Sarau da Belvedere


Essa morte

Morte
Como a temo
Ainda assim
A busco

Morte
Lugar obscuro
Forte
Essa morte
Sempre vence

Morte
Encontrá-la
Abraçá-la
Rechaçá-la
Ao final haverá
Quem se importe?



http://members.tripod.com.br/maobranca/


Escrito por Belvedere às 15h50
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Indicação de livro: : “Melhores cronicas de ARS”    Globo

Escrito por Belvedere às 13h16
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DELICADAS, AS AMIZADES


Affonso Romano de Sant'Anna
 

"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?"

"Quanto de verdade suporta um amigo?"

"Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.

"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade
nossa com a verdade do amigo?"

São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.

Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável. Mas amizade, convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa que ela está aí para sempre. Mas não tem a durabilidade centenária das sequóias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima  de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.

A gente pensa que amizade é coisa só de seres humanos. Não é. Os animais curtem amizades; alguns, o amor, e outros chegam à paixão extrema por seus donos. E, no entanto, amigos, alguns cães se mordem, quase se arrancam as orelhas num ou noutro embate, às vezes por uma cadela no cio, às vezes por nada.

Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro  ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.

Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.

- Será assim a amizade?

Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor & amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando sem amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida".

Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?

Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.

Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas.

Está?

Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, um certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.

Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?

Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.

Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.

Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?

Um dia um ex-amigo me disse:

"No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir."

Tive de me proteger.

Quem, como José Martí, dirá que "cultivo â rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?

Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo.

Retornarão algum dia?

Nesse caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os rnesmos.

Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.

Qual o grau de resistência de uma amizade?

De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.

São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.


 


   
   








Escrito por Belvedere às 13h14
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O SENTIDO DA VIDA
 
Ah, se eu possuísse o dom, se eu tivesse o poder, se me fosse concedida a virtude própria dos puros, dos imaculados, a inculpabilidade dos inocentes, o direito de acordar para o sonho na renúncia legítima do pesadelo, a utopia não delirante do sonho possível e alcançável pela busca incessante da esperança que não desanima.
 
Ah, se eu soubesse ser muito mais energia do que força, muito mais espírito do que matéria, sem ser santo nem demônio. Ah, se eu pudesse ir buscar nos confins da cosmogonia a origem, a essência, o começo do princípio do tudo e do nada, a razão do ser e do não ser, a resposta ao imponderável da existência.
 
Como disse Olavo Bilac: "Há numa vida humana cem mil vidas, / Cabem num coração cem mil pecados." Eu usaria quantas vidas preciso fosse, deixando à morte o dever de contabilizá-las no seu rastro de dor, de pesar, de ruína, mas ressurgindo sempre com a força da fé que move corações que se pertencem. De vida em vida seria um ser buscante de uma causa maior que o próprio infinito.
 
Carregaria comigo meus pecados, pois fugir deles me tornaria mentiroso e vil, e a santidade jamais caberia neste corpo que, de imortal, só carrega sua alma. Alma, princípio de vida, vida que gera o amor, amor que me estimula, me impulsiona, me acende o caminho, as trilhas todas, separa  as pedras e me faz seguir.
 
Ah, se o tempo abrisse suas portas e me permitisse mergulhar na infinitude do imensurável espaço, arrastado até um passado de reencontro de vidas. Mesmo que nesta busca eu tivesse que procurar em curvas labirínticas, ou abismos profundos, no limiar de céus e infernos, eu não desistiria.
 
Venceria planos e dimensões, investiria contra centauros e dragões, sobrepujaria bruxas e magias quantas, saltaria muralhas e fogueiras, mergulharia nas águas mais profundas rasgando oceanos, levando minha procura a todos os caminhos e direções que me conduzissem até mesmo para além da eternidade. Esta seria pequena para esconder de mim o objeto do meu intento. Eu não desistiria.
 
