BetteVittorino, pessoa delicada e talentosa.
O Calçadão
bette vittorino
Rua Halfeld é o coração da minha cidade. Foi transformada num dos palcos mais inusitados dos últimos tempos. Durante o dia se vê a movimentação de executivos, pessoas às compras, estudantes, um colorido de causar inveja. Nela estão concentrados o Teatro Central, o Cine Art, comércio da mais alta roda a magazines, bancos, estância cultural, um dos mais caros impostos do município. Assim que a tarde desce e os últimos vestígios do dia se despedem, o cenário da antiga rua se metamorfoseia... Os bares, inesperadamente, se apoderam do calçadão, abarrotando-o com mesas e cadeiras. Seus freqüentadores se locomovem freneticamente, ouvem-se risos, destampar de garrafas, tinir dos copos, estalar de línguas: uma festa! O ponto de encontro de amigos e enamorados. À medida que as lojas se fecham os ambulantes disputam o espaço com os transeuntes. Suas bancas com toda espécie de badulaques trazem um colorido sem igual! Ali se encontram réplicas das mais famosas grifes de bolsas, óculos, tênis, perfumes e as coisas mais simples como bijuterias, cedês (CDs) pirateados, raridades dos antigos elepês (LPs), que a bem da verdade, nem sabemos se tocam mais... Há uma diversidade artística que porventura não se vê em todo lugar: o lindo estudante que sobre a manta pinta a óleo e acrilica azulejos, despertando no público suspiros de admiração ao seu talento; o deficiente que com os pés mistura as tintas em sua paleta e matiza na tela as mais variadas paisagens, levando toda a gente refletir sobre o que poderia fazer, se fosse uma pessoa normal. Há ainda um senhor que, à beira da terceira idade, traça maravilhas no papel com os lápis aquareláveis, fazendo surgir a fotografia da bela moça que pacientemente lhe serve de modelo. Ah... o caboclo com seu chapéu de palha e sua viola. Ele canta, com sua voz alta e gutural, modinhas que nem sempre são condizentes com os acordes dedilhados no instrumento. Mas quem liga? As pessoas vêm e vão absorvidas em seus próprios pensamentos, alheias à cena pitoresca... Uns, num gesto mecânico, lançam moedas no chapéu de operário sobre o chão. Aplausos ao artista? ... ! Há um inconveniente por ser o calçadão um lugar de fama: serve de arena para acontecimentos não agradáveis. Os suicidas, têm uma predileção por chocar sua platéia nele também. Neste calçadão somos capazes de viver cada dia uma aventura. Num tempo podemos pertencer a um bloco carnavalesco, no outro, um rebelde estudante em passeata, ou ainda, qualquer tipo de manifestação, já que é aqui que bate o coração da cidade de Juiz de Fora.
Escrito por Belvedere às 09h02
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Um escritor excelente e um ser humano ainda melhor!
Corpos nus
(Por: Marcos Woyames de Albuquerque)
na fenda de tua blusa, a visão de teus seios. antevejo mil sabores, passeando por teus meios.
no fecho de tua calça, segredos são guardados. antevejo mil sabores, de momentos alucinados.
na roupa jogada ao chão, mistérios desvendados. sabores em nossas bocas, corpos nus apaixonados.
na toalha do banheiro, do sabonete o perfume. a visão dos corpos nus, acende nosso lume.
os lençóis amarrotados, testemunhas do enlace. seres vivos aninhados, desejos face a face.
na cama toda desfeita, nos lençóis amarrotados, descansam felizes amantes, corpos nus realizados.
www.erus.kit.net
Escrito por Belvedere às 10h49
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Dorcila Garcia, uma pessoa especial.
ENCLAUSURADA
Dorcila Garcia
Já nem me lembro mais há quanto tempo estou neste castelo, dentro de uma armadura de aço.
Um dia já fui livre. Corri por campos de flores. Banhei-me em águas de chuva.
Ganhei beijos do vento. Colhi flores nas estradas. Reguei plantas orvalhadas.
Cantei louvores ao entardecer. Ao balanço da rede, adormeci. Com a luz da lua cheia, acordei.
Mas um dia eles vieram. Em vestes negras e capuzes, destruíram meu mundo encantado.
Reviraram tudo. Em seus olhos, ódio e revolta. Levaram até meus sonhos mais belos.
Nunca mais fui a mesma. Minh´alma ficou dilacerada, minhas esperanças se estilhaçaram.
Construí este castelo, com pedras de medos e tristezas e me isolei de tudo que um dia amei.
Sequer me esqueci da intransponível ponte levadiça sobre um rio de jacarés famintos.
Escrito por Belvedere às 20h39
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Edna Feitosa - escritora, professora e pintora.
ÍMPIA HARMONIA
Edna Feitosa
Já não existe o frio dorsal Nem mesmo insinuantes gestos e palavras. A lingerie transparente Cedeu lugar ao confortável camisão de malha. As horas acomodaram-se Tudo em seu tempo e lugar certos Absolutamente organizados. O escandaloso riso solto desapareceu E permaneceu o discreto sorriso. Alteraram-se volume e estilo de sons. As atitudes pensadas, comedidas Substituíram a espontânea descontração. Já não há tremor no abraço E o toque já não descontrola a respiração. Já não há calor queimando o rosto Nem umedecem mais os olhos, de saudade... A vida está coerentemente certa. O tempo responsavelmente organizado. O amor, de tão seguro, virou parentesco. Tudo certo na vida. Absurdamente certo. ...Que pena!
