Sarau da Belvedere


A Eutanásia e o Espírito


Iso Jorge Teixeira

Hoje recebi da nossa querida BEL um repasse dos casos dolorosos para as famílias da americana Terri Schiavo, em “coma vegetativo há 15 anos”, cuja sonda de alimentos teria sido suspensa, e da brasileira Renata Vieira Gonçalves Lopes, 35 anos, que estaria sendo mantida viva sob aparelhos. Os pais desta, revoltados com o caso da americana, chegam a comparar a atitude da Justiça americana com o holocausto dos judeus, propiciado por ADOLF HITLER... Bem, como não conhecemos exatamente nenhum dos dois casos, darei a minha opinião, genérica, sobre a difícil questão da Eutanásia...
A Eutanásia é a indução de morte suave em casos específicos, que ainda não estão bem definidos, pois há polêmicas do ponto de vista do "Direito de morte" e da "Ética", pelos abusos que ela propiciaria...
 A nosso ver, de acordo com os atuais conhecimentos científicos, mundialmente considerados, não haveria homicídio ao se desligarem os aparelhos e suspenderem os medicamentos que mantêm uma pessoa em vida puramente “vegetativa”, ARTIFICIALMENTE; tanto assim que o nosso Conselho Federal de Medicina (CFM) baixou uma Resolução definindo parâmetros claros e específicos para a caracterização da Morte Encefálica e, conseqüentemente, da definição de Morte biológica. No entanto, é muito difícil estabelecer-se o momento exato em que se dá a Morte Encefálica, por isso a Resolução do CFM preconiza a repetição do exame para a constatação da Morte, para efeito de “transplantes”, por exemplo...
 Há uma grande polêmica sobre o assunto, que não entraremos nela neste artigo e há até um pensamento interessante, atribuído a VEGA DIAZ, que diz: "Um segundo pode ser a unidade de tempo que faça de um sujeito vivo um cadáver, mas também pode fazer da morte um homicídio".

Parece-nos que há uma tendência no movimento espírita a encarar a vida, biologicamente considerada, como propiciada pelo Modelo Organizador Biológico (MOB), de uma forma mecanicista e fatalista. Admitimos, sim, que o Espírito fornece a “Diretriz da Organização Biológica “ (DOB), mas não é condição sine qua non  para a vida biológica, tanto assim é que há seres vivos sem Espírito, como as plantas, por exemplo, e até “indivíduos encarnados sem Espírito, anencéfalos” (sem cérebro) e natimortos [a propósito, leia-se questão 356 de O Livro dos Espíritos (OLE) de ALLAN KARDEC e resposta], mantidos em vida “vegetativa”, natural e artificialmente. O que mantém a vida biológica de um corpo é o “fluido vital”, extraído do “Fluido Cósmico Universal” do planeta em que o corpo habita (cf. Livro I - Cap. IV de OLE), e não o Espírito.
 Por tudo isso, em relação à “situação do Espírito”, diremos que tanto uma pessoa com “Morte Cerebral” quanto com “Morte Encefálica” não mais abriga um Espírito em seu corpo, pois em ambas há lesões irreversíveis das células cerebrais e, sem cérebro não há “vida de relação” e a “vida vegetativa” pode ser mantida em ambos os casos não pelo Espírito, mas pelo “fluido vital” remanescente, naturalmente no primeiro caso e ARTIFICIALMENTE no segundo...
Aqueles que desejam manter a vida corporal de uma pessoa, em vida puramente vegetativa alimentam fantasias compreensíveis e muitas vezes louváveis, porém, parafraseando ALLAN KARDEC: “as fantasias científicas de hoje podem ser uma realidade amanhã, antes que chegue o amanhã, fiquemos com a realidade de hoje!”


Iso Jorge Teixeira
CREMERJ: 52-14472-7
Psiquiatra. Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de
Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)



Escrito por Belvedere às 21h26
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SEPARAÇÃO DE BENS
 
Marisa Pimentel
 
    Deixo as estrelas
        que te fiz
e levo o céu que criei.


