Sarau da Belvedere


Daniela

 

Viegas Fernandes da Costa – Blumenau/SC

 

O cronista caminha desolado na companhia dos amigos. É noite e a chuva insiste em não terminar. “Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos” – certa vez escrevera Drummond. Este cronista não desiste, porém! Sob a chuva, tiritando de frio, sorve a literatura que o vento lhe lança ao rosto. Mas nada, cada texto, mentalmente construído, morto na primeira linha, quando muito, no primeiro parágrafo. E caminham, os três: o cronista de passo sempre retardado; os companheiros, apressando-se para o aconchego quente daquele bar noturno, de tijolinhos à vista e uma luminosidade penumbrosa. Que fazer senão acompanhá-los?

 

Uma mesa para seis, mas ocupam apenas a metade dos lugares, as outras cadeiras esperam o que os olhos caçam. Mas não há muito desejo de caça nos olhos do cronista, que se deixa vagar. O rock-and-roll duvidoso embalando os corpos, as bocas entornando os copos. As bocas de lábios macios, calor nesta noite fria. Poderia escrever sobre as bocas, os lábios, os olhos que caçam, mas sabe que não escreverá sobre isto, não escreverá sobre nada, talvez. As jaquetas de couro, os casacos de lã, as cervejas escuras, os colos claros, as pernas morenas, o laço do avental preto que protege a cintura dos garçons, as garçonetes... Onde estão as garçonetes? E os companheiros conversam, tentam ao menos, palavras que cortam como lâminas tristes de uma velha navalha o burburinho, o tinir de taças, a fumaça dos inúmeros cigarros. As palavras chegam apagadas, muito mais subentendidas do que propriamente ouvidas, o cronista concorda sabe lá com o quê, faz que sim com a cabeça, esboça um sorriso educado, mas a crônica meu deus... a crônica!

 

E Daniela entra. É verdade, inventou o nome: Daniela. Soube; mais uma vez a crônica levaria o nome de uma mulher: Daniela!

 

Continua

 



Escrito por Belvedere às 11h39
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Acompanhada do casal amigo, sentou-se só, incomodada. Fazia calor, agora, e despiu a capa que lhe cobria o corpo. A pele dourada, o pescoço comprido, alta, muito alta. O colo desnudo, os ombros, os ombros... E a camiseta rosa a proibir que se vislumbrasse o resto. O cronista, por mais que se esforce, tem seu olhar fixo nesta mulher imantada. Precisa ouvir sua voz, olhar nos seu olhos que, assim desta distância, e sob esta luz difusa, não lhes pode ver a cor. Mas, e a coragem para tanto? Sabe que vai gaguejar, entornar o vinho sobre si, explicar sua profissão, pedir autorização para usá-la como personagem... Usá-la? Não, não... Palavra tão forte: usá-la! Quer tê-la, sorvê-la, entregar-se-lhe também, aconchegar-se no interior daquele corpo tão aquecido pela beleza. Porque Daniela não é mulher de beleza fria, como tantas que vê todo dia! Não! Também não é terna: é quente, quente sim, de uma quentura imprescindível à crônica... ao cronista. Vai dizer-lhe que a deseja, como personagem, como mulher, como companheira para aquela noite; arrasta a cadeira, aproxima-se, os companheiros seguram, puxam-lhe pelo braço, argumentam para que desista, que beba seu vinho enquanto bebem eles suas cervejas escuras, porque mulher assim não pode estar sozinha, seu homem que logo chega, que há de lhe quebrar a cara quando vir que conspurca os ouvidos da amante com seu papo bêbado de literato desconhecido. O cronista se rende e pede uma água mineral, chega de vinho, torna-se menos impulsivo bebendo água.

