Sarau da Belvedere


MUITO MAIS ALÉM

Maria Teresa Albani
 (Maytê)



A dimensão
do meu amor
eu  bem sei;

 quando te toco
vou mais além
  da carne que  excita
o ventre que te abriga;

muito mais além
da boca que me sorve
a essência
e regurgita vida;


é minh'alma
 quem repousa
e levita...
Quando vens...


e ficas!
Eternizado,
dentro de mim.
26.07.2002

 



Escrito por Belvedere às 23h34
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ARMINDA
Elane Tomich
(homenagem às  Benzedeiras dos Vales Mucuri e Jequitinhonha)
 
A cacunda carcomida
 curvado, o olhar olha o chão
a pisotear desenganos
 acertos sim, lá estão,
ao contrário do engano
desengano  desdobra a vida.
 
_Ave Maria, menina
que menina foi Maria
 mulher em precoce lua
onde em  copos de água fria
pôs-se a lavar quebrantos
 e mandou pra todo canto
ao Pai Nosso dos encantos
aquilo de nome  sina
ao avesso, escolha tua.
 
Livra de todo mal
essa força feminina
prostração tão sem ajuda
secando galho de arruda
Anjo Pai, aumente a mina
da alvura das salinas
sal grosso, erva do quintal.
 
De pronto  a vida  apronta
 menina tu estás pronta
é só fazer o caminho
a cada passo e ferida
  calo no pé não conta,
 conta a mesura do ninho
 o cheiro do teu carinho
 aquilo que a mulher dá conta
no  bilro, rendando a vida!
 
Não cobro, não dou desconto
 que vivi mais de cem anos
 pra frente mais cem ainda
sei das noites os mil contos
desengano não é engano
 ou não chamo  Arminda!


Escrito por Belvedere às 19h06
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Insalubridade bancária
Giovana Damaceno

 

Vou direto ao assunto: fila de banco pode ser considerado um ambiente insalubre. E quem as freqüenta diariamente por imposição da necessidade está exposto a uma infinidade de microorganismos. Haja saúde para suportar!

Pego a ponta da fila e observo tudo à minha volta. Do lado de fora, um calor de mais de 30º. Do lado de dentro, ar condicionado, tudo fechado. A fila para os caixas, como sempre, está maior do que o espaço determinado para ela. Sem contar os que esperam para ser atendidos na gerência. Gente, muita gente.

As pessoas vêm lá de fora esbaforidas, suadas, cansadas do sol inclemente. São elas que dão ao ar bancário aquele odor de tudo um pouco. Azedo, quase pútrido; mofo; perfumado em excesso; ausência de higiene básica. Aos que trazem alguma fragrância, também há diversidade delas: doces, ácidas, suaves, fortes, fortíssimas. As reações, claro, são imediatas. A primeira é o indefectível espirro - ou uma sessão deles. Afinal, não há rinite que agüente tamanha variedade de cheiros por mais de 30 segundos.

Outros apenas fungam. E como fungam. O pior é quando fazem isso no seu cangote. Aliás, difícil saber o que é pior, porque há ainda os acessos de tosse. Desde um inocente pigarro (será mesmo?) até as crises possivelmente atribuídas a uma forte gripe. Há as tosses discretas, de cabeça baixa, e as mais escandalosas, trazidas lá do fundo do pulmão. Tudo isso num salãozinho apertado, onde aquele ar condicionado não dá conta.

No meio desta profusão de vírus, ecoa o som de um celular chamando. E a surpresa é geral com a execução da versão digital de Festa no Apê, do bailarino e dublê de cantor/compositor, Latino. Dá aquela vontade de rir, misturada com vontade de soltar um "ninguém merece"... E a moça, coitada, morrendo de vergonha porque não consegue encontrar o telefone dentro da bolsa.

