HELENA ARMOND opina sobre minha crônica FAMA
vendo aqui como vc trabalha em poucas palavras mas numa malha fina sobre "esforços e facilidade " para o sucesso... imaginamos detalhes implícitos de cada carater
é muito muito bom o que vc escreve...! parabéns
beijo pra vc
helena
Escrito por Belvedere às 22h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Ávida de vida
Maricell
De tanto ficar sozinha A solidão teve fim Pobre solidão... Queria que eu a beijasse Que a abraçasse E a unisse para sempre junto a mim.
Mas como abraçar-me à solidão Se lá fora o mundo ardia em vida Se a alegria tramava sonhos Se as estrelas eram flores A enfeitar o céu? Se o vento descortinava estradas de belezas E a natureza forrava de cores Os poentes e as auroras Se dos arco-íris escorriam aquarelas Multicolorindo o entardecer? Se as dores depressa desvaneciam E o amor acontecia Ao som de bandolins? Se o perfume das madrugadas Circulava em minhas veias Fazendo em meu coração nascer jardins? Perdoa-me, solidão Se te deixei morrer sozinha Quando estavas junto a mim Eras sombras em meus dias Mas lá fora havia luz Havia sol Havia vida Havia gente feliz. E eu... Ávida de vida Não te quis... Maricell / setembro/2005
Escrito por Belvedere às 12h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Do anarquista russo do século 19, Mikhail Bakunin (1814-1876):
"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana
Escrito por Belvedere às 09h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Cântico de Eurídice
Maricell
Nada poderá me separar de ti, Orfeu Nem os céus, nem a terra Nem os abismos soluçantes Onde a solidão faz morada. Nem o espaço, o tempo, o vento Nem o cansaço da eternidade. Nem mesmo as chamas do inferno A fúria dos ventos Ou o gritar das ondas em tempestade. Nem a fúria dos deuses Ou as vozes das sereias Buscando te arrancar de mim. Nem mesmo tua ausência Pois a presença estará sempre Presente na saudade... Nem mesmo o fim Pois serás sempre recomeço Eterno retorno Imortalidade. Maricell - agosto/2005
Escrito por Belvedere às 17h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Meia inteira
Rosa Pena
Este nosso amor, feito de meias palavras, frases nunca inteiras. Loucuras, besteiras. Meia ida, volta e meia. Volver. Vou ver? Pago! Meia-noite. Lua cheia. Meia taça de vinho. Afrouxas o colarinho. Sussurras: -Querida. Grito: -Atrevido! Murmúrios em sustenidos. No chão, nossas meias. Aplaudimos: - Grande cupido!
2004
www.rosapena.recantodasletras.com.br
Escrito por Belvedere às 10h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Crônica 13 - Pastorelli
Muito já se disse da palavra...
Nela está contido um mundo de imagem que sobreposta lado a lado, nos desvenda as surreais situações quase sempre praticáveis.
Sua integridade se faz presente nos espaços preenchidos de abstratas imagens que o poeta delineia tão bem no poema.
Gosto da palavra, apesar da dificuldade em empregá-la corretamente e com liberdade, mesmo que venha me ferir acidamente.
É um mundo de mistérios e resvalos perigosos que leva ao suicídio poético da palavra.
Há momentos que ela pede explicação, mas como explicar o que se escreve e o que se deseja expressar?
É necessário dosar com condimento sensível seu poder e não se enveredar na futilidade dos seus encantos.
O desavisado cujo poder de percepção é limitado, poucas vezes seu sentido será captado, tanto o comum como o incomum, e se perde na total liberdade de escolha de sentir o som ou o vazio da palavra.
O desafortunado não investiga, não porque talvez não queira, mas por não ser hábito de um direcionamento perspicaz dos mistérios que habitam na palavra.
Ele se perde na beleza dos dias e noites prenhes de sóis.
Há na palavra um oferecimento de tempo e espaço pra que se liberte as mudas potências em meio as palavras que noz conduz à senti-las.
