AS HORAS cláudia villela de andrade Que elas passem debaixo da torneira fria, enquanto o cantor de banheiro se lava rapidamente. Enquanto a alma estrebucha de agonia. Aflita, sem caminho. Sem volta. Enquanto a morte mostrar o valor da vida e Woolf deixar de ser Virginia. Eu não vejo mais as horas desde que soube que o pó nosso de cada dia se mistura à terra. Sem privilégios, os minutos se deslocam diferentes uns dos outros. Nem pedras pesam tanto. Nenhum peso afoga tanto. Dentro de mim, apenas o meu tique-taque.
Escrito por Belvedere às 13h48
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De vez em quando
De vez em quando Você aprende a diferença! Fora o dia de hoje, Você fez sempre o possível Para me compreender.
De vez em quando você me vê , Me olha, me deseja Fora o dia de hoje, Você nem sequer me olhou para me entender
De vez em quando você
vem para perto de mim, Diz que me ama Fora o dia de hoje, Não disse que me amava, para me fazer feliz
De vez em quando sou trapezista De vez em quando sou colombina De vez em quando sou artista De vez em quando sou sua amante
Fora o dia de hoje, Nada sou para você.
(Neyde Noronha)
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Escrito por Belvedere às 13h47
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Quando as pessoas partem E as pessoas partem tão inesperadamente, sem nenhum sinal. Fica apenas o sabor amargo do não dito, e a certeza plena do nunca mais. Belvedere Quando uma pessoa se vai, inesperadamente, seja através da morte ou por voltas que a vida dá, muitos se deparam com a consciência gritando em desespero: “Por que não disse o quanto era importante para mim? Por que me foi difícil elogiar aquela gravatinha borboleta que ele usava?Por que não disse a ela o quanto era corajosa por cada mês aparecer com o cabelo de uma cor? Por que nos calamos e omitimos nosso bem querer?” Sinto muito, mas não faço parte desse time. Sempre fui efusiva, de dizer “te amo” aos que realmente amo, elogiar as qualidades, e até os defeitos pequeninos das pessoas, defeitos esses, que, no fundo, têm seu encanto. Por isso, quando alguém se vai, sempre estou em paz comigo mesma. Nunca sinto o remorso a corroer minhas entranhas. Fica, e forte, uma saudade boa! Sempre gostei de exercitar o amor, nas suas mais variadas nuanças . Lembro-me de um fato ocorrido há muitos anos, quando eu ainda era uma mocinha, cheia de sonhos com finais cinematográficos. Apaixonada por Edson Alvarenga, e não sendo correspondida, tive uma briga feia com ele, prometendo a mim e a todos os amigos que jamais voltaria a olhá-lo. O mundo parecia que havia ruído, tamanha a minha dor! Meus olhos viviam inchados e eu a dizer : - Mil vezes a morte! Os anos passaram. Numa tarde de verão, caminhando no calçadão da praia, encontrei-o. Fiquei tão feliz que não me contive e abracei-o, falando da minha saudade. Vibrava com o encontro! Havia, ainda, amor dentro de mim, porém diferente, mais amadurecido, sem possessividade Fiquei em estado de graça com a felicidade do amado. Como estava belo, risonho como nos velhos tempos! Havia casado e tinha um casal de filhos, me contou cheio de orgulho. Fiquei absurdamente feliz com a felicidade dele. Poucos meses depois, soube da partida de Edson, vitimado por uma terrível forma de leucemia, aos vinte e cinco anos. Fiquei em paz. Na minha concepção, partira com as asas íntegras, pois eu não as havia ferido naquele último e inesquecível encontro na orla.
Escrito por Belvedere às 22h33
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Um poeta se foi
A Jose Antônio Gonçalves - jAG
Belvedere
Tive todo tempo
para te dizer
das belezas que tuas letras
traziam. E disse.
Tive tempo, e louvei, em risos alegres,
tua gentileza, afeto, inteligência,
disponibilidade em doar-se em plenitude.
Certa vez, numa dessas listas frias,
onde ninguém lê ninguém,
num puro desfile narcísico,
te enviei um: " Que preciosas letras"!
De ti, recebi : " Tua voz é sol em meio
a geleiras..."
Eras simples como o vento,
a chuva, o mar, o ar...
Belo como a própria natureza,
que sempre reverenciaste.
Não choro. Apenas sutilmente
me abraço às tuas letras...
Escrito por Belvedere às 18h50
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