Escrito por Belvedere às 21h07
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SEXTA FEIRA SANTA

Era sexta feira. O dia havia rompido as trevas da noite. Mas o que importa? Era sempre noite na sela úmida e fria onde Barrabás se encontrava. Nem o sol, com deus raios poderosos, conseguia penetrar na escuridão subterrânea da solitária masmorra.

Num canto escuro, ele aguardava. A qualquer momento ouviria os passos do carcereiro se aproximando. Uma grande chave seria introduzida na fechadura, a lingüeta se moveria e a pesada porta vagarosamente se abriria. Então ele seria levado ao lugar fatal e seria pregado numa cruz. Iria passar pela agonia mais cruciante da história de um povo, seria exposto à contemplação pública de uma população indiferente. Precisava pagar pela culpa de seus crimes.

Barrabás permanecia recolhido em suas lembranças, os pensamentos de morte  misturavam-se com os remorsos do medo. Sentia calafrios, os olhos ardiam... recusava-se a fechá-los para não ver as formas tenebrosas movendo-se sobre a face do abismo profundo.

Era preciso coragem para enfrentar a idéia de ser derrotado pela morte. Segurava a cabeça com as mãos na tentativa de suportar as últimas marteladas do pensamento.

Quando a porta, por fim, se abriu, o carcereiro entrou com um sorriso surpreendente:

  • Você sabe do acontecido, Barrabás?

Barrabás ignorou a pergunta, que fato poderia interessar a um sujeito condenado à morte?

  • Ah, então você não sabe? - replicava o carcereiro com um olhar luminoso e um tom de voz triunfante.

Enquanto o réu era levado pelas escadaria obscuras, pelos corredores compridos e abafados que antecediam os portais da morte, uma voz rasgou o mortal silêncio:

  • Barrabás, alguém morreu em seu lugar!!!!!!!
Ele levantou os olhos num sobressalto. Conforme as portas iam se abrindo, outras vozes se juntavam àquela:
  • Alguém morreu em seu lugar!!!!

Barrabás olhou para si próprio com ar de surpresa inepta, incapacitado de raciocinar. Quem poderia morrer em seu lugar, concedendo-lhe tão agraciado indulto?!

Finalmente alguém se dispôs a uma franca elucidação:

  • Você vê aquelas cruzes ao longe?
  • Sim... são três...
  • Sim, aquela do centro foi feita para você e você deveria ter morrido nela, hoje.

Barrabás permaneceu estático por um longo tempo, questionando as razões de tão inesperada liberdade. Era difícil compreender, mas precisava acreditar, um homem, por nome Jesus, havia morrido em seu lugar.

A humanidade também não compreende. Argumenta, questiona, desacredita. Mas ele morreu também em nosso lugar. Não é preciso entender, só acreditar.

Feliz páscoa a todos!

Lucilene Machado.



Escrito por Belvedere às 20h31
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O Espada
 