(Crônica inspirada no poema: “leituras”, de Adair Carvalhais Júnior, postado numa Quarta-feira, 18 de agosto de 1.999, às 22:34)
Escrito por Belvedere às 21h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
RAINBOW´S CHRONICLES
(01)
COMO UM RELÂMPAGO RASGANDO A NOITE
por Antonio Naud Júnior (*)
da Floresta Negra (Alemanha)
Escrito por Belvedere às 12h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Nunca se deve lamentar o que acabou, ensaio, convicto, ao atravessar a infinita clareira no alto da montanha, sob um céu cinzento, sombrio, muito próximo, iluminado subitamente por relâmpagos e raios. A pertinência de viver intensamente o presente, sem nostalgia ou sofrimento, é um eterno renascer. Assim, lúcido, desfruto as últimas noites do Rainbow Alemanha. Diante dos olhos confusos, a abstrata inexistência, um vazio sólido, o desatino sem salvação movendo-se dentro do noturno. Os repetidos rasgões de luz esmagam a razão, abrindo precipícios n’alma. É uma dessas ocasiões impossíveis de traduzir em palavras o que sentimos. Diminuo os passos, abençoado pela chuva gélida, atento às formas encantadas na escuridão, e então trilho a estrada úmida, salpicada por ramos espinhosos de framboesas maduras, em direção à selva de faias. Na entrada da mata, numa tenda, dois nórdicos grandalhões, saudáveis como lendários vikings, preparam o Tchai - um chá de gengibre, cardamomo, canela, cravo-da-índia, anis e algumas ervas secretas -, impregnando o ar de sensações misteriosas e a um forte odor de madeira aromática. Recuso gentilmente a bebida energética e o abrigo contra a chuva, insone no diálogo interior voluptuoso. Há neste instante uma inexplicável metamorfose animalesca no meu ser, penetrando-me cada vez mais fundo, com firmeza. Eu procuro manter-me sereno, não me desviando o mínimo que seja dos planos estabelecidos, mas posso rastejar feito réptil ou voar como um solitário falcão.
Escrito por Belvedere às 12h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
continuação
Atravesso a abertura entre árvores, escorregando gradualmente sobre folhas mortas até a barraca de cor violeta, camuflada no reino vegetal. Logo a tempestade repentina vai-se. Cato galhos para a fogueira, enquanto recordo um menino pernoitando numa fazenda de cacau. As chamas emolduravam o sorriso inocente. Era uma alma em busca de nada, tudo me pertencia, e a noite avançava, devorada pouco a pouco pela luz da aurora. Aprendi que a vida se constrói para além da nossa vontade. Que não caminhamos sobre terra firme. Que as minhas palavras fogem de mim para longe, mal são ditas, se separam. Que os corpos têm desejos infindáveis que desconhecemos e assustam muito. Que o amor que está dentro de nós deve ser doado. Distante da preciosa Bahia de Todos os Santos, sou parte do cenário da Floresta Negra, a Terra dos Nibelungos, no Sul da Alemanha, florescendo vales e montanhas de contos de fadas. Personifico um homem-lobo, um selvagem, o Knulp do Hermann Hesse; nu, sem abastecimento elétrico, água potável, televisão, celular, computador, automóvel, poluição e outros méritos fonte da indolência de muitos. Que alívio! Que triunfo de viver! Somando pessoas de quase cinquenta países, percebo uma Torre de Babel às avessas, pois parecem entender-se à perfeição. Mais de quatro mil criaturas vivem esta história comunitária com alma de Robin Hood. Freaks, hippies, alternativos, doidos mansos, artistas, religiosos, ativistas sociais e ambientais. Recusam uma vida urbana, mercenária e injusta, vivendo fraternalmente e em comunhão com a Natureza, repartindo o pão, comendo juntos com alegria e singeleza no coração. Nos tempos antigos, irmãos de conceitos idênticos foram perseguidos e massacrados. Caso dos Cátaros, da Irmandade do Livre Espírito, na Idade Média; dos Quilombos, refúgios de escravos rebeldes, que realçou a figura heróica do majestoso Zumbi dos Palmares.
