançávamos enlevados, na marcação romântica do bolero, dois pra lá, dois pra cá, como fizéramos muitas vezes na Terra. Tinha tanta coisa a perguntar, mas não ousava falar com medo que tudo aquilo se desvanecesse, como o cessar de um encantamento. Afastei-me um passo e olhei sua perna que fôra doente, reverberando luz.

Comecei a perceber que havia outras pessoas queridas presentes, mas postavam-se distantes, como a dizer que aquele era o nosso momento.

Quanto tempo rodopiamos pelo salão sem sentir e sem ver nossos pés, ou a orquestra, não sei. Mas senti que o meu tempo se escoava, e pensei em escrever sobre esse encontro, mas tive receio. Olhei para ela, e recebi um ligeiro sinal de consentimento, porque era o momento de dizer, com o apóstolo Paulo: O último inimigo a ser vencido é a morte.

A música foi cessando. Seu corpo desvaneceu em meus braços, meus olhos ficaram marejados de lágrimas, a saudade pungente foi balsamizada por aqueles instantes encantadores.

Obrigado, meu Deus! Sinto-me mais fortalecido. Sei, com certeza, que ela me espera em algum lugar do infinito.



Escrito por Belvedere às 15h26
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PROSA POÉTICA

 

                                                        Urgência

                                 Vânia Moreira Diniz

        

             Tenho urgência de escrever. Uma urgência angustiante. Preciso sempre escrever mais. Como se sem isso me faltasse alguma coisa, ou não pudesse me perpetuar.Quando era ainda garota minha mãe me disse, que eu dava a impressão que precisava realizar as coisas rapidamente como se não existisse o amanhã.  E era mesmo mais ou menos isso. As mães se não concordam, pelo menos tem a percepção da alma do filho. E imagino que tenha sido isso que aconteceu com ela.

          Atualmente continuo na mesma corrida contra o tempo e mais precisamente ultimamente, como se necessitasse concretizar todos os meus sonhos num passe de mágica. Num abrir rápido e profundo de olhos. No perpassar da borboleta azul e maravilhosa, a me indicar um caminho encantado e desconhecido. A mostrar uma paisagem já não tão familiar, mas igualmente aberta e maravilhosa. A me indicar simultaneamente dois sentidos no novo caminhar de luz e uma escuridão generosa contrastante e, no entanto poderosamente soberana.

          Sinto urgência em derramar minha alma em flocos de poesia e fascinante ternura, e ser entendida nos menores sentimentos expulsos num momento de explosão inspirada e deliciosa. Urgência em divagar cada vez mais e com os olhos da emoção plena e verdadeira. Sentindo em cada expressão, minha alma que se deleita na esperança de todas as sensações. 

           Principalmente sinto urgência de escrever muito e cada vez mais, o que couber no espaço do meu tempo, dissecar o ínfimo de cada sensação, transformando as lágrimas em sorrisos e espalhando o amor generoso nas palavras, dissertando sobre cada prazer sentido com volúpia e do amor experimentado como doce néctar. De misturar num só passo, alegrias e tristezas, choro e gargalhadas, transformando-os no viver contínuo e desejado.

           Tenho urgência de espalhar as letras, formar palavras e transformá-las em esperança, vida , amor, sentimento, carícia , deleite, perdão, carinho  no paraíso inconsciente da nossa inusitada sensibilidade. Tenho pressa, muita pressa de escrever cada vez mais o que me desfila pelos olhos em devaneios, e o que se concentra no espírito, discreto e contrastantemente delirante.

           Tenho uma urgência voraz de escrever  sempre mais, como se pudesse gozar nesse momento em eterno orgasmo a simbiose do corpo e alma entrelaçados em orgia literária. E conseguisse extrair deles a  seiva da  vida que se extingue lenta e caprichosamente sem ânsias ou tormentos porém progressivamente em intervalos cada vez mais curtos.

            Preciso escrever , desejar, sentir, usufruir, ajudar, atender, socorrer, aspirar o ar e me aquecer ao sol, fechar os olhos brincando nas ondas espumentas e grossas , belas e inspiradoras. Preciso andar pela areia branca e sentir sua maciez, apreciar a natureza e amar cada vez mais.  Preciso escrever, preciso viver enquanto puder. Tenho urgência  de escrever  cada vez mais...

