Sarau da Belvedere


De Ir ...II
Elane Tomich
 
 
Juntou cacos de  lembrança
rasgou a  verdade em tiras
constrangimentos de abraços
a esticar esperanças
 que a gente sabe, é mentira,
no instante em que fere o laço.
 
Aquele "fique"  da hora
aquele corpo enlaçado
parece mais  "vá embora!"
de afeto envergonhado.
 
Deu de ombros à ilusão
saiu na ponta  dos pés
fez do adeus, dignidade,
segredou ao coração
várias receitas de fé 
e partiu rumo à saudade.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Escrito por Belvedere às 10h12
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CAFÉ COM POESIA

Tania Melo



Caminhando distraída pela rua dos Andradas, mais conhecida como Rua da Praia, não reparei, imediatamente, na figura que, de uma forma extremamente carinhosa, olhava para mim. Aquele rosto alegre era quase um ímã. Não pude ignorá-lo.
— Meu Deus! Não é possível!-falei, quase num grito, tamanho foi meu espanto.
Seu olhar tornou-se duro. O rosto crispado. Furioso por minha desconfiança
— Como, não é possível? Estás pondo em dúvida minha identidade?
— Não, imagine! balbuciei, entre nervosa e encantada. É que...
—...morri? É isto?
Sorriu novamente ao sentir o quanto eu arregalava os olhos e tremia o queixo, sem controle.
— Acalma-te, moça.Vamos sentar um pouquinho. Precisas de um copo d'água.
— ... com açúcar, de preferência — completei.
—Eu prefiro que seja em um lugar muito conhecido e aconchegante para mim.
Dizendo isso, ofereceu-me o braço e eu, como uma autômata, o segui.
Chegando ao Cataventos, no térreo da Casa de Cultura, lançou-me um olhar inquiridor e, ao mesmo tempo, triste. — Me acompanhas? perguntou, parecendo temer uma resposta negativa.
Não articulei palavra. Somente acenei com a cabeça, de maneira afirmativa e consegui sorrir, muito sem graça.
Incrível o poder daquela criaturinha magra e miúda. Em poucos instantes eu me sentia completamente à vontade em sua companhia, como se fôssemos íntimos amigos que se reencontravam após uma longa e saudosa ausência.
O mais incrível foi a naturalidade com que ele entrou no bar, cumprimentou a todos e dirigiu-se a uma das mesas, onde, muito gentilmente, puxou a cadeira para que eu sentasse e tomou o seu lugar.
A ssombrada, não conseguia entender como aquelas pessoas todas, ali, não demonstravam a menor surpresa diante de sua aparição. Sua presença, apesar de ser muito festejada, era tida como normal. Cliente costumeiro. Gente da casa.
Será que estava louca? Ou isto tudo era apenas um sonho?
Mas, não. Tudo era muito real.
Não precisou sequer fazer o pedido. O garçom, após nos receber, dirigiu-se ao balcão e providenciou o costumeiro cafezinho, acompanhado por deliciosos quindins e, obviamente, um cinzeiro.
— Estou de regime, disse-lhe, sorrindo.
— Hoje não estás, não. Recomeças amanhã.
— Por favor, explica-me, de verdade...
Com um gesto, interrompeu-me, dizendo: "Venho do fundo das Eras. Quando o mundo mal nascia... Sou tão amigo e tão novo, como a luz de cada dia!"
Não havia mais espaço para dúvidas. Eu estava sentada, tomando o famoso café com quindins, e conversando animadamente com o meu adorado Quintana.
— Meu Deus! Quanta falta nos fazes, meu amigo.
— Não. Cumpri a minha etapa, falava, enquanto acendia um cigarro.
Perguntei-me, íntima e silenciosamente, o que teria feito para merecer tal privilégio, tamanha alegria?
Adivinhou meus pensamentos.
— Não te questiones quanto a isso. Eu, simplesmente, não gosto de tomar café sozinho. Já tive muitos momentos de solidão, em vida. Agora, desfruto sempre de alguma boa companhia, quando venho até aqui.
Um gole de café, um pedaço de quindim... e mais um cigarro.
Aproveitei, então, para agradecer-lhe por tudo o quanto deixara de bom para esse mundo.
— Tuas poesias encantam a milhares de pessoas. São sementes que brotam e dão frutos sem parar. És amado e cons...
Novamente o gesto com a mão, fazendo-me calar.
— Teu café vai esfriar. E, se não gostas de quindim, não faças cerimônia. Pede o que mais te agradar. Além disso, meu tempo é curto. Hoje é quarta-feira, não? Tenho apenas mais uns dez minutos.
Entre quindins, cafés e cigarros, os instantes voaram e, com tristeza vi que levantava e achegava-se a mim, beijando, carinhosamente o meu rosto, em sua despedida.
Não pude conter as lágrimas.
Foi se retirando, sorrindo, acenando e, apesar da distância, ainda pude ouvi-lo: “As mãos que dizem adeus, são pássaros que vão morrendo lentamente..."