Escrito por Belvedere às 12h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
O sistema local funciona de forma voluntária, com gente de boa disposição revezando-se na cozinha, servindo refeições, lavando tachos, preparando a fogueira e ensinando o que sabe fazer melhor. Não se come carne, não se bebe álcool e a única droga tolerada é o haxixe. Minto, fumamos tabaco Golden Virginia e tomamos café em excesso. Dezenas de artistas circenses, amadores, animam a festa pagã: acrobatas, palhaços, saltimbancos, malabaristas, dançarinos, cuspidores de fogo, pernas-de-pau. Na nervura dos troncos, na terra, no ar, borboletas, abelhas, caracóis, formigas, besouros, grilos, aranhas, joaninhas, lacraias e outros insetos não identificados. Flores-do-campo de diversas cores e tamanhos, girassóis, roseiras silvestres, cardos. Tudo é de um prazer irrepreensível, um deleite para os olhos. A solidariedade expande uma tal fraternidade que deita por terra a arrogância e as ambições materiais, desperta o amor pelos seres, faz recear os atos prejudiciais e incentiva a alegria. Justamente o que precisamos nesta existência de almas mortas, religiosidade decadente, valores ultrapassados, depressão, corrupção e suicídio. O meu espírito goza a paz e o bem-estar, dorme tranquilo. No doce sopro da noite submeto-me aos presságios. São lugares como esse, momentos assim que amo acima de tudo. Sinto a esperança renascida ao ser tocado pelo silêncio e pela proximidade das coisas invisíveis. Um ligeiro arrepio percorre o meu corpo ao perguntar-me: “O que está para além? Para além da escuridão, da noite absoluta?”. Evitando as reflexões obscuras, presto homenagem a jóia do pensamento sublime ao escrever versos:
Escrito por Belvedere às 12h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
continuação
Que temo eu na noite profunda?
Eu sou uma parte da febril fábula
muitas vezes contada
à beira da fogueira.
Eu sou uma parte da Floresta Encantada,
do reino da vertigem,
da Terra de Holderlin.
Escrito por Belvedere às 12h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
continuação
Tempo transformador!
Tempo encantador!
Pouco a pouco, as brasas, os cogumelos, as faias,
as estrelas cadentes, os raios e os trovões
são o alvo natural dos olhos.
O que vejo na escuridão?
Quem aguardo?
O que espero?
Eu sou uma parte do suspiro dos Invisíveis.
Magia de viver!
Magia de ser!
Cai a noite alucinógena.
Nibelungos sopram profecias.
Sussurros ao vento.
O pássaro da Lua, louco,
rodopia no infinito três vezes
mergulhando num voo cego
na paisagem interior.
Que temo eu na noite profunda?
Escrito por Belvedere às 12h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
As chamas da fogueira acentuam a intensidade do paraíso. As pedras, a relva, as folhas e os troncos iluminados parecem estranhamente brilhantes ou serenamente escuros. De uma fresta na copa das árvores, finalmente vejo estrelas. A existência inquestionável, imutável. Guardo na memória a luz, as sombras, a dança das folhas ao vento. Movo-me em silêncio e na maior discrição, como os felinos, que assim conseguem o que têm em vista. É tudo inteiramente conhecido e inteiramente novo. Como um relâmpago rasgando a noite, comungo o ardente sentimento de navegar ainda mais longe nas águas da solidão. Durante todos estes anos tenho vivido para a compreensão de todos os seres e de todas as coisas. Não o sabia, e agora sei-o. Sei! E em mim, além dos anos imaturos, descubro uma plenitude imensa já modelada e em crescimento. Sorrindo, deito o corpo desnudo no chão de terra batida, ao lado da fogueira, confiando no destino. O mais leve movimento faz-me cair numa semi-inconsciência. É um feitiço demasiado difícil de quebrar.
Agosto de 2005
(*) Autor de “Se um Viajante numa Espanha de Lorca”. Peregrina há algum tempo por Alemanha, Itália e Áustria.
Escrito por Belvedere às 12h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
continuação
RAINBOW´S CHRONICLES
01. Como um Relâmpago Rasgando a Noite;
02. A Encruzilhada dos Destinos;
03. O Chapéu Mágico;
04. La Giornata d’uno Inesistente;
05. La Terra Vista dalla Luna.
POEMAS
01. Nibelungos;
02. Viagem a Itália.
Escrito por Belvedere às 12h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Democratização da macaquice
( Rosane Villela )
Há algum tempo venho reparando nas pessoas, quando estou a caminhar pelas ruas. E, se quando o faço, estou de espírito jovial e arteiro, consigo retornar para casa com uma coleção de umas cento e trinta a cento e quarenta dúzias de trejeitos que folgam mais ainda o meu dia. Hoje, foi um deles. E tudo por conta dos macacos.
Não pensem que estou a chamar os humanos assim. Trata-se do bicho mesmo, o macaco, nome comum a todos os símios, e, estes, nesta manhã, pululavam em pencas no Jardim Botânico por conta, acho eu, de uma belíssima exposição de orquídeas que estava ocorrendo por lá.