 

 



Escrito por Belvedere às 15h17
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JORNAL ECOS -

           
Está no ar a nona edição

Não percam



Escrito por Belvedere às 14h41
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Helena Armond fala de seu NIVER!!!!!!!!!

ani-versar-i-AR ! ! !
ao assunto
exercitei fui a prática  
pensei estudei
examinei
considerei enganos
ponderei observei
e nada disse valeu...
assumo
num simplesmente
25 de Janeiro
é meu
e permito militares  desfilando
da banda  os metais dourando
mais que o sol
o asfalto e a chuva fina
bandeiras verde/amarelo
com meu mundo azul no centro
ao vento
e eu
aniversariando
tudo meu ...ô meu !
e agora?
reconhecimento d ´outrora ?
 visão  futuro  d´hoje?
pensei ...  pela janela
olhando nos olhos ( meus claro ! )
a janela é meu espelho ...
eis-me  pedindo   a Deus 
outra  chuva de  maná
sempre provei do " suspiro"
clara de n´ovo batido
em cada  bolo que faço
sempre ofereço e me farto
desse  
MANÁ
 e  por aí que respiro
 
Helena Armond
 
 


Escrito por Belvedere às 09h08
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Grande Lucilene Machado!

O ciclo de um vocativo

Criei João em prosa e verso. Vocativo da minha solidão. Rima da minha paixão e superlativo do meu desejo. A escrita, a história, o desenho. Comecei pelo desenho. Queria que minha ficção tivesse uma imagem que eu pudesse memorizar e repensá-la sempre ao amanhecer. A primeira idéia de João foi de uma sombra atravessando uma estrada. Pernas longas, uma cadência firme ao se mover e muita coerência. João seria coerente da cabeça aos pés, do amanhecer ao anoitecer. Mas teria de ter uma carência afetiva não muito comum aos homens. Deveria chorar por amor e ter desejos simples como o de se levantar no meio da noite para dividir uma pizza com uma mulher. Mulher, não, comigo! Porque João era meu, só meu, aliás a idéia de inventá-lo partiu de mim. Nada mais justo do que ser exclusiva na vida dele.

João haveria de gostar de flores. Flores de qualquer espécie e ser romântico para que eu não me sentisse ridícula. Teria de ter traços másculos, simétricos, para compensar a desordem da minha inspiração. Nele conviveriam o ar despojado de poeta e o arrojo de um intelectual. A insegurança de um menino e a firmeza de um ancião. O sorriso doce e o olhar misterioso. O discurso seguro e a liberdade para dizer, vez em quando, coisas sem nexo. Deveria gostar de ler e, nas tardes longas de Domingo, abriria o livro vermelho e, na página marcada por uma rosa seca, leria para mim versos de Fernando Pessoa: "Vem sentar-se comigo, Lídia, à beira do rio..." e eu, Lídia de todas as horas adormeceria com as últimas frases de Pessoa: "eu nada terei de sofrer ao lembrar-me de ti. Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira do rio, pagã triste e com flores no regaço."

Além da vocação para poesia, João haveria de ser gentil e cavalheiro. Teria idéias próprias, discordaria de mim algumas vezes e diria "não" sempre que necessário. Homem decidido que sabe o que quer, a que veio e para aonde está indo. Um homem que me surpreendesse com jantares à luz de velas e passeios românticos. Que me acompanhasse numa noite escura e me acalentasse em minhas frustrações. Que não me deixasse tão solta, nem tão presa. Que vez por outra jogasse milho aos pombos, pão aos peixes e gostasse de animais.

E, nessa minha ânsia de tê-lo, atravessei dias e noites insones como uma deusa a arrastar as tranças compridas, com os olhos sempre postos nas campinas, no céu, mar e em todas as páginas que pudessem ajudar-me na construção do meu homem ideal. Busquei o coração de João nas ondas do mar e sua alma num pássaro leve que só conhece a transparência do mundo. Eu quis João puro, livre e solto, correndo por algum parque ou por algum facho de estrela. Dei a ele toda geografia do mundo. Mas que me acenasse sempre com bandeiras rodeadas de distâncias. Sua maior qualidade? o amor. Ele haveria de me amar apesar do vento que sopra as palavras para outras direções, apesar das marés que carregam os navios para outros continentes e apesar do tempo que teima em soterrar as palavras ditas.

Quando avistei João com flores vermelhas nas mãos, não tive dúvidas em correr e abraçar aquele corpo ainda cheio de espaços vazios. Eu era um navio de verão ancorando num mar azul, trazendo alegrias e criando situações. O mar era calmo, calmo e lento como nós, mas cantava ao longe uma chuva fininha enfeitiçando nossos olhares. Fomos nos descobrindo, como quem descobre uma pátria já vista antes no mapa. Linhas conhecidas no desenho abria-se num horizonte mágico. Aprendemos os caminhos das mãos e das pontas dos dedos. Marcamos no mapa nossos pontos de identificação, medimos nossas distâncias com a língua e quebramos todos os silêncios com o arfar de nossas respirações. Afora isso, desafiamos todos os conceitos estéticos com as nossas coreografias noturnas e dormimos o sono dos bem-aventurados. Tínhamos então o desenho e a história.