Belvedere
 
 
  - Ô Espada!, como é que vai essa força?  - Usualmente assim chamavam Antônio da Costinha, moço moreno, e forte que nem touro, que, assediado pelas mulheres, sentia imenso prazer com o título que ele próprio se atribuiu: Espada!
Os dias andavam pesados. Dorinha, sua mulher oficial, resolvera ter uma séria conversa com ele. O local escolhido  era um motel no centro da cidade. As crianças não podiam participar do que já previam ser um tremendo bate-boca.
A noite estava quente, e, ao entrarem no quarto, uma barata cruzou o caminho deles. Não podiam reclamar, pois a escolha do local  prometia  esses encontros. Havia um cheiro de mofo no quarto, e as roupas de cama encardidas mostravam a decadência do estabelecimento .
Dorinha deitou-se na cama e suspirou. Olhava para as cortinas em tom grená desbotado  e fazia cara de nojo. Não se contendo com a escolha de Antônio, disse: - Que lugarzinho mais chinfrim! Vixe! - Ele  a olhou  com ar de descaso e pegou um cigarro .
- Antônio, você está envelhecendo e não toma  juízo. Não  passa um mês sem que alguma rapariga  apareça em nosso portão pra dizer que tem caso com você. Isso sem falar nas que dizem estar grávidas. Uma pouca vergonha que não suporto mais. Que humilhação!. A vizinhança já me olha atravessado. Acho que até a vizinha  ao lado, a mulher do açougueiro, não escapa de suas sem-vergonhices.  Aquele short jeans apertado,  com  aquelas coxonas, só pra te provocar... E você cai feito um bobo! Chega a babar!
Pára com isso, Dorinha! Tô cansado dessas maluquices suas! Onde tem mulher você vê coisas. Não se garante mesmo, pô! -  Irritadíssimo,  Antônio faz fez menção de se levantar e sair. Ela se opôs, pegando-o pelos braços, ao que ele revidou   com um empurrão que a fez cair ao chão.  - Tô de saco cheio! –disse ele. Pegando o telefone, ligou para à portaria do motel e pediu duas cervejas e um copo.
- Mais bebida.... A gente anda numa pindaíba desgraçada. O colégio das crianças atrasado, a conta de luz também, e você ainda tem coragem de gastar com  bebidas... Isso já dura dois anos. Antes, você era um excelente marido e pai.  Nada nos faltava. - disse Dorinha chorando, trêmula.
- Pô, me deixa! Você enche o meu saco, mulher! É chata demais, por isso preciso de outras, para me alegrar, me dar pique pra viver
   - Pique pra viver, seu ingrato?  Você vive de forma  irresponsável, eu me mato em casa, ainda faço faxina e cuido de doentes acamados pra tirar um dinheirinho,  e você gasta o que ganha  com  safadezas. Nossas crianças vão saber o tipo de pai que você  tem sido. É muito fácil, uma vez por mês, sair, levá-las ao parque e comprar sorvete. E o resto como fica?  
A essa altura ele já havia tomado  quatro copos de cerveja. Já andava  um tanto fraco com bebidas, e um pouco de cerveja já era  suficiente para tirá-lo do sério. 
- Que merda de mulher! Dorinha, não te suporto mais. Vamos nos separar. É o que desejo. Minha vida com você é uma bosta! Você é uma mulher que nunca me deu tesão de viver.  Saia de casa e me deixe com as crianças.
 - O quê? deixar as crianças com você, se não compra sequer os alimentos e paga as mensalidades escolares? 
- Eu assumirei tudo isso no exato momento em que você sair e levar  todas as suas coisas. Leve  móveis, geladeira, fogão. Tudo!
 Após inúmeras discussões ela aceitou. Seria a título de experiência, disse ele. Se, num prazo de seis meses, ela visse que tudo estava a mesma coisa, ele sairia e ela ficaria de vez com tudo e ele ainda daria a pensão alimentícia e pagaria  a escola das crianças.
- De qualquer forma, a separação já é fato consumado, disse ele, enfaticamente.
Havia uma meia água na casa da mãe, e para lá foi Dorinha, .uma semana após essa ocorrência.
O tempo foi passando.  Dorinha via as crianças apenas de quinze em quinze dias. Elas estavam bem tratadas, felizes. Ela se perguntava  onde tinha errado. Não conseguia entender como  os próprios filhos se adaptaram tão bem à  separação.  Antônio estava outro. Gentil, oferecia licores a ela durante as visitas, conversava, cheio de mesuras.
 