 

Porém não se lhe achega nenhum homem, nem tampouco outra mulher. Permanece só, a perna cruzada, o tornozelo tão finamente esculpido. Não há mais crônica, só há esta Daniela que agora faz menção de se levantar, de se ir para nunca mais se mostrar aos olhos apatetados deste cronista, que lhe supõe um nome, pois é este o nome que melhor lhe cabe, e quando se vira, o cronista lhe toca o braço, sussurra a palavra com a qual lhe batizara, e ela responde invocando o seu próprio nome, o nome deste cronista. Acaso eram conhecidos? E agora se lembrava, o namorico da infância, quando ainda nem supunha um dia dedicar-se a namorar palavras, do qual ela nunca soubera. No sobrenome Daniela carregava uma Rosa. Como mudou! Como mudou... É esta então aquela menina tão bonita cujos seios em flor ainda não passavam de pequeníssimos botões? “De La Rosa” – dizia seu sobrenome...

 

Não mestre Drummond, hoje tem crônica sim. É verdade que a chuva continuou caindo por toda madrugada, inundando valas e corações. É verdade também que Daniela se foi, esperara demais para poder ficar. Mas deixara um telefone, um endereço... e esta crônica!

 

 

© Viegas Fernandes da Costa. Permitida a reprodução desde que citado o autor e o texto mantido na íntegra.

 

CONHEÇA O ARQUIVO COMPLETO DA CRÔNICA DA SEMANA NO SITE

www.viegasdacosta.hpg.com.br



Escrito por Belvedere às 11h38
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Um conto de Mão Branca que tive que dividir por não ter espaço devido ao  número de caracteres.

Um excelente final de semana para todos. Obrigada, Mão Branca!!!!



Escrito por Belvedere às 09h53
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O mesmo

De Mão Branca

 

"Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar"

Lei/DF Nº 3212 de 30.10.03

 

Li o aviso na porta do elevador e ri-me dele como sempre faço. Uma menina de oito anos despencou no fosso de seu prédio, após abrir a porta do elevador e correr inadvertidamente para dentro. Foi o suficiente para a corrupta Câmara Distrital promulgar a óbvia lei: veja se tem elevador antes de pular no fosso.

- É uma ótima lei! - Explicou-me um empresário que confecciona placas publicitárias. - Vendi uma placa para cada elevador da cidade. - Ele só deixou de me contar que era primo do deputado que propôs a lei.

Entrei no elevador ainda sorrindo.



Escrito por Belvedere às 09h50
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- Tá rindo de quê? - Perguntou o vizinho do andar de cima. Barulhento e peidorrento, tem mania de andar com os sapatos de salto da mulher quando ela está fora.

- Do mesmo. - Respondi.

- Do mesmo o quê? - Insistiu.

- Do mesmo que ri ontem, - provoquei sua curiosidade. - quando entrei no elevador.

- Você tá me sacaneando?

- Não. - Ele não entenderia a brincadeira. Um homem que se banha após trepar com a própria mulher não merece muita consideração. - Eu estava rindo do aviso nas portas dos elevadores.

- Ah, o criminoso.

- Criminoso? - Não entendi.

- Você não acha que criaram a lei apenas por causa da menina que caiu no fosso, não é?

Assenti.

- Não seja tão simplório, meu caro. - o vizinho passou o braço pelo meu ombro. Ele é bem mais baixo e seu sovaco suado lambuzou minha espátula. - Há mais mistérios ao nosso redor do que sonha nossa limitada imaginação.

- Do que você tá falando?

- Não posso contar aqui. - Ele protegeu a boca para falar. Olhou para os lados, desconfiado. Apontou a câmara filmadora sobre a porta. - O Mesmo tem ouvidos por todos os lados?

- O mesmo?

- Shhhh. - O vizinho tapou minha boca com sua mão úmida e com dedos pequenos e gordos. - Não fale esse nome aqui dentro. Procure mais informação.

Desceu no térreo sem me olhar novamente. Sua figura lembrava Alfred Hictcook de camiseta e chinelo após cometer um assassinato cinematográfico.

Por mais idiota que a história me parecesse, fiquei com aquilo na cabeça.

Na repartição, esperando o elevador chegar, cercado de anônimos servidores públicos como eu, avistei um conhecido.

- Pêra, o que você sabe sobre essa lei distrital que obriga todos os elevadores a terem um aviso na porta? - Perguntei.

- Uma menina caiu num fosso de elevador, então...

- Não, - interrompi - quero saber a história do tal o Mesmo.

- O Mesmo? Que mesmo?