A fila não anda, o calor incomoda, alguns se abanam com suas contas a pagar. A maioria já começa a demonstrar os primeiros sinais de esgotamento. E este já é outro fator de insalubridade. Estresse, irritação e mau humor são de fácil contágio, principalmente em fila, de qualquer lugar ou natureza. E vira bola de neve. Quanto mais se irritam, mais tossem, mais espirram, mais fungam. Quanto mais tossem, espirram e fungam, mais se irritam. Em meia hora de fila (e isto é o mínimo imaginável), os riscos de contaminação são inúmeros. Por vírus, bactérias ou estados de ânimo.

Pelo menos para não me expor à contaminação pelo vírus do estresse, puxo da bolsa um livro de Fernando Sabino - Deixa o Alfredo falar! Meu marcador me presenteia com uma crônica de 16 páginas sobre Londres. Que passeio, que viagem! Frio, neve, sobretudo e guarda-chuva. Algo melhor e mais aprazível para se ler numa ocasião como esta? Enfim, termino minha leitura faltando três pessoas antes da minha vez. Chego ao caixa mais leve, calma e relaxada, como se estivesse acabado de descer do avião, de volta ao Brasil.

 

 


 


Escrito por Belvedere às 22h31
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Incompletude humana


Luiz Maia


O destino de cada ser humano é a incompletude essencial. Há dentro de todos nós uma eterna insatisfação com aquilo que temos, com tudo o que somos. E assim o homem segue sua existência amealhando desejos que não se realizam, expectativas não satisfeitas, aspirações difíceis de serem alcançadas, fatores que o farão sentir-se frustrado.
O homem comum, na sua ânsia de "ter", geralmente esquece que o "ser" é que o conduzirá por caminhos que contribuirão para o seu crescimento moral e espiritual. Enquanto buscamos apenas o "ter", fazemo-nos seres menores do que já somos.
Queremos saúde. Todos nós necessitamos de muita saúde para viver. Mas aí entendemos de querer muito mais. Queremos um corpo saudável, aparentando menos que a idade real. Se possível bronzeado, bem torneado, modelado, nem que para isso percamos dias e horas nas academias e clínicas de massagens. Às vezes recorremos às cirurgias estéticas por não estarmos satisfeitos conosco. Descobrimos, então, que só saúde apenas não basta.
Queremos dinheiro. Todo ser humano carece de dinheiro para suprir as suas necessidades básicas diárias. Mas aí entendemos de querer muito mais. Queremos aquele dinheirinho que não sirva apenas para a sobrevivência, mas que dê para comprar aquela casa de praia, um belo sítio no campo, o carro esporte último modelo, as roupas de grife, que possam realçar a nossa aparência, além de termos sempre à mão passagens aéreas, visando nossas sagradas viagens de férias. Tudo isso, claro, sem esquecer de privilegiar aquela poupança, pensando no dia de amanhã. Descobrimos, então, que só dinheiro apenas não basta.
Queremos amar. Sem amor é impossível sobreviver neste mundo. Todo ser humano precisa dar e receber amor. O mais insensível dos homens almeja ser amado um dia. Somos todos carentes desse sentimento nobre. Mas aí entendemos de querer muito mais. E buscamos uma mulher que nos entenda, que nos ofereça incansáveis carinhos e sempre que quisermos faça amor conosco. E, nos seus dias de exaustão, que ela possa igualmente fazer sexo sem amor, por ser uma forma generosa de amar também.
E queremos amar muito mais. Já que é preciso e necessário amar a vida, amar as pessoas, a humanidade e todas as formas de vida. Queremos, sobretudo, nos sentir plenamente amados. Descobrimos, então, que só amar apenas não basta.
Queremos ser felizes. O ser humano veio ao mundo para ser feliz, pois essa é a sua realização maior. O homem que vem ao mundo e não é feliz não merecia ter vindo. E o homem que busca ser bom, solidário e ama ao próximo passa a ser feliz. Muitas vezes é preciso ver a felicidade estampada na face do outro para nos sentirmos felizes.
Mas aí entendemos de querer muito mais. Então o homem tenta, desesperadamente, sentir-se feliz mergulhando na escuridão das drogas, buscando nas amizades fúteis algo que lhe dê a tão propalada felicidade plena. Em busca da felicidade, o homem fraco começa a apostar em valores duvidosos, e já não crê que possa ser feliz.
A partir daí, a possível felicidade tende a fugir-lhe por entre os dedos. Então o homem encontra-se envolvido num emaranhado de erros e de fartas ilusões, caminho largo para inúmeras reflexões. Descobrimos, então, que ser só feliz apenas não basta.