Ao final dos seis meses, durante uma visita na ausência das crianças, que estavam numa excursão à Terra Encantada, com alunos da escola, Dorinha teve coragem para perguntar a ele a razão de tudo ter corrido tão bem. Seria ela tão daninha  a ponto de tudo ter melhorado após sua partida? 
- Bem, Dorinha, as crianças se recuperaram de seu abandono após três meses. Tive que levá-las ao posto de saúde para companhamento psicológico e fiz com que prometessem nunca tocar no assunto com você. Se fizessem, ameacei que as internaria num colégio bem longe. Afinal, com a idade de sete e nove anos, é fácil tratar esses casos. 
Uma ira incomum tomou conta de Dorinha.
Ele ria: - Lembra do golpe da primeira gravidez, Dorinha? Pensa que não sei disso? Soube  através de sua irmã, a Cleidinha. Isso há dois anos, quando conversávamos  num local reservado. Ah, mulherão!!! Ela me contou que você planejou a gravidez pra me pegar.  Estava preocupada por já estar com trinta anos, e solteira. Como iria te deixar na mão com uma barriga daquela? Tudo que você queria era um otário pra te sustentar, depois de andar com toda a galera do bairro. Fui chamado de babaca por todos. Mas o tempo é justo. O feitiço virou contra o feiticeiro, né?  Você que acabou me sustentando nesses últimos tempos, e amargou variados chifres! E ria...
Da janela ao lado, a vizinha coxuda chamou por ele e disse que a festa seria às nove e meia e que já arrumara quem ficasse com as crianças. Ele, então, disse a  Dorinha que por coincidência ela havia se separado na mesma época que eles.
-  O marido era um idiota!- disse ele, e riu .- Adorava rir nesses momentos cruciais. Nessas horas tinha ares de hiena.
- Sinto muita sede. Me dá um copo d'água . –disse Dorinha.
- Vá à cozinha e pegue água no filtro, ora!
 Dorinha  foi a à cozinha e,  vasculhando os armários para ver o que tinha de comida, viu que a quantidade era farta e ainda tinha supérfluos. A geladeira estava com dez latinhas de cerveja. Pegou duas latas. Antes, pegara um envelope, que estava no armário abaixo da pia, junto aos detergentes, sabões e água sanitária, despejando o conteúdo dentro de uma das latinhas. Chegou à sala . Ele assistia futebol.  Deu uma  latinha  a ele.
- Eta! Tá virando gente, né?- disse Antônio, o Espada. E tomou de um fôlego o conteúdo, para momentos depois, diante dela, começar a espumar.
 



Escrito por Belvedere às 17h58
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O Homem Maduro

Lilian Maial

Os poetas que me perdoem, mas a observação feminina leva-nos a pensar através da poesia. Mesmo aquelas que não deixam fluir, ou não conseguem transcrever para o papel ou para a máquina o que percebem, observam, devaneiam a respeito dos homens, ou de um, em particular, têm a nítida diferença das fases pelas quais eles passam. Pode-se até mesmo traçar um paralelo entre a fragilidade masculina, com o avançar da idade, e a feminina.

Nós, mulheres, tememos a menopausa, a diminuição da libido. Eles temem a impotência, a dificuldade de ereção e satisfação da parceira. Nós, o temor de tudo despencar, murchar, inchar. Eles, a calvície, os pneuzinhos, as manchas na pele. Nós, a celulite, as rugas. Eles, o infarto, as rugas. Nós temos os estrogênios, as pílulas. Eles agora têm Viagra, o "santo remédio". Mas Mas ambos temos nossos temores ocultos, nossas buscas desesperadas, nossos segredos inconfessáveis, nossos sonhos.

Nessa fase, as mulheres tornam-se mais susceptíveis a romances com homens mais novos, por vezes muito mais novos. E eles também.

Curioso é que nós ainda nos espantamos e criticamos a nós mesmas quando vemos uma quarentona acompanhada (e bem) de um jovem com menos de trinta anos. Mas nada falamos ao ver um homem de seus cinqüenta com uma mocinha de vinte. Somos nós as machistas. E por pura covardia e inveja. Homens, nesse aspecto, são mais solidários. Uns encobrem os outros, se ajudam. Nós, Nós, bobas, não. Somos capazes de gestos atrozes quando nos deparamos com algo dessa esfera, para a qual não temos coragem de assumir e fazer também, embora o desejo nos queime por dentro.
São as falso-moralistas que tanto abominamos, mas que tão bem conhecemos.
E que muitas de nós insistem em valorizar como alicerces de algo falido e ultrapassado.

