Sarau da Belvedere


SEXO VIRTUAL                         

 

      Uma opinião

                                    

Já escrevi  uma sátira acerca deste tema. Hoje pretendo abordá-lo sob um ponto de vista mais sério. Quatro pontos são, a meu ver, indiscutíveis: 1 – Com o advento da Internet a sexualidade dos internautas, de ambos os gêneros, vem se tornando cada vez mais uma função fisiológica como outra qualquer; ou seja, vem se situando a “anos/luz” de distância daquilo que marcou a geração de pessoas que têm agora mais de quarenta anos. Em outras palavras, sexo praticamente deixou de ser um tabu, pois as repressões e inibições são atualmente quase insignificantes quando comparadas com o que sofreram, na adolescência e na juventude, indivíduos daquela faixa etária. Isto se deve, segundo entendo, não apenas à revolução dos costumes sucedida nos anos de 1960, mas principalmente ao caráter “liberou geral” da internet. Os usuários parecem sentir-se – devido ao anonimato e ao fato de não se exporem tão ostensivamente - muito mais à vontade para dar vazão às suas libidos. Com efeito, sob estas condições, o superego interfere minimamente sobre os impulsos do Id. 2- Sexo virtual é Sexo! Independentemente da qualidade, do desempenho, da satisfação, ou da gratificação mútua dos parceiros. 3 - De algum modo, mulheres e homens foram beneficiados, mas as primeiras ganharam muito mais, pois a repressão que elas sofriam atingia as raias da irracionalidade, do preconceito, do absurdo. 4 – O significado do verbo “amar” está a cada dia se distanciando mais do “sexuar” e vice-versa. Ao afirmar isto faço menos um juízo de valores do que uma constatação prática.
 
Raymundo Silveira




Escrito por Belvedere às 21h54
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Instante
Ligi@Tomarchio®



Caminhante exausto
queda-se ao chão
rosto fotografado pela lama
o corpo rodopia
querendo furar o mundo.

Peito arfando
rasteja ossos longos
o riacho lava sua alma (lama) doente
olhos vêem o céu.

Imóvel
inércia dos sábios
contempla apenas o azul
carcarás sobrevoam aquele corpo.

Percebe anjos descendo
corpo entregue ao destino
ossos, lama, azul, carcarás e anjos
agora estátuas de sal
aguardam o instante
a pausa musical...


Ligi@Tomarchio®
SP/05/01/2006 - 03:35

 




Escrito por Belvedere às 14h08
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Bonsai

 

Ydeo Oga

 

 
na quietude
a harmonia desliza
como um bálsamo
na brevidade das folhas
acariciando a eternidade
no orvalho das manhãs
 
na suave ternura
renova a esperança
cadenciando o sorriso
de um dia
enquanto o tempo
canta a poesia
 
 
(da série “Japão”)
15/11/2004 10:39
 


Escrito por Belvedere às 11h00
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Ana Suzuki comentando meu texto Amor Virtual

 

Curti. Acredito na paixão virtual até mais do que na real, porque é quando a imaginação - a mais poderosa de todas as forças psíquicas - tem oportunidade de se manifestar inteiramente, sem a intervenção da lógica, da realidade, de nada além da própria energia criadora.
Mexe com os hormônios, com o cérebro, com tudo.


Escrito por Belvedere às 10h58
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O Sol nasce para todos

Luiz Alberto Machado

 

É janeiro e o sol contempla todas as manhãs no maior exemplo de justiça que se possa imaginar.

É assim como eu vejo, este é o meu olhar. E mesmo que leve oito minutos e meio para nos tocar a pele brozeando nossa vida, o disco alado, indiscriminadamente, reluz para brancos, pretos, cafusos, mamelucos, crioulos, mulatos, arianos, caboclos, mongóis, germanos, multicor ou descoloridos.

Seja o que for: católico, batista, pentecostal, confucionista, judeu, quackers, budistas, anti-semitas, ateus.

Seja que gênero, até homo, hetero, trans, hermafrodita ou assexuado.

Seja ou não flamenguista ou de que time for. Ou, ainda, iconoclasta.

Seja, enfim, afortunado, pobre, emergente burgüês, desafortunado ou estornado miserável.

O que me deixa por lição é que seu fulgir encarna o privilégio de constatar a maior e mais verdadeira liberdade, isso porque, seja através do prisma de Newton ou das citações da Cidade de Campanela, aprendemos que "o amor à coisa pública aumenta na medida em que se renuncia ao interesse particular... ninguém deve apropriar-se das partes que cabe aos outros". E mesmo sob as situações mais adversas, deveríamos ter com o etério brilhante a mesma atitude de Manco Capac, o inca primeiro que abriu os olhos e inquiriu das criaturas da ignomínia o que esperavam da vileza, quando o sol dava vida para serviço dos homens e vegetais do mundo. Ou como os Maias e a bela lição de modéstia do vigoroso astro, confirmando ser o ser humano subalterno e acidental, vez que em suas fábulas pregam que se se nasce de noite, só se realiza ao alvorecer.

Irradiante, pois, nos ensina que os deuses são matinais para honrar a alma, indo, com sua majestade, do oriente ao ocidente a caminho da constelação de Lira. E eu, curaca silente, tiro minhas sandálias para sentir o chão, voltado para o leste, aplaudindo o espetáculo dos clarões da aurora dourando a vida de todos.

