PER + DOAR
Artur da Távola APRENDI OUTRO DIA QUE PERDOAR É A JUNÇÃO DE “PER” COM "DOAR". DOAR É MUITO MAIS DO QUE DAR. DOAR É A ENTREGA TOTAL AO OUTRO. ETIMOLOGICAMENTE FALANDO, O PREFIXO "PER" TEM VÁRIAS ACEPÇÕES, INDICA MOVIMENTO NO SENTIDO "DE" OU EM "DIREÇÃO" A OU "ATRAVÉS" OU "PARA". PORTANTO, PERDOAR, QUER DIZER DOAR AMOR AO OFENSOR E QUE ELE, ARREPENDIDO PELA OFENSA POSSA TAMBÉM AMAR, POSSA DOAR-SE. NÃO APENAS QUEM PERDOA É QUE SE "DOA ATRAVÉS DO OUTRO". O OUTRO TAMBÉM SE LIVRA DE UMA CULPA A MAIS. PERDOAR IMPLICA ABRIR POSSIBILIDADES DE AMOR PARA QUEM FOI PERDOADO, ATRAVÉS DA DOAÇÃO DE AMOR POR QUEM FOI AGRAVADO. PERDOAR É A ÚNICA FORMA DE FACILITAR A SI E AO OUTRO, A PRÓPRIA SALVAÇÃO. DOAR É MAIS DO QUE DAR: É UMA ENTREGA TOTAL. PERDOAR É DOAR O AMOR, É PERMITIR QUE A PESSOA OBJETO DO PERDÃO POSSA (TAMBÉM) DEVOLVER UM AMOR QUE, ATÉ ENTÃO, SÓ NEGARA. DOAR AMOR ATRAVÉS DO OFENSOR EIS O CERNE DA REVOLUÇÃO CRISTÃ. EU DISSE REVOLUÇÃO. http://www.arturdatavola.com/
Escrito por Belvedere às 13h11
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Segredos
odeteronchibaltazar Conta-me das tuas andanças e das tuas fogueiras que, em noites insones, consumiram sonhos e iluminaram pesadelos. Fala-me das tuas nuvens em tempos de chuvas e temporais. Conta-me dos teus dias, alegres ou tristes, diferentes ou iguais. Canta-me as tuas canções que entoavas em silêncio com medo de acordar. Conta-me de teus suspiros e de teus soluços e de teu chorar. Sussurra-me os nomes que não queres mais gritar . Desenha-me os sonhos e as danças que tens escondidos em tuas mãos. Alcança-me teus braços e, depois, fica para sempre, quieto, em paz, em meu regaço. Não serás mais triste, eu te prometo! Nunca mais.
Escrito por Belvedere às 13h07
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O Prisioneiro
— Soares Feitosa —
Trouxeram-me a prisioneira ao interrogatório.
Recusei-me às perguntas porque as respostas estavam ao passado. Sequer o futuro se lhe indagou; que também recusou perguntar, quando os carrascos lhe disseram:
— Pergunte o que quiser.
Ela apenas balbuciou: — Eu sei.
Mentíamo-nos, porque jamais nos víramos.
Decretei a prisão imediata de todos os carrascos. Mantive a prisioneira sob algemas, que ninguém é louco de manter tesoiro tão rico ao léu;
mas, prudência maior, soltei-lhe os braços e mudei as algemas
aos meus próprios pulsos.
Ela — os gestos diziam que me seriam sob afagos.
Deixei: apenas que os olhos, os cabelos úmidos:
— Os meus? Os dela?
Era o chamamento. http://www.secrel.com.br/jpoesia/feito59.html
Escrito por Belvedere às 08h49
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Das descomposturas... ... falta de educação e outras mazelas. (Najah ÐL®)
Quantas vezes enviamos um e-mail, ofertamos uma palavra de carinho a um colega, damos um telefonema e ficamos no vazio? Muitas e muitas. São os mal educados, por certo. Os que te fazem descomposturas, sem mais, os que te bloquearam na existência, ou seja, não têm intenção nenhuma de saber o que você pensa. Não lêem nenhuma linha sua, nem quando você anuncia seu próprio obituário. Que fazer?
Antigamente, no meu tempo, e bota antigamente nisso, a gente virava a página, riscava o nome do caderninho, rasgava a folha. Hoje apertamos o DELETE.
Bendita tecnologia. Funciona bem demais.
Sabe aquele moço que você se descabela pra chamar a atenção, que você insiste, dá indireta, direta, e só falta mesmo a direita no olho esquerdo e nada? DELETE.
Aquela 'amiga' que te carinha vez ou outra, mas que nos momentos em que você a chama, grita seu nome, bota no megafone e fica com o maior carão, que ela não te dá a mínima porque está ocupada com qualquer porcaria e não pode se dar ao luxo de te dar atenção? DELETE.
Aquela amizade que você pensou que tinha, que investiu até em segredos, mas que num momento qualquer passa a te julgar sem ao menos ter te perguntado qual o motivo (se é que há motivo), que te decreta culpada, simplesmente, porque nunca, em verdade, te teve algum carinho? DELETE.
Aqueles em crise existencial constante, que fazem da depressão o entorno do copo d' água diário, que não se importam se nesse meio tempo você quebrou a perna, quebrou a cara, passou fome, furou o pneu, arriou a lataria? DELETE.
Aquele amor, paixão, sabe-se lá, que você dedicou seu tempo, seu verso, seu verbo e ainda continua não sabendo que porra você quer? DELETE.
Se você prestar atenção em quanto tempo você perde com inutilidades, veria que 24 horas/dia, é tempo mais que suficiente para você carinhar quem tem valor. Veria a dádiva dos que valem à pena, ainda que sejam ocupados, que tenham mil atividades e que nunca deixam de te ofertar um sinal, uma palavra, um til que seja, significando: olha, tô aqui, conte comigo. Esses são o potencial de uma amizade, de um amor, de uma vivência bem aproveitada. A esses devemos sempre dar uma chance, perguntar o que acontece, como estão, se podemos ajudar, onde foram, com quem estavam, se nos precisam. A estes, devemos sempre ter em mãos a tecla SAP, já que em algum instante do viver, podem falar línguas que não conhecemos, até a dos anjos. Podem silenciar, mas a tecla ativada nos dará a deixa de que estão apenas em seu momento de solidão absoluta, mas que nos amam. Esses valem a vida, a amizade, o tempo. Estes valem figurar não só na tela do nosso viver, mas no livro escrito a ouro de nossa existência.
Aqueles outros? Use o DELETE. Funciona e não dói.
Escrito por Belvedere às 14h32
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