Nunca pensei que macacos gostassem de orquídeas, mas eu, que tenho praticado as minhas caminhadas nesta reserva florestal há mais de quinze anos, e jamais tinha visto tamanha abundância se exibindo, acrescentei-me esta certeza. Você há de convir que, apesar de não serem realmente o número principal do dia, em razão da exuberância das cores, formatos e tamanhos que as orquídeas nos presenteavam — excluindo, assim, qualquer chance de desvio do nosso olhar — , uns quinze macacos, todavia, unidos e pipocando por perto, é, no mínimo, um bom lugar no ranking de nossa atenção.
As orquídeas de um lado, os macacos do outro. E nós, no meio. Ingênuos e alegres bípedes mortais.
Ver a macaquice sem distinção de espécie, foi algo de que nunca me esquecerei. Devo ter colecionado mais caretas e brejeirice do que em um ano de pesquisa andarilha, com a vantagem de observar o apetite da solidariedade da
comunicação de ambos os lados e o respeito à postura proveniente dela, qualquer que ela fosse.
Que venha a democratização da macaquice para o bem da humanidade. Nós merecemos e as orquídeas também.
Escrito por Belvedere às 12h10
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
RODAPÉ/ Ponto de vista crítico
Rinaldo de Fernandes
As estrelas de Marilia Arnaud
A ficção adulta feita com protagonista adolescente é sempre muito difícil, sobretudo se o adolescente é o próprio narrador da história. Tudo tem que ser bem recortado, medido, para evitar a confusão com a ficção infanto-juvenil. Em O livro dos afetos (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005), Marilia Arnaud produziu uma peça de alto valor literário. Diria, até mesmo, tratar-se de uma pequena obra-prima do conto contemporâneo. Falo de “Nem as estrelas são para sempre”, de cara aplaudido pelo orelhista do livro, o competente Luiz Ruffato. Narrado do ponto de vista de um garoto de treze anos, o conto traduz o temperamento de alguém tomado por uma tristeza terrível, decorrente, por um lado, pelo sofrimento da mãe moribunda e, por outro, pelo pavor que lhe provoca a figura paterna. Um pai rigoroso, ríspido, reservado: “Não sei se é possível um pai não gostar nem um pouco de um filho”. Um conto sobre relações humanas difíceis, danosas ao indivíduo, mas inteiramente insufladas pelos próprios códigos familiares. É no silêncio que o garoto – “apático” para o pai, um corretor de imóveis – tece sua tristeza, narrando para tentar compreender o que se passa em torno dele, ou entre ele, a mãe cancerosa, o pai perverso e a tia dedicada (veio, com a doença da irmã, para ajudar a família). Tudo para o garoto, no que se refere à mãe, ao pai e à tia (sobretudo a estes dois últimos), é cisma, suspeita. Tudo intolerável de tão insondável. O dia mais triste para o garoto é aquele em que descobre que o pai tem um caso com a tia: “Meu pai tentava abraçá-la, mas ela o empurrava e balançava a cabeça, sem falar nada. Ele dizia não ter culpa, que aquelas coisas, obra e graça do destino, aconteciam, que não podia mais viver sem ela, sem seu amor, que o que estava sentindo era mais forte que ele, e que Mamãe não precisava ficar sabendo, que não iria saber nunca, que ela, Tia Corina, podia confiar nele”. O garoto avalia o tempo todo, através de uma voz tensa, todos os truques de convivência dos membros da família. Para ele, é muito pantanoso o mundo dos adultos – e padece por isso. Pena por não entender as coisas como elas são. Interroga-as, mas, impotente, não alcança-as: “São tantos os porquês! Quero continuar acreditando que quando eu crescer vou ter todas as respostas que preciso, embora Mamãe, que é sabida demais, tenha me dito que isso não será possível, pois, à medida que a gente vai crescendo, e depois envelhecendo, algumas respostas vão dando o ar da sua graça, mas também outras interrogações, algumas maiores e mais difíceis, vão surgindo”. O garoto rola na existência como quem patina em pedregulhos. Sente, já forte, ferina, a dor de viver. Contudo, uma coisa parece precisa, palpável, para ele: “Esse porquê, da paixão secreta de meu pai por Tia Corina, é tão grande e perigoso quanto o da doença de Mamãe”. Eis a chave do conto. E que chave! Um texto magnífico, em que dor e desejo, dedicação e desconfiança tecem o principal da trama. Personagens assim, tão bem desenhados, densos e doloridos, linguagem elaborada, bem posta, fazem de Marilia Arnaud, sem sombra de dúvida, uma das melhores contistas do país.
