EXPLICANDO O AMOR
Há séculos, escritores, poetas, sábios, religiosos, analfabetos, leigos, ateus e ignorantes, vêm tentando explicar o amor. O que amor é, o que o amor não é e o que o amor deveria ser. Afinal, será que existe mesmo uma explicação para o amor, que agrade a todos, ou o amor é algo que depende exclusivamente do conceito de cada um, em determinados momentos ?
Pode-se dizer que o mais cruel e sanguinário bandido não ama, ou, se ama, que ama errado ? Quem ama certo ? Aliás, quem pode amar certo e quem pode amar errado ? Só podem amar certo aqueles que acreditam em Deus ? Só podem amar errado aqueles que acreditam no diabo ?
O amor é como a lua: um imenso deserto, árido, cinzento, feio para o nosso gosto, sem água e oxigênio, que cada um nele coloca o que bem entende, até torná-lo bonito, como seria aquele satélite, na fértil imaginação dos sonhadores. Pronto, acabei dando outra explicação para o amor !
Porém, não é isso que eu quero. Não quero saber se o amor é o mais nobre dos sentimentos, ou se é o mais forte, o suficiente para se sobrepor aos demais sentimentos, principalmente os ditos negativos, como medo, ódio, raiva, inveja e ciúme. Quem me garante que estes sentimentos negativos não contêm, em si, uma certa dose de amor ?
Vejamos o ciúme. Não se diz, ou não se tolera o ciúme, como sendo algo próprio de quem ama, desde que alimentado sem excessos ? Então, amor e ciúme, mais do que andar de mãos dadas, são farinha do mesmo saco. E, se são farinha do mesmo saco, então, o amor também tem o seu componente negativo.
Na verdade, o que eu quero, é que o amor, assim como a lua, continuem sendo exatamente como são: uma fonte permanente e inesgotável, onde escritores e poetas vão matar sua sede de inspiração, na busca de temas para os seus textos em prosa e verso, a exemplo do que fiz aqui.
Romeu Prisco
"O poeta só sobrevive quando está doente d'alma e solitário, estados que o deixam, paradoxalmente, em perfeita saúde poética" (Romeu Prisco).
Escrito por Belvedere às 22h37
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Para minha Mãe
(25/01/2004)
© Dalva Agne Lynch
Perdoa-me, Mãe, de onde me olhas
E sei que me olhas
Porque acabo de aprender
Com meu vazio e silêncio
O que te foi morrer no vazio
E no silêncio...
Quisera poder levar-te rosas
Grandes rosas brancas
Ao solo estranho onde descansas!
Mas não sei onde descansas
E nem mesmo sei se descansas!
Dize-me, Mãe
Há descanso de onde me olhas?
Há descanso do vazio e do vácuo?
Se há, Mãezinha, por favor
Prepara-me outra vez o berço!
E enquanto me esperas
Canta-me suavemente
Eu quero tanto
Poder descansar...
Schlaf kinderlech, schlaf...
Schlaf kinderlech, schlaf...
Escrito por Belvedere às 21h28
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