Notei que algumas pessoas nos olharam assustadas, outras levantaram os olhos apreensivamente, a maioria se afastou deixando-nos numa clareira na multidão.

O dia correu tranqüilo e chato, como todos os dias, porém ao fim da tarde a secretária entrou esbaforida na sala.

- O doutor Pêra foi atacado aqui no prédio! - Disse num espasmo. - Ele foi levado de ambulância para o hospital.

- O que aconteceu?

- Ninguém sabe ao certo.- Ela fez uma pausa para centralizar minha atenção na próxima parte da fofoca. Secretárias são muito eficientes na comunicação sobre a vida alheia. - Ele ficou gritando "tá apertado, tira daí" até os enfermeiros o sedarem.

- Está muito machucado?

- Parece que não. - A secretária então assumiu um ar misterioso e estendeu-me um pedaço de papel. - Ele deixou isso para o senhor.

No papel havia um endereço da internet: www.omesmo.cjb.net. Acessei a página. Uma denúncia alertava sobre o Mesmo. Era um criminoso que atacava as pessoas que invocavam seu nome durante as viagens de elevador. Havia até algumas fotos borradas do meliante, provavelmente feitas através de um olho mágico. "O Mesmo age como um fantasma", dizia a página. Não haviam relatos dos ataques pois suas vítimas se recusavam a contar o acontecido.

- Que loucura é essa?

Continuei a leitura; ninguém havia visto seu rosto, nem era sabido se era apenas um bandido ou haveriam cúmplices. Desconfiava-se que se tratasse de um grupo terrorista que pretendia criar uma figura lendária, um mito, para depois usá-lo como mártir de sua causa.

Alguns deputados distritais haviam sido atacados, dizia a página. Temendo pela população e sem querem alardear os verdadeiros fatos, os deputados decidiram implantar o aviso na porta dos elevadores. A justificativa era que ainda que não explicassem a verdadeira intenção da placa, a simples preocupação com a presença do delinqüente já era suficiente para dificultar suas ações ilegais.

- Mas, afinal, o que esse o Mesmo faz com suas vítimas?

Procurei meu conhecido, o Pêra, mas ele preferiu guardar silêncio.

- Não quero falar sobre o assunto. - Disse, ríspido.

 



Escrito por Belvedere às 09h48
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Acabei ficando sozinho no andar.

- Quase entrei no elevador sem verificar se o Mesmo estava aqui. - Comentei em voz baixa. Desde que meu vizinho falou do meliante nunca mais entrei num elevador sem olhar para os lados.

Subitamente senti uma presença atrás de mim. Olhei de soslaio e vi um sujeito da minha altura, usando uma camiseta branca. O calafrio atingiu minha coluna e subiu até o pescoço, travando-o. Tentei olhar novamente a camisa. Não consegui; fui atacado antes de ver o que estava escrito, mas posso jurar que era "O Mesmo".

Senti as hábeis mãos do criminoso penetrando o cós da minha calça, pelas minhas costas, e encontrando a borda da minha cueca. O primeiro puxão esmagou minhas bolas, separando-as em hemisférios e tendo a cueca como a linha do Equador. O segundo puxão fez o Equador, ou melhor, a cueca escorrer pelo ânus e separar as nádegas de maneira, talvez, definitiva. O terceiro e último puxão foi seguido de um "click" e uma risada. Ainda consegui ver o bandido descendo as escadas às gargalhadas antes d'eu desmaiar de dor.

Quando fui acordado pelos transeuntes, dolorido, vi que o Mesmo quase havia arrancado minha cueca pela cabeça, levantando-a ao máximo e a prendendo com um alfinete de pressão, o "click" antes do desmaio. Meus testículos estavam inchados e minhas nádegas não seriam mais tão estreitas. Recompus-me do jeito que deu e fui embora para casa.

Encontrei o vizinho de cima.

- Como andam as coisas? - Fez cara de suspense. - Achou o que procurava?

Pensei em contar-lhe que o criminoso não passava de um levantador de roupas íntimas, um puxador de cuecas, um tarado que se especializou em içar as cuecas e calcinhas pelas costas de suas vítimas, atordoando-as com a dor, o susto e principalmente a humilhação. Lembrei da lenda que dizia que o Mesmo tem ouvidos por todos os lados.