Mas estou aqui para falar de homens!
E vamos a eles.


Já notaram como um homem maduro é frágil?

Sim, frágil!

Parece que ele segue um caminho de força, dedicação, luta, perseverança, sacrificando a tudo e a todos pelos seus objetivos, desde que nasce, até os trinta e tantos, quarenta anos. Mas, subitamente, se pega sozinho, sem ninguém com quem dividir as angústias, já que assume papel de "chefe da família" perante esposa e filhos.

Mal sabem eles as noites mal dormidas, os dias de tédio, os questionamentos que aquele homem, se vendo de repente moribundo (não esqueçam dos riscos coronarianos!), passa a cada dia.

Não há com quem dividir seus temores, não há com quem compartilhar a vontade de comer algodão doce e andar na roda gigante (montanha russa é para os trintões). Não há com quem dividir as músicas da adolescência que vêm à mente não se sabe de onde, só para fazer lembrar de como o tempo passou.

Necessita de amigos, mas não aqueles amigos em comum com a família. Não, esses seriam mero reflexo. Necessita amigos e amigas com quem rir de besteiras que a família franziria a testa. Necessita ser admirado pelo seu físico, inteligência, força, mas também por sua sensibilidade, perspicácia e desempenho. Adora, embora não confesse, receber flores e poemas. Aliás, como é apreciador de poesia!

Sente medo do ridículo, mas quer se apegar à juventude, seja através de gírias disfarçadas sob "como diria meu filho", ou da roupa mais "maneira" que "ganhou" de alguém, ou por aquela gravata de motivo da Disney, que fingiu que não gostou, mas que precisa usar para agradar o chefe que o presenteou.
Treme de medo da limitação, da doença, da pobreza, enfim, do fracasso.
Geralmente não encontra apoio aos seus questionamentos, porque simplesmente não partilha seus receios, talvez até por não ter consciência deles. Mas a angústia está lá. E aí, uma companhia agradável e preocupada com seu bem-estar, pode ser o estopim para relacionamentos extraconjugais. É nessa hora que ele se sente menino de novo, viril, bonito, atraente, inteligente, capaz de arrebatar um coração carente e cheio de amor e compreensão pra dar. Mas vá conviver com ele...

O homem maduro tem seu charme, tem sua eloqüência. É esperto, vivido, sabe bem o que dizer, a hora certa de dizer, o que fazer, quando calar. Sabe cativar, sabe ser presente, sabe conquistar. Tem paciência para a conquista, porque a verdadeira conquista é um jogo de paciência. Ainda tem sua virilidade, seu vigor, mesmo que seu físico já não contribua tanto. Troca o número pela qualidade o que, cá pra nós, sai ganhando de longe! Porém, não faz idéia das armas que possui, justamente por assim ser.

A mulher que conseguir entender e fazer desabrochar o homem maduro, terá ao seu lado um companheiro de todas as horas, um apaixonado romântico, um amante paciente e eficiente, um amigo, um confidente, um homem cheio de surpresas, que pode chorar junto de um filme triste, como pode assumir a culpa por uma decisão (dela) errada.

A mulher que souber cativar esse homem, dar espaço a seus sonhos, seus devaneios, ser sua cúmplice sem cobranças, mas sem rédeas muito soltas (porque ele sente o mínimo abandono), terá um homem pronto para o amor. Um homem que sabe como amar e sabe se fazer amar.
Um homem que se pode contar, que se pode admirar e manter ao lado, orgulhosa e feliz.

A mulher que encontrar esse homem, que anda vagando, perdido por aí, no meio de relacionamentos cataclísmicos, terá a chance de conhecer momentos de prazer intenso, parceira de alguém que se doa a cada dia, que só espera ser tratado como um homem especial, que, na verdade, é.