Escrito por Belvedere às 20h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
EUTANÁSIA
Romeu Prisco
Vejam a matéria abaixo, publicada no sítio do provedor Terra, abordando novamente o assunto "eutanásia", desta feita tendo vista a situação de um garoto de apenas 4 anos de idade, que sobrevive, sem perspectivas de recuperação, a custa de aparelhos, que o pai pretende ver desligados, contra a vontade da mãe.
Diante de circunstância tão cruel, as pessoas reagem diferentemente, umas se colocando no lugar dos pais, outras de acordo com convicções religiosas, ou de acordo com a formação profissional, como médicos e advogados.
No que me diz respeito, poderia expor o meu ponto de vista como pai e/ou como advogado. Aliás, já o fiz em outra oportunidade, no caso Terri Schiavo. Todavia, aqui e independentemente da idade do paciente terminal, pretendo me manifestar como se estivesse no seu lugar. Mas precisamente: como se estivesse no seu lugar e se, de alguma forma, pudesse manifestar a minha vontade. Destarte, eu faria saber a todos:
"Desliguem os aparelhos e acabem com os meus sofrimentos e com os seus, se quiserem. Apelo à minha mãe. De nada adianta ver-me aqui, prostrado, inconsciente, sem qualquer perspectiva de recuperação, se não podemos desfrutar um do amor do outro.
Apelo aos médicos, para que, sem prejuízo do código de ética e de moral da profissão, façam o que diz o sábio ditado: "sedare dolorem, opus divinus est". Existe, sim, um meio de sedar a minha dor e de praticar a obra divina, que vocês bem sabem qual é: desligando os aparelhos.
Apelo aos religiosos. Quem lhes garante que Deus só fala através de vocês ? Quem lhes garante que Deus, agora, não está falando através de mim e daqueles que concordam com o desligamento dos aparelhos ? Quem lhes garante que Deus quer ver o meu sofrimento e o sofrimento daqueles que me rodeiam ? Afinal, não existe vida depois da morte ? Então, devolvam-me à vida !"
Apelo aos juízes para que, no julgamento do meu caso, ajam com a emoção da minha mãe, a razão do meu pai, o objetivo maior da medicina, não tentem se colocar no lugar de Deus e, acima de tudo, satisfaçam a minha última vontade."
Escrito por Belvedere às 12h49
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Canto do meu canto
Thiago de Mello
Escrevi no chão do outrora e agora me reconheço: pelas minhas cercanias passeio, mal me freqüento. Mas pelo pouco que sei de mim, de tudo que fiz, posso me ter por contente, cheguei a servir à vida, me valendo das palavras. Mas dito seja, de uma vez por todas, que nada faço por literatura, que nada tenho a ver com a história, mesmo concisa, das letras brasileiras. Meu compromisso é com a vida do homem, a quem trato de servir com a arte do poema. Sei que a poesia é um dom, nasceu comigo. Assim trabalho o meu verso, com buril, plaina, sintaxe. Não basta ser bom de ofício. Sem amor não se faz arte.
Trabalho que nem um mouro, estou sempre começando. Tudo dou, de ombros e braços, e muito de coração, na sombra da antemanhã, empurrando o batelão para o destino das águas. (O barco vai no banzeiro, meu destino no porão.)
Nada criei de novo. Nada acrescentei às forma tradicionais do verso. Quem sou eu para criar coisas novas, pôr no meu verso, Deus me livre, uma invenção.
Escrito por Belvedere às 09h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Comentário de Ana Suzuki
Ficou muito lindo o seu e-book de poesias.
De todas, me chamou muito à atenção aquela da página 23.
De fato, às vezes gostaríamos de matar a outra que existe em nós.
Ou até as outras, pois temos nossa personalidade e muitas subpersonalidades.
Quando uma delas assume o comando, deixamos de ser nós mesmas,
ou melhor, perdemos o controle de nossas vidas.
E aí é dureza!
Escrito por Belvedere às 09h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|