Fraternalmente,
Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/    
msn: luizmaia1@hotmail.com    


Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".


"Não entendo a vida sem os gestos de carinho entre pessoas
que se querem bem, muito menos sem as necessárias atitudes e ações
solidárias vindas até mesmo de pessoas que nunca
se viram antes."
(Luiz Maia)
 


 
 
 
 
 




 



Escrito por Belvedere às 14h16
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MARÉ VAZIA

Eu sempre chorei
mas lágrimas näo havia...

Depois ancorei
e tanto, tanto sonhei
naquela maré vazia...


REMADOR

Sou um remador
passei a vida a sonhar
cada vez mais longe...

Repousou o teu olhar
na palma da minha mäo!


CADENTES

As flores que caíram
vieram do firmamento...

Säo fontes, säo águas...

Apagam todas as mágoas,
renovam o pensamento!


Valência, Dezembro de 2004

joaquim evónio

 


Escrito por Belvedere às 14h06
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In memorian
bette vittorino


Quando o conheci minha vida transformou-se numa roda-viva. O sol brilhava com mais intensidade, não importava a hora, havia até sol à meia-noite. Nossos dias eram de total felicidade. O tempo parecia pouco pra tudo que queríamos fazer e dizer um ao outro...
A lua chegava mansa e cobria com seus raios prateados  nossos corpos jogados sob os lençóis. Rolávamos entre abraços e amassos vivendo o mais lindo êxtase. Quando amanhecia bastávamos cerrar as cortinas para que a lua voltasse a lançar sua magia sobre nós...
O universo se tornou pequeno para abrigar nosso amor. Vivíamos a plenitude do amor total!
Mas o mundo cruel, com inveja daquele sentimento lindo, resolveu intervir com sua navalha, e, num átimo, tirou a nossa felicidade...
Quando ouvi o som da campainha da porta principal de nossa casa, meu coração pressentiu que algo ruim havida acontecido, e, a passos lentos, segui até abri-la,  para atrasar aquele terrível momento, e, pelo rosto do policial, vi ruir o nosso paraíso.
Não existia volta...
Veio o funeral. Os amigos saindo, e eu  ficando só.
Era o adeus final!
O momento de poder dizer a você, ali, sob a terra, o quanto ainda te amava, do sofrimento que o destino me infringia, dilacerando a minha carne, e, principalmente, da raiva que estava sentindo por você ter me deixado assim...
Sem os seus beijos, seus carinhos, sem o seu amor. Naquele momento, não tinha consciência do meu egoísmo.
Hoje, depois de tanto tempo, talvez uma eternidade, ainda sinto a sua presença em todas as coisas que tocaste. Por mais que eu queira trocar os móveis, a decoração, até quem sabe, sair do país, nada mudaria. Nunca poderia  esquecer o que vivemos.
As verdadeiras lembranças e a sua memória pra sempre ficarão marcadas em mim.
Não importa se algum dia voltarei a amar outra pessoa... A verdade é que sempre saberei que você foi alguém muito importante em minha vida.
Com amor...


JFora - MG
08/01/2004



Escrito por Belvedere às 21h42
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Um diálogo de luz!!!!!!!!

A importância das pessoas na minha vida é essa, o grande relacionamento que tem com grandes nomes e eu vejo como sucesso. Está aí minha querida amiga. Me envie o seu endereço residencial ou caixa postal do correio ou endereço do trabalho que te envio via correio e registrada ainda por cima só como garantia. Estou feliz por você. Te adoro muito. Eu Eddyr o Guerreiro super encantado. Beijos grandes... beijos gigantescos... beijos sei lá mais o que, mas são beijos partindo de meu coração por saber que você está muito feliz. Eu também. -  Reportagem scaneada e sguindo em anexo.