Por maior que fosse a minha angústia, não pararia enquanto não encontrasse as raízes do bem e do mal, onde o bonito e o feio se anulam no igualitarismo de leis cósmicas onde o tudo se origina e o nada sobrevive no eclipse da não existência que se faz tão forte quanto o ser, pela dicotomia de conceitos contrários que afirmam também o não-ser, o não existir, que a nossa ignorância jamais alcançará. 
 
Tentaria desbaratar as teias do destino, do fado, ou traduzir causas e efeitos. Buscaria nas sombras do passado alguma lógica, algum sentido, para a morte ou para a vida que caminha no presente tropeçando em incertezas, carregando pesadelos que projetam um futuro, tantas vezes, inalcançável.
 
Carregaria a minha fé, mas não titubearia em pô-la à prova se preciso fosse para alcançar a verdade maior, aquela que enfim me oferecesse respostas para tantas das minhas dúvidas que vez ou outra me mergulham no cepticismo, quase me afogando no antilógico de contradições enlouquecedoras.
 
Não busco chegar ao supremo ideal da felicidade, embora creia que, se ele existe, deveria estar ao alcance de todas as almas, de todos os seres, sem privilégios que diferenciam inteligências e sentimentos, que exigem discernimentos, os quais, a própria verdade que os criou, também os tornou limitados. A perfeição foi proibida ou se tornou seletiva?
 
Se aquele ideal não existe, a verdade, por conseqüência, também pode ser desmentida, por inexistente. Assim prefiro crer, do que considerá-la injusta. E quando me aproximei dessa conclusão, em tentativas frustradas de entender o sentido da vida, e mesmo da morte, mais me assustei de não chegar a nada, mais me apavorei de ver esvair-se o meu sonho, de perceber enfraquecer-se a minha esperança, perder-se a minha busca. 
 
E tudo que me ensinaram? E tanto que pesquisei, que investiguei? E tudo em que acreditei, reafirmei e preguei? Somos todos inocentes por termos sido enganados? Seremos todos puros já que a mácula e a virtude estarão ausentes de qualquer conceito ético, na concepção de que a verdade seja uma mentira? No que nos transformaremos então?
 
Não, não é possível, talvez eu tenha errado o caminho, é, deve ser isso. Devo ter enveredado por tortuosas, enganadoras e indecifráveis veredas, mergulhado em enigmáticos e ambíguos mistérios que estejam no limiar do eterno e infinito conhecimento superior.  Devo mesmo ter errado o caminho.   
 
A verdadeira senda talvez se encontre muito para além das minhas limitações físicas e espirituais, não obstante a minha fé, o meu aprendizado, e os tantos ensaios e incursões no mundo incorpóreo, sobrenatural. É, fracassei, devo confessar. Paro, é hora de reflexão e não de investigação ou de busca.
 
Detenho-me então num lindo texto que recebi há pouco tempo dos bons amigos de São Vicente, em S. Paulo, o Ivan Matvichuc e sua esposa Fátima, sobre a vida. Releio-o. Chamam-me a atenção duas citações plantadas no referido texto:
 
“A nossa vida é uma promessa a cumprir, um fruto a amadurecer, uma obra a executar” , atribuído a A. Bouçois Mace;
 
“Das ruínas do corpo e da alma pode vicejar uma semente portadora de um futuro esperançoso para a Terra e para a humanidade”, de Frei Leonardo Boff.
 
Recolho-me à minha insignificância, fecho-me no silêncio pequeno que se curva ante uma realidade indecifrável, guardo as minhas dores e desconfianças porque não mais quero aceitar as fórmulas feitas, as verdades absolutas, os dogmas autoritários.
 
Por outro lado, sou obrigado a prostrar-me diante de mim mesmo abatido pela insídia de uma busca para a qual não estou preparado.
 
Algum dia, provavelmente, alcançarei o que procuro. Espero, porém, que não seja  tarde demais, que a solidão não seja minha única e fiel companheira, que viver não seja um ato a cumprir, mas sem a presença do amor que por longos anos me deu sentido à vida.
 