- Não.



Escrito por Belvedere às 09h46
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conntinua

O vizinho me olhou de baixo para cima. Incomodou-me aquele olhar. O homem limpa a bunda com o chuveirinho da privada e geme de prazer quando a água escorre pelo seu rego. Que moral ele possuía para me avaliar?

- Sei. - Abraçou-me novamente e encostou o sovaco molhado no meu ombro. - Uma dica: não se meta com "aquele que não devemos falar o nome".

Cheguei ao meu apartamento, procurei uma camiseta velha e branca, risquei umas palavras na frente e esperei em silêncio no apartamento. Alguns minutos depois escutei o vizinho caminhando pela sua sala e girando a chave da porta da frente. Vesti rapidamente a camiseta e corri para as escadas. Subi vagarosamente os degraus até ver por uma pequena fresta o vizinho esperando o elevador.

O botão iluminado acendeu, mostrando que o elevador havia chegado ao andar. De sopetão, pulei os degraus que faltavam e cheguei às costas do vizinho antes que ele notasse minha presença. Enfiei as duas mãos por dentro da sua bermuda, segurei a cueca e a puxei para cima com toda minha força.

- Ugh! - Gemeu o vizinho. Puxei pela segunda vez e percebi que ele parou de respirar. No terceiro puxão senti que seu corpo amolecia. Ele havia desmaiado. Acomodei-o no chão e fugi às gargalhadas.

Voltei ao meu apartamento certo de não ter sido seguido. Sorri satisfeito por me vingar do meu chato vizinho.

Foi assim que acabei por me tornar mais um o Mesmo!



Escrito por Belvedere às 09h45
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Helena Armond

vir de longe
ir pra longe
e ao meio caminho
nada...
um peixe sobre areia
e um sol que derrete
faz vidro
que  se quebra
corta
tudo a volta
menos meu umbigo
e atavismos...
==
as vezes aceito
outras tantas duvido
do alaranjado das laranjas...
mas nem um pouco
do algodão acetinado
alaranjado do sol 
dos 
Budistas
e da indefinida cor da lotus
no lodoso e bem fundo
inconsciente
quando aflora...
...há um lírio de brancura cera
das abelhas
vindas...indo longe
açucarando o mundo
============================
Setembro 22 / 2005 flores e nectar
da Primavera
 
 
 


Escrito por Belvedere às 09h42
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magia

 

a poesia

do teu sorriso

bebeu

o meu olhar

 

sem querer

escrevi teu nome

na brisa verde

 

e o teu perfume

ficou tatuado

no meu desejo

 

ydeo oga

17/8/2005 20:43


Escrito por Belvedere às 19h38
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http://www.plathanus.coloridus.zip.net

 

Um belo espaço que recomendo.



Escrito por Belvedere às 19h37
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Transformação.

Delasnieve Daspet

Cada dia é um novo dia.
Cada hora um novo momento.
Basta estar atento.
Aberto ao novo.

Abrir as janelas
Par a par,
Sair da penumbra,
Receber o vento fresco da manhã.

Receber as cores e odores
Dos jardins, das matas, das pessoas.
Olhar algo mais além de si próprio.

Poder mudar.
O poder de transformar.
Isso é permitido ao humano
Enquanto vida  houver.

Somos de uma forma em
Cada época de nosso existir.
Crescemos no dia a dia.

Repare nas pessoas abertas a vida.
Elas são mais bonitas.
São alegres, felizes e amadas.

Em cada minuto uma escolha
Em cada escolha, a vida!

