Sarau da Belvedere


AS HORAS
 
 
cláudia villela de andrade
 
 
                      Que elas passem debaixo da torneira fria, enquanto o cantor de banheiro se lava rapidamente. Enquanto a alma estrebucha de agonia. Aflita, sem caminho. Sem volta. Enquanto a morte mostrar o valor da vida e Woolf deixar de ser Virginia.  Eu não vejo mais as horas desde que soube que o pó nosso de cada dia se mistura à terra. Sem privilégios, os minutos se deslocam diferentes uns dos outros. Nem pedras pesam tanto.
Nenhum peso afoga tanto. Dentro de mim, apenas o meu tique-taque.
 
 
 
 


Escrito por Belvedere às 13h48
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 De vez em quando


De vez em quando
Você aprende a diferença!
Fora o dia de hoje,
Você fez sempre o possível
Para me compreender.
 
De vez em quando você me vê ,
Me olha, me deseja
Fora o dia de hoje,
Você nem sequer me olhou
para me entender
 
De vez em quando você
vem para perto de mim,
Diz que me ama
Fora o dia de hoje,
Não disse que me amava,
para me fazer feliz
 
De vez em quando sou trapezista
De vez em quando sou colombina
De vez em quando sou artista
De vez em quando sou sua amante
 
Fora o dia de hoje,
Nada sou para você.
 
(Neyde Noronha)
 
*****
 
 
 


Escrito por Belvedere às 13h47
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Quando as pessoas partem 
 
E as pessoas partem
tão inesperadamente,
sem nenhum sinal.
Fica apenas
 o sabor amargo
do não dito,
e a certeza plena
do nunca mais.
 
Belvedere
 
Quando uma pessoa se vai, inesperadamente, seja através da morte ou por voltas que a vida dá,  muitos se deparam com a consciência gritando em desespero: “Por que não disse o quanto era importante para mim? Por que me foi difícil elogiar aquela gravatinha borboleta que ele usava?Por que não disse a ela o  quanto era corajosa por cada mês aparecer com o cabelo de uma cor? Por que nos calamos e omitimos nosso bem querer?”
Sinto muito, mas não faço parte desse time. Sempre fui efusiva, de dizer “te amo” aos que realmente amo, elogiar as qualidades, e até os defeitos pequeninos das pessoas, defeitos esses, que, no fundo, têm seu encanto.
Por isso, quando alguém se vai,  sempre estou em paz comigo mesma. Nunca sinto o remorso a corroer minhas entranhas. Fica, e forte,   uma saudade boa!
Sempre gostei de exercitar  o amor, nas suas  mais variadas nuanças .
Lembro-me de um fato ocorrido há muitos anos, quando eu ainda era uma  mocinha, cheia de sonhos com finais cinematográficos. Apaixonada por Edson Alvarenga, e não sendo correspondida, tive uma  briga feia com ele,  prometendo  a mim  e a todos os amigos  que jamais voltaria a olhá-lo. O mundo parecia que havia ruído, tamanha   a minha dor! Meus olhos viviam inchados  e eu a dizer : - Mil vezes a morte!
Os anos  passaram. Numa tarde de verão, caminhando no calçadão da praia, encontrei-o. Fiquei tão feliz  que não me contive e abracei-o, falando  da minha saudade.   Vibrava com o encontro!   Havia, ainda, amor dentro de mim, porém  diferente, mais amadurecido,  sem possessividade   Fiquei em estado de graça com a felicidade do amado. Como estava belo, risonho como nos velhos tempos!  Havia  casado e tinha um casal de filhos, me contou cheio de orgulho. Fiquei absurdamente feliz com a felicidade dele.
Poucos meses depois,  soube da partida de Edson, vitimado por uma terrível forma de leucemia, aos vinte e cinco anos.
Fiquei em paz. Na minha concepção,  partira com as asas íntegras, pois eu não as havia ferido naquele último  e inesquecível encontro na orla.
 
 


Escrito por Belvedere às 22h33
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Um poeta se foi
 
A  Jose  Antônio Gonçalves - jAG
 
Belvedere
 
 
 
Tive todo tempo
para te dizer
das belezas que tuas letras
traziam. E disse.
Tive tempo, e louvei, em risos alegres,
 tua gentileza, afeto, inteligência,
 disponibilidade em doar-se em plenitude.
 
 
Certa vez, numa dessas listas frias,
onde ninguém  lê ninguém,
num puro desfile narcísico,
te enviei um: " Que preciosas letras"!
De ti, recebi : " Tua voz é sol em meio
a geleiras..."
 
Eras  simples como o vento,
a chuva, o mar, o ar...
 Belo como a  própria natureza,
 que sempre reverenciaste.
 
Não choro.  Apenas sutilmente
me abraço às  tuas letras...


Escrito por Belvedere às 18h50
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