Francisco  Simões.      (Fevereiro / 2003) 
 
 
www.franciscosimoes.com.br     www.riototal.com.br


Escrito por Belvedere às 09h52
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Oi queridos!
 
Um amigo, que detesta armas, argumenta que espingardinhas domésticas nunca impediriam governantes dominadores
de executarem seus planos, pois são inúteis diante dos poderosos fuzis de hoje em dia. Também não serviriam
 contra os assaltantes modernos, igualmente bem armados. Acontece que ele é do Rio, só ouve falar da potência dos
grandes traficantes, não conhece o amadorismo selvagem dos assaltantes das cidades pequenas.
 
Além disso, não se trata da vontade matar nem do medo de morrer. Trata-se da qualidade de vida. Quem
tem uma arma, e sabe usá-la, se sente mais seguro, embora talvez jamais em sua vida tenha oportunidade
de disparar um tiro contra alguém. É como o lutador de artes marciais, que sabe como golpear porém
prefere não ter que fazê-lo em situação de perigo real.
 
Campinas tem mais de um milhão de habitantes, mas não tem esse tanto de assaltantes, e no entanto
todos sofrem com o medo, até as criancinhas. No final das contas, isto significa que quase um milhão
de habitantes sofreu à toa, pois não foi nem jamais será assaltado, nem pelo exército nem pelos ladrões.
 
Não importa nosso poder de fogo. Matar ou morrer faz parte da vida no planeta. O que importa
é que o portador da arma acredite que aquilo o protegerá, do mesmo modo que navegantes acreditam em
coletes salva-vidas e voantes acreditam em pára-quedas.
 
Minha prima Janete carregava uma pedra na bolsa e sentia-se segura com isso ao atravessar  um terreno
baldio quando voltava do trabalho ao entardecer. Verdade que um dia safou-se de um estuprador metendo-lhe
uma bolsada na cabeça, mas, fora esse incidente, sempre continou atravessando feliz e contente aquele trecho
deserto de mato. Só porque tinha uma pedra na bolsa.
"Não tentarás o Senhor teu Deus" - é isto o que faz com que o clero instale pára-raios nas igrejas.
Ana Suzuki



Escrito por Belvedere às 09h32
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Insônia

odeteronchibaltazar

A noite se alonga
em insônias
e desassossegos.

Sem remédio,
essa inquietação
solitária.

Incurável esse latejar
das horas
sem uma luz,
sem um sinal.

Perdida em meus pesadelos,
consolo-me
com versos a gotejar
dos meus dedos inquietos.

Sobre os lençóis escrevo
linhas de saudade
e bordo,
em maiúsculas,
teu nome junto ao meu
no final.



Escrito por Belvedere às 09h18
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Meus queridos,
 
Claro que nem todos vão concordar comigo, mas o  fato é que,  antes de o deputado Jefferson abrir a boca, corríamos um perigo muito maior com o desarmamento. Que tipo de coisa estariam montando os gananciosos líderes petistas, usando como escudo a figura de nosso dissimulado Presidente da República?
 
Por que os militares estavam há tantos anos sem aumento salarial? Não seria para conceder polpudos vencimentos no momento exato, a fim de obter a conivência deles quando a população
civil já estivesse totalmente desarmada?
 
Todos sabemos que foram as esposas dos militares, com suas passeatas e panelaços,  que precipitaram a concessão dos 10%, prometida para outubro, e não a boa vontade dos governantes.
 
Que importância têm as motivações do deputado Jefferson? Ele botou  com a bunda de fora muita gente que só anda de terno e gravata, com isto desmontando, penso eu, um sinistro programa de dominação. Não sou eu quem diz isso, é a história da humanidade. Desarmar para dominar.
 
Quanto ao perigo que representam as armas de fogo em situações inadequadas, parece-me bom lembrar que os carros também matam, e que ninguém quer andar a pé por causa disso. Do que o governo precisa é de recolher também os pastéis, porque colesterol também mata, uai!
 
Ana Suzuki
 


Escrito por Belvedere às 16h51
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Alberto Cohen



O rei morreu! Viva o rei!