Depois do ápice, João passou a acenar-me cada vez menos. Muitas vezes perdi o sono imaginando que ele pudesse estar aterrissando em luas de outros planetas. Descobri cedo que não tinha domínios sobre minha criação, mais que isso, perdi a sintonia com a minha obra poética. Tentei consertá-la, reinventá-la, aceitá-la já com outras influências, detê-la com forças telepáticas... mas, nada. As notícias que me chegavam a pássaros lentos, já estavam vencidas. João vivia outras paixões. Paixões caladas, deflagradas, circunscritas.

Numa tarde doente, enquanto eu tentava descobrir o meu erro, meu primeiro erro, senti os passos surdos de João. Movimentava-se com incoerência. Estava longe de ser o mesmo. Amor desgovernado pelo vento dos assombros. Distâncias invertidas, rumos trocados, olhos confabulando palavras cortantes. Ataquei-o com as forças de uma fera ferida. Desequilibrei-me e caí com o corpo sangrando. Não sei se foi por defesa, piedade ou desprezo, sei que João me matou. E deixou flores para enfeitar minha morte. Terminei como Lídia: "Pagã triste e com flores no regaço." Fez-se o desenho, a escrita e a história triste.

Lucilene Machado

 


Escrito por Belvedere às 21h50
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O Seqüestro  

Belvedere


O casal Henriette e  Silvino estava viajando rumo à  região serrana, e,  em plena estrada,  foi interceptado  por um carro do qual saíram três homens  fortemente armados.  Usavam capuz e luvas.   Silvino perguntou :
- O que desejam? Dinheiro? Pois tomem! - e jogou sua carteira, contendo reais, dólares, talão de cheques, e dois telefones celulares. 
Os três decidiram, naquele momento, abandonar o carro em que estavam e entrar no do casal.  Com voz rouca, um  dos três  pediu que seguissem por uma estrada diferente. Silvino retrucou:
- Para onde nos levam? Desconheço esse trajeto.
E um dos seqüestradores disse: - Cala a boca, se não quiser levar um tiro na cabeça, homem de deus! Estamos imprensados pela polícia e mais um, menos um, não faz diferença  pra gente. Faça o que mandamos que certamente tudo dará certo.
Pareciam  decididos e falavam bem, aparentando  relativa calma e absoluta certeza nos seus  propósitos.
A estrada parecia longa. O casal silencioso obedecia às ordens, agora, sem contestações, sabendo os riscos que corria. Em dado momento, ambos foram vendados, amordaçados,  e um dos homens pegou o volante, obrigando-os a se abaixar no carro. Prosseguiram a viagem que parecia não ter fim. Silvino procurava relembrar todas as suas lições de meditação, harmonização, enquanto Henriette orava  intimamente. Nada podiam fazer além disso.
Ambos fizeram um flashback de suas vidas. Estavam na faixa dos cinqüenta,  e sentiam que, muitas vezes, se apegavam a mesquinharias, e que deveriam valorizar mais a vida sob seu aspecto divino; como  agradecer as oportunidades, o encontro entre os dois, os filhos que tiveram, e, agora, os dois netos.   Pareciam  reestruturar mentalmente  seus valores. Pensaram nos finais de semana quando cada um ia para seu lado. Silvino em jogos de tênis, e cursos esotéricos os mais variados, e Henriette junto às amigas, em carteados, e, ultimamente, em bingos.  Haviam formado uma família  na qual  cada um vivia para si.  De repente, todas as oportunidades de reverter essa situação  poderiam se acabar nas mãos de três fascínoras...
Após o que parecia uma eternidade, o homem da voz rouca, certamente o líder, disse :
- Chegamos! Vamos descer. Vocês dois aí, podem sair!
Ouviram  latidos, burburinhos, e foram - arrastados para algum lugar que não conseguiram  reconhecer.  O ambiente cheirava a mofo e   a excrementos. Estremeceram  pensando na realidade. Estavam no cativeiro. Os homens saíram de cena e eles  passaram a ouvir outras vozes.
Uma mulher cuidava da alimentação, que se constituía de pão com mortadela, caldo de feijão, café e pão com margarina. A água tinha  um sabor repulsivo. De onde vinha? Tinham que tomar, sob risco de desidratação naquele ambiente quente, sem nenhuma ventilação.
Os dias passavam e nada acontecia que chegasse ao conhecimento deles. Até que a mulher lhes disse que já havia sido feito pedido de resgate de 300 mil reais. Ambos  estremeceram. De onde a família tiraria esse dinheiro? O sofrimento aumentava à medida que iam sabendo das coisas sem poder falar. Segundo informações da moça,   estavam no cativeiro há cinco dias.
Cansados, dormiam no chão, num colchonete esfarrapado, mal-cheiroso. As necessidades fisiológicas, ambos  faziam num balde,  sob a supervisão da tal moça. Ela retirava os fios das mãos dos dois, mas sempre tinha um revólver apontado para eles.
Eis que um dia  ouviram  som de pagode e cheiro de cerveja. A tarde  estava alegre lá fora. Muitas vozes, e ao pagode mistura-se o funk . E  veio  a moça! Sob efeito de dezenas de cerveja, ela tirou   as vendas, desamarrou-os e abriu a porta apontando o rumo da estrada.
_ Peçam   socorro na birosca  de seu Miguel, mas nunca digam que fui eu o pivô da libertação.  Já estou  cansada dessa cumplicidade com esses malandros que  nada entendem  de seqüestros.
Que alívio para Henriette e Silvino. Já estavam cheirando mal, mas mesmo enfraquecidos e doídos, correram, pararam na birosca e pediram  socorro a seu  Miguel,  que logo os atendeu chamando um táxi.   Foram para casa, e,  temendo novas investidas do trio que tinha seus pertences  nas mãos, foram à polícia, contaram sobre o seqüestro e disseram ter sido abandonados pelos mesmos numa estrada erma e pedido auxílio a um  menino que logo lhes arrumou um táxi.
Fora a melhor solução para o caso. Os cheques foram sustados e não haviam sido utilizados. Os dólares e os reais, claro, nunca mais foram vistos. Os celulares foram cancelados e depois se verificou um grande número de ligações feitas pelos seqüestradores.
O casal não  mais retornou à estrada fatídica, traumatizado que ficou com os dias de  desconforto no cativeiro, num seqüestro mais que bizarro. Quanto à família, de nada soube  durante o período do seqüestro. Não houve contato algum, e para todos, os dois estavam passando excelentes  dias na serra, tanto que   sequer lembraram de ligar para os  filhos e netos. E nem responderam às ligações.
 