Beijo, na catarse do momento, os primeiros raios e os guardo no meu relicário para entregá-los às mãos puras que "contemplam-no como a imagem de Deus, chamam-no de excelso rosto do Onipotente, estátua viva, fonte de toda luz, calor, vida e felicidade de todas as coisas".

Sigo pelas supremas hierofanias solares colhendo no Livro dos Mortos: "o ontem me criou. Eis hoje. Eu crio amanhãs".

© Luiz Alberto Machado  Direitos reservados.

http://www.luizalbertomachado.com.br

PS: vem aí o show poético, musical e humorótico Tataritaritatá. Em breve, aguarde.

 

 



Escrito por Belvedere às 21h29
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A autora ROSIMEIRE LEAL DA MOTTA está lançando seu primeiro livro impresso.
 
 
Os interessados em adquirir o livro deverão entrar em contato com a autora,
 
Valor do livro R$ 25,00 (já incluida a taxa de remessa do correio)
Editora: CBJE - Rio de Janeiro
 
Site onde se encontram os textos da autora Rosimeire Leal da Motta: http://www.showroomvves.oi.com.br/rosimeire/index.html
 
Edição Limitada


Escrito por Belvedere às 21h27
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HOJE EU QUERO TE AMAR ASSIM (7° DIA)
® Lílian Maial


Ébria,
completamente bêbada de teus cheiros,
mosto e sangue em minha sede,
beber-te tinto,
sorver-te vinho,
pensar-te beijo.

Carmim,
fazer arder centelhas em mim,
buscar teus horizontes com as mãos,
amar-te num instante,
numa lucidez devassa,
regada ao elixir de acabar com todas as dores.

Tonta,
te rodar nas voltas dos meus cachos,
te nutrir da seiva dos desejos,
enlevar teus receios nos meus dedos,
derrubar as defesas dos teus medos.

Juntos,
embriagados de fúria e de volúpia,
e tão manchados de entrega
e dessa coisa rubra,
que nos escorre,
tão fluida e densa.

Ingerimos,
trôpegos e fálicos,
num só trago,
o sumo e o buquê,
a fruta e o fermento,
o tênue e o trágico.


**********


Escrito por Belvedere às 16h20
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Globalização do amor

Rosa Pena

Conheci Hamilton Menezes no Recanto das Letras no início de 2005. Durante todo o ano que passou Hamilton foi mais que um amigo virtual. Foi um irmão que esteve presente comigo em todos os momentos que passei; mais, muito mais. Virou o primeiro amigo virtual de meu marido (Tuninho), fazendo-o participar de uma lista. Através de pessoas como Hamilton, Cláudia Villela de Andrade, Silvana Duboc, Aécio Flávio, NaldoVelho, Belvedere Bruno, estes citados pelo fato dele ter tocado ao vivo e isto é muito importante para os não usuários da rede que sentem dificuldade em dimensionar esse nosso afeto cego, mas não burro, o virtualismo tem tomado uma nova dimensão para ele, confirmando o que eu sempre disse sobre amizades virtuais, sobre os inúmeros amigos verdadeiros que aqui fiz, que já abracei de montão na real e daqueles que se ainda não abracei com as mãos, abracei forte com o coração. Cada vez mais ele consegue sentir o virtual como algo palpável, saudável, uma troca de energia positiva, onde aqueles que são verdadeiros, sempre serão, mesmo que micros os separem. Sim... É possível saber quem é trigo e quem é  joio sem troca de olhar. Os joios não esquentam lugar. Cada aperto de mão dado na vida real em amigos conhecidos na net o leva a perceber o laço que me prende aqui e a vontade imensa de outras mãos apertar. Globalização do amor, onde amo do Japão ao Ceará, fazendo escala em todas as cidades brasileiras, indo com prazer até USA, Argentina, Portugal, França, Suécia sem mexer o traseiro. No dia 29 de dezembro de 2005, Hamilton, que veio de Brasília, nos deu a honra e o prazer de abraçá-lo em nossa casa. Entre doses de uísque e muitas risadas, confirmamos mais um amigo definitivo.
 Valeu Hamilton. A gente te ama.



Escrito por Belvedere às 16h19
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Sugestão

 

Thiago de Mello




Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.

Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.

Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.

Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde posssas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.

Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.

Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.

Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.

Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.

É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.
 



Escrito por Belvedere às 11h24
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Escrito por Belvedere às 11h19
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BEL*
lílian maial

Tem nome de sino,
badalo de luz,
tem riso menino,
tem sonho de deusa,
tem rosto de santa,
tem sangue de luta,
tem cheiro de lua,
tem olhos de rua,
tem tipo faceiro,
matreiro sabor,
tem dom verdadeiro,
tem marcas de sol,
tem lentes de aumento
nas coisas de dentro,
tem letras de-leite,
tem ar de ternura,
tem tudo e tem mais,
e ainda procura...


************

*poema para a amiga Belvedere Bruno













Escrito por Belvedere às 11h17
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HELENA ARMOND

 
aos trinta  minutos 
do ano que veio
tomo  um vinho
de   ridículo nome
liebfraumilck
e imagino encontrar
um milck que  conceba
um...saudavel  zero seis
 


Escrito por Belvedere às 11h16
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