 

 

Com esse brado se proclamava oficialmente a partida de um monarca e a imediata ascensão de outro. O trono não podia estar vago, sequer por um minuto. Era assim e, guardadas as proporções, continua sendo.

Em que momento meus filhos assumiram a direção de seus destinos e, pensam eles, do meu? Quando deixaram de ser meus meninos e se tornaram meus protetores?

As gerações se sucedem, inexoravelmente, e o ontem se transforma no amanhã do dia de hoje, sem que ocorra um intervalo, um aviso de que a estrada começa a se bifurcar e o novo está pronto para assumir o controle.

Houve um tempo em que segurar minhas mãos era o gesto automático e confiante com que dois garotinhos se entregavam ao meu discernimento paternal. Os garotinhos cresceram, estão maiores que eu. Fortes e resolutos, acertam e erram por conta própria, fazem suas escolhas da mesma forma como errei e acertei fazendo as minhas.

Como criador, aplaudo suas vitórias, choro suas tristezas. São meus melhores poemas. Neles depositei as rimas mais ricas, a melhor métrica, o ideário mais bonito, para conseguir o efeito final. E estão aí, são do mundo (embora acreditem que o mundo é deles) e vão me repetindo em cada metáfora definitiva, ou tônica fora do ritmo. Mas que saudade de suas pequeninas mãos...

Curioso como só conseguimos compreender a geração antecedente a nossa, depois do advento da conseqüente. Um dia, meu pai me abraçou, aparentemente sem qualquer razão, e, com a voz meio embargada, perguntou-me quando teria um neto. Naquele momento, um velho rei entregava o trono ao seu herdeiro.




Alberto Cohen
advogado  e escritor
Belém, PA
AlbertoLCohen@aol.com
 

 



Escrito por Belvedere às 16h23
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A fama
 
Belvedere
 

Raios de sol brilhavam num  céu azul   imaculado  naquela  manhã de domingo,  mês de setembro. Jovens   rumavam com  estardalhaço às praias da região oceânica, enquanto grande número de  idosos percorria os diversos  parques da cidade. Crianças inventavam  brincadeiras  a todo instante. Um cenário de  vida em abundância!
Num quarto confortável ,  bairro classe média alta, Leismar Barata fazia suas   mil e trezentas abdominais, ao som de sua música   preferida, verdadeiro estimulante para  suas aspirações :
Faço tudo pela fama não tem jeito eu sou assim
Sei que a fama tem um preço vou pagar quero subir
Na cama com Madonna quero mais é ser feliz .
Havia nela um insaciável desejo de notoriedade. Sua imagem  estava constantemente em todos os jornais e revistas da cidade,  apresentando-se   nos variados   desfiles de moda e chás beneficentes. Nada  freava esse ímpeto de aparecer; havia um quê beirando  o patológico.
Após ser publicada nas sete revistas mais conhecidas do estado  por  um ano, ininterruptamente, e ter participado  de quase todos os desfiles da cidade onde residia (chegando inclusive a se apresentar em   três numa  só noite), acalentava o desejo de posar para uma renomada revista masculina. Ganhar dinheiro não era a questão. Queria aparecer para todo o país. Seria o trampolim  para chegar às passarelas da Europa, pensava.
Afastara-se dos amigos, e  a família já não fazia parte de sua vida.
Pouco a pouco, os amigos  desistiram de procurá-la . Cansaram  da sua superexposição Deixaram, inclusive, de comprar jornais e revistas onde ela era publicada. Passaram a ler outras coisas, diversificando também,  seus interesses.
Leismar,  mergulhada  em seu mundo, sentia-se plena. Seus desejos lhe bastavam.  Exultou quando recebeu  o convite para o  ensaio fotográfico   da revista masculina de seus sonhos. Esperava por esse dia há quase dois anos.    Anunciou o fato aos quatro ventos. Houve  um silêncio sepulcral como  resposta. Preparou-se, então,   para as fotos, que seriam feitas com dois meses de antecedência à publicação. Na verdade, via-se como a mais bela das mulheres.
A revista começou  a anunciar o ensaio fotográfico de Leismar Barata. Cartas de leitores  chegaram aos montes,  e a maioria contra a escolha.  A figura de Leismar estava por demais desgastada, diziam  enfaticamente.    
A reviravolta ocorreu  quando surgiu, no cenário,  Tetéia  Bom-Bocado, uma maravilhosa mulata  que comparecia freqüentemente aos shows de  funk  num clube da periferia da cidade e dançava de forma a enlouquecer a galera. Uma pequena nota sobre ela foi publicada  num canto de página no  jornal de bairro. A notícia se espalhou. Cartas começaram  a chegar  à  redação da revista, pedindo um ensaio com Tetéia. Eis que o ensaio de Leismar  foi  suspenso, sob alegação  da necessidade de se apresentar novos valores.
Tetéia Bom-Bocado surgiu  para o país, dois meses depois. Verdadeiro sucesso. Foi necessária uma segunda edição da revista. Logo foi convidada para apresentar um programa na televisão. Saiu também em várias capas de revistas nacionais. Acabou casando com um estrangeiro e foi morar no exterior.
Leismar Barata  após o fracasso, vendo enterrados seus sonhos, entrou num  longo e profundo estado depressivo. Foi  levada pelos pais a tratamento médico. Teve apoio  irrrestrito por parte dos amigos e de todos os familiares.
O tempo voa... Hoje,  convertida a  uma religião,  abomina revistas que mostrem sensualidade, sente repulsa por decotes,  ouve apenas músicas  religiosas, não faz exercícios físicos e  nem  dietas. Todos os dias é vista  em trajes discretos,  cabelos presos, sem nenhum traço de maquiagem, dez quilos mais gorda,  e a todos diz que, agora, é uma mulher feliz.