**07-08-2002 - 21,00 hs
Campo Grande MS



Escrito por Belvedere às 19h28
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Um conto ordinário

Belvedere
 
Num consultório médico,  bairro da periferia, um grupo de seis pessoas   aguardava  chamada para a consulta médica. Espremidos numa sala pequena, num dia de  calor insuportável, com um  ventilador    que mal funcionava  e  um  bebedouro de água duvidosa, a espera era angustiante. 
- Virgem Maria!  Um menino, lá na rua onde  moro,  está internado com meningite. Em coma! Coitadinho, vivia apanhando da mãe. Apanhava tanto que chegava  a urinar nas calças. O menino tinha o corpo todo roxinho de pancadas. Outro dia chegou a botar sangue pelo nariz. Ontem, a mãe pediu perdão a ele na hora da visita, e  a irmãzinha dele  mais nova, tremia toda dizendo que agora ele ia morrer, e que a mãe não precisava pedir perdão, porque ele  já não  ouvia .
      Na pequena sala, os clientes que estavam aguardando ouviam com interesse a triste ocorrência.  Sentindo  que tinha  boa audiência, Lia continuou relatando as tragédias :
-   O irmão dessa mãe  safada disse que se o menino morresse seria melhor, pois  ficaria livre de tantos maus-tratos.
Uma das clientes perguntou a idade do tal  irmão, e  Lia  respondeu:
- Vinte e oito anos.
- E por - que vocês não  denunciaram o fato às autoridades, já que sabiam de tudo? São culpados também. 
Ela não respondeu.
- Estou preocupada  é com meus filhos. Será que ainda há  risco de contágio? A gente queria vacinação, mas os médicos disseram que não havia necessidade. O menino vai morrer mesmo, já está com os rins paralisados.  Para vocês sentirem o quanto a mãe é safada, - : -  ontem, quando eu vinha do trabalho, ela estava num grupo, e ria muito.  Pensei que o menino estivesse fora de perigo.  Perguntei, e ela respondeu  que  ainda estava em coma.  O filho em coma, e ela rindo....
- Meu irmão também tem problemas com a mulher dele, continuou  Lia. Ela não faz comida  pros filhos, não dá a mínima atenção à casa que fica imunda, chega a feder!! Cinco filhos. Um está com anemia profunda. Acho que já é  leucemia. Tá branquinho que nem um fantasma, e  outro cheio de vermes, com  uma barriga enorme! A menina de treze anos,  grávida de um traficante. Meu irmão já não agüentava  mais a situação  e decidiu dar um fim a essa bagunça no final da semana passada.
Um cliente  que também aguardava sua hora replicou:
- Mas você só conta tragédias? Não tem nada de bom em sua vida para contar?
- Agora é que vem a parte boa!  Após uma séria briga, o mano  pegou a mulher, deu uns sopapos,  e quebrou o braço dela.   Acabaram  indo para o hospital e ela ainda está com gesso.
Por alguns segundos, ela parou de falar e  ficou olhando para o teto. Suspirou profundamente e   disse:
- Em plena lua de mel, eu lembro que ela levou uma surra danada dele.   Ele havia bebido. Sempre foi dado  à  bebida, desde jovenzinho, mas é engraçado demais! Quando  está bêbado  diz que  tem muitos inimigos perseguindo ele  e  que precisa comprar um revólver.  Anda cansado da malandragem que rola por aí!  
E  levantou,  passando a andar pelo minúsculo consultório.  Vestido colado ao corpo, curtíssimo, num tom fúcsia, os cabelos metade louro, metade castanho-escuro, e um  telefone celular que a todo momento manuseava  com muita ansiedade. Suas mãos tremiam incessantemente, e ela    disse  que  ultimamente tem tido pressão alta, os pés incham, tem muita dor de cabeça,  mas tem certeza de  que tudo é o tal do estresse que anda por aí! Saiu  um cliente que deu  boa noite a todos, com a expressão carrancuda. Houve um intervalo de mais ou menos cinco minutos até que é chamada pela secretária que havia permanecido o tempo todo alheia  à  conversa, fazendo qualquer coisa em crochê.
            Encaminhando–se para a  porta, ajeitou  o vestido, que subia à  medida que ela andava, e    disse:
-  Ainda bem que a patroa paga um plano de saúde  pra mim. Pode não ser grande coisa, é um plano  baratinho, mas ao menos não  preciso ir pras filas  de madrugada. Nem posso me imaginar mendigando atendimento nos hospitais, como vejo esse povo  pobre na televisão. Tudo chorando, gritando,  morrendo nas filas... Tenho saco não!
 
 
 
 



Escrito por Belvedere às 15h34
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