Escrito por Belvedere às 22h46
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Viram??????
Procurando Elizabeth
Sempre sutil
em suas observações.
Firme, mas
consciente de que,
para sentir-se forte,
não necessitava
usar palavras duras.
Face plena de quietude...
Qual fosse a situação,era
um jorrar de doçuras.
Ando saudosa do cheiro
das palavras dela e
do tom que conseguia emitir.
Alguém a viu por aí?
Escrito por Belvedere às 20h31
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O mais recente texto Belvedere
A Ditadura consentida Belvedere
Que história é essa de que a mulher brasileira tem a obrigação de ser gostosa, segundo padrões pré-estabelecidos? A recente matéria no New York Times, tendo por título algo como - "As garotas de Ipanema não são mais as mesmas", - mostrando supostas brasileiras gordinhas, pegou-nos de surpresa. Estamos condicionados a ver a mulher brasileira mostrada como símbolo de perfeição estética: - curvilínea, bunduda, peitos grandes e empinados, quase sempre siliconados. As fotos das mulheres gordinhas geraram opiniões diversas e muita revolta. O padrão brasileiro não era aquele mostrado, ora! Mas veio a revanche: não eram brasileiras! Pronto. A honra delas não havia sido comprometida.O jornalista se deu mal, não? Até quando as mulheres vão se submeter a esses padrões? Por que não manter sua individualidade e curtir seus corpos, colocando abaixo a ditadura da magreza, dos peitões e dos bundões? A mulher magra é linda, não precisa de excessos, assim como a gordinha é sensual e não precisa morrer de fome nem se esconder quando está na praia. As perfeitas? Existem? Fala sério! É uma sucessão de lipo que não tem fim. Faz-se como se troca uma obturação de dente. Para o Natal, carnaval, aniversários... Já não há bom senso. É assustador! A mulher brasileira é tão bonita quanto as mulheres de outros países. Nunca foi a melhor do mundo. Isso é um mito. A diversidade é o que existe de mais belo. A pasteurização é monótona. O exército de mulheres de cabelos louros e alisados, peito siliconado e bunda empinada com hiperlordose já está cansando. Peguei uma foto de Marilyn Monroe agora. Que mulherão! Cheinha, cabelos curtos em cachos, tão diferente ... Por que as mulheres estão jogando fora seus cachos? Sei que essa prosa vai gerar gritos irados, mas cá pra nós, ando enjoada de ver tanta mulher igual pelas ruas. Qual será o escritor preferido delas? Qual a peça que mais gostaram em 2004? E o filme? Sorry.

Escrito por Belvedere às 11h20
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Carvalho Branco abrilhantando nosso domingo!
INSPIRAÇÃO
(Carvalho Branco)
Quem és tu que vens no vento, que refresca e dá alento a quem está em solidão?... Só te vejo o coração, feito de sangue rubro, da mesma cor que a paixão... a paixão com que me cubro da cabeça até os pés... mas tu não me disseste quem és... E no sussurro do vento, passas-me o teu intento... e no teu dizer descubro, na verdade, quem tu és... és a mensagem de um momento, que vem ao encontro de meu lamento, quando do chão estou ao rés... és a força-viva que motiva a vida e de ti então me supro... respiro fundo... me levanto... e, neste mesmo recanto, dá-se uma nova partida...
Cato no lixo um pedaço de papel... e uma velha caneta... tensa... inicio minha escrita... já nem me reconheço na letra... olho as estrelas, a lua, o céu... Todo o meu ser se agita! Canto e danço uma canção... Sou outra pessoa, sou pura emoção... E a nuvem do céu me fita e sorri... Olho em volta e vejo como a vida é bonita!... Uma pétala de flor se solta e cai-me ao colo... ajoelho-me e na grama me rolo... e choro de imensa alegria... Termino então a minha poesia, sopro um beijo na direção do vento, da brisa fresca que passa e me abraça... me enlaça... e grito: "Obrigada, INSPIRAÇÃO!..."
A LUZ DA INSPIRAÇÃO (Carvalho Branco) De onde vem tamanha luz? Será que esta poeta a ela faz jus? Ela se achega de manso, passo a passo, num remanso e logo tudo clareia, desde o céu da lua cheia, ao mar de mamãe sereia à terra batida e molhada, às praias... maré cheia... ao sol batendo na areia... ao verde da mata virgem... às chaminés com fuligem... às pontes, aos rios, cidades de calçada... povoados de barro e casas de taipa... E quando nela me esbarro, brilham, de meus cabelos, os fios... Dos faunos, escuto a música da gaita... das ninfas, a cantoria... A natureza explode em poesia!... Não, não é simples imaginação... é uma outra visão... é intuição... é inspiração!...
Escrito por Belvedere às 10h58
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