Belvedere escreveu:
Vc enviou para o terra que deveria estar desativado mas continuam a manter a caixa. Jura que viu?????? Escrevi ao Artur perguntando. Deus meu seria maravilhoso. me confirma que viu. Não consegue o jornal para mim??????

 
Grande e querida Belvedere, no dia 13 sexta-feira passada próxima, li uma entrevista concedida a você do Artur da Távola na página do caderno O Dia D, do Jornal O dia e queria repassar para os grupos que pertenço mostrando o seu trabalho. Entrei na página do Jornal o Dia Online, e busquei do dia 13 para baixo e não encontrei. Você a tem em arquivo? Se me conceder o direito de repassá-la, eu agradeço. Um grande e forte abraço. Eu Eddyr



Escrito por Belvedere às 20h06
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Desabafo
Tania Lemke

Passado o primeiro ato deste cotidiano massacrante,
Olho e nada vejo além de enganos e erros.
Erros que não pretendo cometer novamente!
Se for preciso abrir mão de tudo
Para manter minha integridade, abrirei.
Nego-me a continuar fazendo parte desta hipocrisia coletiva,
Da absurda correria atrás de ouro e benefícios tolos e egoístas,
Atropelando sentimentos, pensamentos, convicções
Adquiridas por uma educação correta e integra!
Recebendo promessas de favores,
Tripudiando ética, corrompendo estética.
Enganos ainda cometo e vou cometê-los por ser crédula.
Crente e cega às maquiavélicas artimanhas humanas
Que me são impostas no dia a dia,
Infantilmente ainda iludida sobre as tão “boas intenções”.
Acredito no bem até que me provem o contrário
Mas o bem não é necessariamente o que vejo ao meu redor!
Não compactuo com o cinismo envolvente,
Não absorvo a sedução abusiva imposta por uma sociedade
Consumista e egocêntrica.
Passado este primeiro ato,
Almejo por um segundo, um terceiro,
Quantos enfim ainda me aguardam e me forem concedidos.
Atos de uma vida que ainda clama por um mundo melhor
Por justiça, sensatez, verdade,
Por olhares que se cruzem e se respeitem.
Quero orgulhar-me do que vejo em frente ao espelho!
Quero orgulhar-me de ser humana!
Ser humana! Ser Humano! Ser humano dito civilizado!
Talvez sendo menos humana
Fosse mais coerente com o que sinto a respeito da vida.
Minha comédia talvez fosse melhor interpretada
Se meu palco fosse outro, num tempo espaço maior...
Junto às araras azuis, aos guaxinins, aos sapos bois!
Junto à Natureza sábia que só cometeu um equivoco:
Nos colocou aqui neste planeta lindo, Terra.
Quero mais baleias e golfinhos e menos civilizados!
Quem sabe em outra dimensão eu possa ser mais incivilizada
Menos humana e mais animal...
Seja eremita, indígena ou uma águia voando altiva e livre!
Num segundo, terceiro, quarto ato de minha vida...
Quero voar, em liberdade!



Escrito por Belvedere às 12h28
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CRISTINA PIRES

Lathoy, aos 25 de Maio de 2004
 
 
    Caro amigo,
 
    Acabei de receber o seu livro. Agradeço, desde já, esse seu gesto tão amável, como a sua preocupação em saber deste meu estado letárgico.
 
De momento, nada mudou! A vida segue o mesmo rumo aquando da nossa última conversa que, decerto, recordará. Continuo enclausurada no vazio de uma paisagem que, agora, acho insípida, descorada. Outrora, os seus verdes glória, os pastos a perder de vista, apascentavam-me a alma. A folha branca em que, sempre, me refugiei na pureza da sua alvura, já não me acolhe. As portas desse refúgio estancaram-se; assim como os brancos muros que, antes, me protegiam, desvaneceram. Essa folha que, sempre, me serviu de lar... não! Seria próprio dizer: de confessionário, cerrou as cortinas, e o castigo torna-se pungente.
 