Dois dias depois, sábado à noite
 
Ambos deitados, desfrutam  do conforto de seu aposento e assistem a um filme  , trocando beijos, abraços e palavras ternas. Subitamente Henriette grita:
- Deus  meu! Hoje é o aniversário de Juslei, e  havíamos marcado a festinha na casa de Dilza Maria! Devem estar me esperando. Já são 19  horas! 
Silvino, parecendo despertar, responde:
- Menina, e eu que marquei com o grupo, às 18 horas um estudo sobre o livro O lado oculto das coisas, de Leadbeatter? O pessoal deve estar irado me esperando, pois eu coordeno os estudos! Vou me arrumar rapidinho.
E ambos saem, rumo ao próprio destino...


 



 


Escrito por Belvedere às 08h56
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Um abraço para Josias

Josias

 

Um abraço para você e obrigada por ter me explicado tudo sobre meu PC!!!Valeu!!!!!!!!!

 

Belvedere



Escrito por Belvedere às 18h39
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Artur da Távola, uma pessoa muito especial.

Os perdidões

 
Artur da Távola
 
Há milhares de pessoas presas em si mesmas, de almas fétidas, doentes de ruindade, perversas, ou simplesmente maldosas, sofridas, não-realizadas, que encaram a vida como tragédia cotidiana, porque se perderam de si mesmas (talvez para sempre) no esquecido momento do passado no qual destruíram, até mesmo sem o saber, a unidade fundamental de seu ser. E hoje propagam crimes, ofensas, dores, de que não se libertam. Isso de perder-se de si mesmo é a grande causa de dor e ofensa, assassinato, violência e morte. Há um momento na infância, no qual a criança pode se perder de si mesma para, talvez, nunca mais (se) achar.

Feliz de quem alcança dois privilégios: 1) ter pais que não o façam perder-se de si mesmo, principalmente na fase pré-consciente (até os dois anos, aproximadamente); 2) e o que consegue descobrir, depois de muita luta, memória, terapias, o momento em que se perdeu de si mesmo e alcança redenção única em sua vida: a restituição de unidade fundamental ao seu comportamento. Afinal, sem ela, o ser vagueia sob impulsos e pulsões que desconhece ou não controle.