E esse homem está esperando por nós aí, ao nosso lado, na nossa casa, no nosso trabalho, na nossa rua, na nossa roda de amigos, até na Internet.
E como tem quarentão virtual atraente!

Resta, depois disso, aprender a identificar o quarentão.

Procure por um homem que se mostra pela força, mas que está frágil feito um bibelô. Procure por um homem decidido, mas que está louco para ser dominado por uma mulher lânguida. Procure
por um homem sem muitas prosopopéias, mas que adora descobrir cada detalhe de uma mulher. Procure por um homem de aparência comum, mas que saiba se transformar em dezenas de homens só pra lhe satisfazer. Procure por um homem seguro de si, mas que precisa desesperadamente de elogios. Procure por um homem sem compromissos, mas que não abre mão de marcar ponto no seu coração.

Procure enfim, amiga, por um homem seu, mas que precisa ouvir e sentir a cada dia, o quanto você lhe pertence.



Escrito por Belvedere às 09h56
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REMORSO: Aspectos Psico(pato)lógicos e Espirituais
Iso Jorge Teixeira
            
            
Há cerca de 3 anos um de nossos leitores do JORNAL ESPÍRITA, órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP, perguntou-nos: ”(...) como se livrar do remorso, este sentimento pungente que resulta do conhecimento dos erros”
    O remorso, que consideramos como “sentimento de culpa”, resulta do “arrependimento” de uma ação ou omissão no passado (isto é, a pessoa arrepende-se do que fez ou deixou de fazer em função do que poderia ter feito de outra maneira ou não ter se omitido) e em virtude das conseqüências presentes ou futuras daquela ação ou omissão.
              O remorso é um sentimento de auto-estima negativo, o indivíduo se julga a pior das pessoas... Ele é acompanhado, em geral, de inquietação da consciência e não encontra reparação, daí, talvez, a pergunta do leitor: "como se livrar do remorso?".
    Mesmo com o perdão daquele que ofendemos, a consciência não se apazigua, como na bela composição popular de NELSON SARGENTO, que diz:
O REMORSO VAI ATRÁS
(Nélson  Sargento)
Quero pagar o meu pecado grande Deus, 
Eu quero ter paz no coração
Antes de findar os dias meus,
Quero alcançar a redenção .
Eu fiz sofrer aquela boa criatura ,
Lhe fiz da vida um rosário de amarguras ,
A minha consciência não tem paz ;
Aonde eu vou o remorso vai atrás.
Eu a fiz passar tanta humilhação,
Ela não merecia tamanha ingratidão!
A sua bondade me atordoa ,
Ela diz a todo mundo que me perdoa,
Por isso é que eu me sinto
O mais covarde dos mortais.
Aonde eu vou o remorso vai atrás.