 Agora, desta pena, saem versos negros, gris... carmins! As vagas, agitadas, elevam-se dos confins do âmago e deitam-se em papeis sofridos; esta tinta que camufla amores contidos, desvairados, enraizados nos meus jardins, são esboços azedos trocados por parcos centavos. Como me pesa este silêncio!
 
 Estranhará, com certeza, a aspereza do papel em que lhe escrevo, tão breves linhas. A razão, meu caro, é válida. Fi-lo para ouvir o arrastar da pena; ouvir o seu ínfimo gemer que escorre por entre os espaços brancos desta folha e, assim, matar um pouco o que me atormenta.
  
A vida, os passos agitados dos transeuntes, as luzes...  A cidade chama-me, meu caro. Decidi, pois, voltar à algazarra do passado. Deixar esta casa, para sempre, ou, talvez, até que a minha inspiração retorne.
           
Neste momento em que lhe escrevo, oiço o tímido pipilar dos pardais pousados nos ramos das cerejeiras do meu quintal, o roçar do vento nas pesadas cortinas de veludo verde que impedem o sol de adentrar no salão. É a hora da sesta. O tempo dorme ; menos as cigarras que me fazem companhia. O tempo! Ah, o tempo! como escorre por entre os meus dedos! Teria que me isolar nas ruas calcetadas de burburinhos,  num café mundano, ou numa das "brasseries" da cidade, para conseguir levar a bom porto o meu batel desgovernado. Estas ondas agitadas onde naufrago, estas brumas que me cegam, impedem-me de terminar o desafio que me alvitrou, e que, eu, vivamente, aceitei... ali, está, num canto, tão perdido quanto eu.

E invadem-me as lembranças das nossas longas conversas, noite afora, o seu claro desejo de abandonar a cidade, e refugiar-se no manto traidor da tão almejada calmaria. Não o invejo! O canto dos grilos, que escorre pelos muros nocturnos desta casa, ecoa na minha mente e aflige-me. Torna-se insuportável, ouvir na madrugada, esses lamentos trajados de azeviche. Talvez seja a angústia, a falta que eu tenho de voltar a refugiar-me numa alva folha de papel. Sem ela sinto-me perdida, órfã... uma maltrapilha sem destino. Os risos sibilantes das crianças já nem se abeiram ao peitoril do meu seio, tão receosos se devem sentir ao ver a amargura estampada no meu rosto.
   
Faltam-me os dias e os céus plúmbeos, melancólicos; falta-me o frio da noite e o aconchego das minhas magras letras. Faltam-me os meus longos passeios pelos trilhos do espírito; as horas em que eu escrevia, sem pena nem tinteiro, nos prados verdejantes, nas montanhas, nos galhos secos das árvores, na frágil corrente dos riachos. Tanta falta que me fazem esses passeios!... Sinto-me, fisicamente, miserável, os braços cansados de suportar o peso deste marasmo.
 
    Falou-me dos seus apertos, dos seus desalentos... Se pudesse saber dos meus!...
 
    Não o amofino mais com os meus dissabores. Por ora, afronto este sol fulgente que me seca a nascente, que me inquieta, e deixo-me levar pela correnteza do passar das horas, até que a inspiração volte com os meus atros e invernosos dias.
 
 
    Sempre sua,
 
Cristina
 
 


Escrito por Belvedere às 18h54
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 Tinha 27 anos, era stripteaser e seropositiva, revoltada por não poder ser mãe. Pediu-me um poema para a encorajar. No dia seguinte, quando voltei, tinha desaparecido. Penso que nunca irá lê-lo.
 
 

O corpo e a alma

 

Para a Susana

 

Harmonia sedas crepes e sonhos

em pontas de pés e braços alados

és poalha de luz envolta em chamas

tão leve como as asas mais brancas

sob os lagos imortais dos teus olhos

 

Ao despir as penas das tuas mágoas

na sublime nostalgia dos gestos

só alma se vê inocente e pura

voo d’amor    sorriso d’esperança

 

                                                                    joaquim evónio

 



Escrito por Belvedere às 18h43
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