Música : Fama - Beth Lamas
 


Escrito por Belvedere às 12h18
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        DULCINÉIA.
                                                                        Para Vanderley Caixe
 
Atirei meus versos nas pás dos moinhos
 para voarem nas asas do vento,
 do mundo espalhando pelos caminhos
sementes de amor, carinho e ternura,
 criando raízes de bom sentimento,
 gerando harmonia pra vida futura.
 
Dragões enfrentei na luta diária.
 Tentando a defesa de sonhos possíveis,
 entrei na batalha da reforma agrária.
 Chamaram-me louco, igual a Quixote,
 porque em combate fiz coisas incríveis
 e sigo na busca de mais belo dote.
 
Ao lado dos pobres, do povo oprimido,
 procuro implantar a fé na justiça.
 Entrei na peleja do mundo sofrido
 e, no meio da dor, da fome e miséria,
 montado a cavalo, invadi essa liça,
 ergui minha espada em prol da quimera.
 
Sou bravo, sou forte, quixote dos pobres,
 a ti, caro povo, doei minha vida,
 portanto não quero que ainda me cobres
 favores insanos, renúncias e danos.
 Só peço que encontres a minha querida
 por quem esperei durante esses anos.
 
                                                                                        Rosa Maria de Britto Cosenza.
Cordenadora Nacional de Literatura do PCSUR/Brasil.
                                                                                      Ribeirão Preto, 17 de agosto de 2005.
                                    Exposição literária do Proyecto Cultural Sur ,durante a 5ºFeira Nacional do Livro, em Ribeirão Preto.-SP


Escrito por Belvedere às 09h34
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Tangar…
 
Amo quem ama o tango...
vou tangar até morrer
nessas pampas tão argênteas
onde os corações se perdem
e as almas voam eternas
 
se dançar é ser etéreo
e ter asas para voar
deixarei o cais terreno
pelo  espaço sideral...
 
perderei peso corpóreo
serei mais leve que o ar
girarei ao som do vento
e ao marulhar do mar...
 
joaquim evónio

Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias
www.joaquimevonio.com


Escrito por Belvedere às 14h06
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