 



Escrito por Belvedere às 18h53
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Amigos
 
Acabo de receber a comunicação do resultado oficial da I OLIMPÍADA LITERÁRIA PÔR-DO-SOL, realizada na cidade de Araraquara/SP. Concorri, na categoria Sonetos, com três poemas que, ao final, obtiveram as seguintes classificações:
 
Formal de Partilha:  1º Lugar - Medalha de Ouro
 
Soneto do Amor Agonizante:  5º Lugar
 
Soneto do Perdão:  8º Lugar
 
Estou feliz e quis dividir essa vitória com vocês, amigos de todos os dias. Um grande abraço do AlbertoCohen.
 
Formal de Partilha
 
Deixa um pouco do amor. Não leva inteiro
o bem comum que tanto partilhamos
com os lençóis, a cama, o travesseiro,
onde sonhos, desejos misturamos.
 
Leva inteiros, porém, tédio e tristeza
que foram se apossando, lentamente,
de domínios do riso e da beleza
que moravam na casa antigamente.
 
Por algum tempo, deixa teu perfume
pelo meu corpo, até que me acostume
com o teu corpo ausente do meu lado.
 
Dessa toalha não sei que fazemos.
É de um último banho em que estivemos
dizendo, nus, adeus para o pecado.
 



Escrito por Belvedere às 18h38
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Rodrigo Schwarz

Lançamento Editora Bertrand Brasil: A Ilha dos Cães. 128 páginas. R$23

Sir Richard Francis Burton, o primeiro ocidental a revelar os segredos das cidades sagradas do Islã e a traduzir fielmente o Kama Sutra e As Mil e Uma Noites. Um erudito capaz de falar 25 idiomas. Entre infindáveis façanhas, Burton também atuou como diplomata no Brasil, no século XIX. Ao fim de seus trabalhos e expedições na ex-colônia portuguesa, o célebre aventureiro foi transferido para Damasco, na Síria. No romance A Ilha dos Cães, a história de Burton sofre um atribulado desvio. Ao invés de retornar ao Oriente Médio, cenário de muitas de suas aventuras, o inglês acaba em uma diminuta ilha no Oceano Atlântico. Resta-lhe uma última tarefa: escrever uma fantasia épica, urdida durante sua temporada em Santos — inspirada em suas traduções de Camões.
Aos poucos, Burton descobre que a subestimada ilha também oferece insondáveis mistérios. Seu companheiro no lugar, um pescador brasileiro, passa a esculpir enigmáticos cães de madeira. Essas peças e seus significados obscuros acabarão interferindo no próprio livro de Burton.
A obra do aventureiro, um romance dentro do romance, narra a saga das civilizações pré-colombianas, em uma América que nunca foi pisada por Colombo, Cortez e Pizarro. Para tanto, Burton engendra um fantástico ardil em alto-mar, capaz de impedir as grandes navegações. Então, no ano de 1869, as civilizações dos incas, maias e astecas prosperam, sem jamais terem permutado seu ouro por balas de canhão e varíola espanhola.
 Neste cenário idílico, onde Burton especula o destino destas culturas sem o contato com os europeus, encontra-se um escriba asteca. Assim como o autor, ele também explora os mistérios de uma ilha, A Ilha dos Cães, o lugar mais lúgubre do império asteca. Assim como o autor, ele também busca escrever um épico. E, como Richard Burton, o escriba tem a avassaladora certeza de que não possui leitores.
Além de ter perdido a visão, o único parceiro do inglês na ilha encontra-se constantemente imerso nas suas esculturas, alheio à fantasia produzida por Burton. O escritor então se depara com o mais inquietante de todos os mistérios da ilha:
Seria válido levar ao fim seu livro, sendo que a obra não terá apreciadores?
No império asteca, um atormentado escriba faz o mesmo questionamento, resultando em um fabuloso e instigante jogo de espelhos.


 

Rodrigo Schwarz nasceu em Joinville, Santa Catarina, em 1976. Aos dezenove anos mudou-se para Porto Alegre, onde trabalhou como jornalista e produziu contos. Um desses trabalhos integra a coletânea Contos Desamordaçados (1999). A Ilha dos Cães é seu primeiro romance.
 

 



Escrito por Belvedere às 17h38
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