              O remorso ou sentimento de culpa pode ter base real ou não. Ou seja, no remorso do “deprimido” há uma reação exagerada, desproporcional, entre a ação ou omissão e o grau de arrependimento. Certa vez, tratei de uma paciente depressiva que, reiteradamente, se “culpava” pelo filho não ter sido aprovado no Vestibular para Medicina, sentia-se, por isso, a pior das pessoas, chegando a pensar em “suicídio”. Ora, em nada ela contribuiu para que o filho não passasse nas provas do Vestibular. Uma simples frase de crítica ao filho, proferida no passado, havia 10 anos, foi o suficiente para o seu “sentimento de culpa” atual. Portanto, o remorso da paciente não tinha base real, e era desproporcional.
              Nas personalidades psicopáticas, em geral, não há o sentimento de “remorso”. O psicopata não tem piedade por ninguém, por isso não experimenta o remorso, a não ser naqueles transtornos de personalidades “neuróticas”.
              Outra eventualidade, anormal, da ocorrência do remorso é através da “obsessão”, tanto no indivíduo encarnado como desencarnado; os algozes procuram torturar aqueles que cometeram alguma falta e que revelem "brechas psíquicas" para aí atuarem.
              Portanto, caro internauta, a maneira para se livrar do remorso, nos casos por transtorno mental (depressão neurótica ou psicótica, esquizofrenias, personalidades inseguras, etc.) é, obviamente, o tratamento psiquiátrico. Nos casos de obsessões bem avaliadas, a solução deve ser buscada em reuniões de desobsessão e através da prece.
              Creio que o “arrependimento autêntico” ou a “constrição” (como denominam aqueles que acreditam na “salvação pela graça”) não produz inquietação, não é tão "pungente" quanto o "remorso"; pois, este, além do arrependimento, inclui um estado – de -espírito que traduz a impossibilidade de reparação. Assim, na composição popular de NELSON SARGENTO e como disse o psicanalista argentino  LUIS KANCYPER: "O ressentimento é segundo as palavras de um analisando como acelerar um carro atolado no barro. Quanto mais se acelera, mais se afunda e menos se mexe. É um beco sem saída."
              De fato, aquele que vivencia o remorso não vê saída, ele é vivenciado especialmente por desencarnados, como cumprimento da “lei-de-causa-e-efeito”. No entanto, há solução para o remorso  nas pessoas normais e ela se traduz por dois mandamentos que JESUS, O CRISTO disse depender "toda Lei e os Profetas" (Mt  22,40): o AMOR A DEUS e AO PRÓXIMO, com isso nossos erros serão perdoados, não pela "Graça" Divina, mas, através do exercício do livre–arbítrio na prática do Bem. Com isso, uma pessoa que tenha praticado vários abortos na juventude, por exemplo, conseguirá "se livrar do remorso".
    Se o Espírito da pessoa arrependeu-se autenticamente e a pessoa não sofre de transtorno mental, a fórmula é simples, JESUS no-la ensinou... A “prática” dessa fórmula é que é difícil, às vezes. Mas o Mestre JESUS também ensinou no Sermão do Monte, numa das colinas de Cafarnaum (Mt 5,5 ):
    "Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados."

 

Iso Jorge Teixeira
CREMERJ: 52-14472-7
Psiquiatra. Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de
Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 


 



Escrito por Belvedere às 18h13
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POEMA PARA MIRIAN
                                    Paulo Alberto
 

De onde vem
o bem
meu bem,
que ressuma de você?
De que almas
tedescas, francesas, lusas,
surgiram suas calmas e harmonias,
mansidões de cisne
e a natural bondade
que musas,
sem tisne
inspiram-na
para a verdade?
Você comprova
que o belo é o bom
e na doçura infinita
de seu suave tom
o azul mora na mulher bonita
e tudo a que seu olhar incita
é ao bem, ao limpo, ao som
de harpa, harmonia implícita.
Da Mirinha sapeca
Tico Tico no Fubá,
ping pong, dança e peteca.
dengues e truques
de uma iaiá,
para a mulher de minha vida,
amorosa, meiga-amiga,
dengo e ciúme escondidos.
Da Mirian que a tudo se liga
à Ruça querida,
flor de pessoa, amiga
pessoa em flor, luz da vida,
dona do meu secreto jardim.
proprietária amorosa do melhor do meu mim.
Em Mirian mora um cristal
uma escondida criança,
mora a mãe especial
e a mulher
felizmente não fatal,
embora a tal.
Que onde chega, brilha
e por que não dizer:
a mulher maravilha.
Em Mirian mora o Natal,
anjos de luz, bondade cabal,
mora a guerreira de flores,
cuja intuição a conduz
para dona de meus amores.
Mirinha de todas as cores,
as da alegria menina,
da preocupação exagerada,
Mirian de todas as flores,
da açucena à bonina.
Ruça, companheira de estrada
e de esperança.
A da emoção
funda e feminina.
Menina do meu coração.
Coração da minha menina
do qual quero ser
para sempre o guardião,
escudeiro, mago, medicina,
e de sua beleza o esteta,
para ser, sempre,
de sua alma, o poeta.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Escrito por Belvedere às 10h06
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