Perder-se de si mesmo é difícil de definir. Algumas causas externas poderosas, tais como a que inibe um choro ou um grito; a que ofende, agride e inibe; a que faz o impulso natural da criança ser calado à força; a que leva o menino ou a menina a se fazer conforme o desejo sinalizado do pai e da mãe. É montar uma ‘persona(lidade)’ ajustada ao que lhe parece mais hábil e merecedor de elogios. Ou, ao contrário, uma personalidade que, por valentia, se opõe de modo rebelde e indômito ao que dela quiseram fazer: os pais, a escola, os demais, o sistema dominante, a sociedade envolvente.

Deus tenha piedade de todos os que perderam a fé e a felicidade e, por isso, perderam a vida: a própria e a dos que os cercam.



Escrito por Belvedere às 18h33
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UFOS (Leão Moysés Zagury)

                                  Ao ler notícias a respeito de Ufos (objetos voadores não identificados)  fico perplexo por tantas informações. Algumas delas fazem-nos pensar coisas fantásticas, infindáveis!. O futuro de nosso Planeta torna-se mais propício para o verdadeiro conhecimento intergaláctico.  O fato por si só não é novo. Neste século, inúmeras pessoas das mais variadas classes sociais afirmaram terem tido contatos ou visões com seres intergaláticos. Tais situações deixam-nos sem dúvida, quanto às aparições, embora os governantes insistam em dizer que tudo não passa de brincadeira, alucinações, equívocos etc. Aliás, essa tem sido a tônica, para acobertar a verdade. Escondem a verdade a fim de que as populações não fiquem em pânico. Isto acarreta distorções da verdadeira natureza destes contatos. A verdade, contudo, nunca pode estar silenciada. Mais cedo ou mais tarde ela aparecerá. O tempo se encarregará disto.
 A revista Planeta com artigos arrojados, nos mostra uma pálida idéia destes encontros. Aos leitores recomendo cautela, pois o farto material requer uma análise crítica para melhor entendimento. Um fato que chamou minha atenção foram algumas matérias sobre o tema. Quando a Apolo 11 esteve para o pouso na lua, os astronautas viram um objeto voador não identificado próximo dali.  O assunto foi comunicado para a Nasa, a qual restringiu as conversas. Não queriam que tal revelação causasse pânico entre o público. Assim, foram censuradas as comunicações entre a Terra e o módulo lunar. Mais uma decisão infeliz. O conhecimento foi abortado em nome do preconceito, do poder etc. O autoritarismo esteve presente, determinado as novas regras. Além deste episódio, outros têm se verificado quotidianamente por toda a Terra. Estas reportagens da revista Planeta são sérias, feitas por pessoas que possuem amor pela verdade. O número ao qual me refiro é o de junho de 96, o artigo tem o título: “Histórias Secretas dos Discos Voadores”. O autor da reportagem chama-se Lu Gomes.  Podemos citar livros com várias reportagens sobre UFOS, inclusive, alguns com fotos. A lista é extensa. Contudo, pedimos cautela dos leitores com tantas informações a fim de separar a verdade da mentira. Por vezes pessoas escrevem apenas com o desejo de aparecerem, para tal, misturam alguns fatos com ficção. Os escritores sérios preocupam-se em revelar fatos verdadeiros, apesar dos obstáculos como: censura do material por parte dos governantes, o não reconhecimento do trabalho por parte de alguns seguimentos dos meios de comunicação etc. Em determinados momentos, os ufólogos são ridicularizados, vistos como esquisitos pelo público. O assunto incomoda, portanto torna-se misterioso, meio oculto. Só a verdade rompe com todos os preconceitos. Ela costuma aparecer geralmente entre os incrédulos, com a finalidade de derrubar tais resistências. Não existe mistério (sentido amedrontador que o cinema tem se encarregado de divulgar), apenas o tempo exato para conhecer-se a realidade dos UFOS. Aos dedicados ufólogos e as pessoas que tiveram algum tipo de contato com inteligências extraterrestres, dizemos: Nunca desistam, pois o receio do público cairá dentro em breve.



Escrito por Belvedere às 11h40
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Conta-gotas 
 
 
 Belvedere
 
 
Amor em conta-gotas,
pleno de silêncios,
esperas, interrogações.
 
Quisera não ter dúvidas,
nem refletir amanhãs.
 
Apenas nos meus sonhos,
tudo ainda  é igual...
 
Vivenciamos 
  o dia-a-dia,
  tal como  ontem,
 ora tão distante,
tão subitamente distante


Escrito por Belvedere às 09h41
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