Sarau da Belvedere


Tarja preta

odeteronchibaltazar

Eu vi a criança suja na rua
recolhendo migalhas.
Eu vi o bêbado na luz da lua,
caído e sem mortalha.
Eu vi a mãe aidética,
quase nua,
dormindo por sobre o frio asfalto.
Eu vi o garoto com fome,
cheirando cola sob a luz do sol.
Eu vi o velho desdentado na rua
pedindo compaixão.
Eu vi garotos comandando assalto.
Eu vi meninas tão pequenas,
catando comida no lixão.
Eu vi!
Eu vi tudo
mas fiz que não vi, não.

odeteronchibaltazar



Escrito por Belvedere às 10h48
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A fórceps, mais uma

fraude amazônica

MONTEZUMA CRUZ

  Tenho em mãos, cópias do gabarito da prova aplicada em agosto de 2005, pela Universidade Federal do Amazonas, a médicos brasileiros formados em universidades da vizinha Bolívia. Do alto do que deveria se chamar responsabilidade, a Comissão de Revalidação de Diploma de Médico Estrangeiro imprimiu 100 números com as opções de respostas A, B, C e D. No entanto, decidiu pedir aos médicos examinados que acrescentassem, manualmente (!), a letra E às questões 1, 9, 19, 21, 39, 40, 43, 46, 55, 57, 62, 73, 82, 83 e 94. Evidente, originou-se aí uma situação absurda que está levando os prejudicados ao recurso judicial, no Fórum de Manaus.

 A fórceps, rondonienses, acreanos, amazonenses, mato-grossenses, sul-mato-grossenses, roraimenses e médicos de outros estados — cerca de 70 pessoas — submeteram-se a essa anomalia do Ensino Superior perpetrada por uma instituição credenciada pelo Ministério da Educação (MEC) a exigir dos formados no exterior a prova maior daquilo que aprenderam. Uma anomalia que custa caro a cada candidato ao reconhecimento profissional. E o custo maior se traduz no constrangimento, na humilhação e na exclusão.

   Triste, se não fosse trágico. Triste e trágico na Amazônia doente e sem médicos.

    A partir de hoje, 21 de fevereiro, os integrantes do Conselho Nacional de Educação (CNE) voltam a se reunir em Brasília, folgam no Carnaval e já têm marcada a primeira reunião do Pleno para o próximo dia 15 de março. Teriam tempo de incluir o assunto em pauta, ou vão aguardar a morosa tramitação do recurso dos médicos na Justiça, em Manaus, para só depois se posicionarem, caso receberem oficialmente a denúncia?       

    Por esse motivo, apelo ao presidente do CNE, Roberto Cláudio Frota Bezerra, e aos conselheiros de Educação Superior Edson de Oliveira Nunes, Antônio Carlos Caruso Ronca, Alex Bolonha Fiúza de Mello Anaci Bispo Paim, Arthur Roquete de Macedo, Marilena de Souza Chauí, Marília Ancona-Lopez, Milton Linhares, Nelson Maculan Filho, Paulo Monteiro Vieira Braga Barone, e Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. São eles que decidem, periodicamente, os rumos dos Ensinos Superior, Médio e Fundamental.

   Considero de direito averiguar o que se passou em Manaus, eis que, após a prova, seguiram-se mais de 100 dias de greve.

   Todos sabem que o diploma de graduação em Medicina expedido por faculdades estrangeiras somente será aceito para registro nos Conselhos Regionais de Medicina, quando revalidado por universidade pública, na forma da lei. Compreendo e louvo o zelo que as senhoras e os senhores sempre devotaram ao bom funcionamento dessas instituições de Ensino Superior. Mas que Lei é essa que permite rasurar um gabarito oficial?

 



Escrito por Belvedere às 07h39
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    Infelizmente, por desinteresse, omissão e letargia, o Congresso Nacional não cuidou de exigir dos responsáveis, estudos pormenorizados a respeito da unificação de currículos, tampouco sabe quantas horas por semana um aluno brasileiro estuda Genética, Anatomia ou Farmacologia no banco escolar estrangeiro. Também não é do conhecimento da maioria desses senhores que grande parte desses médicos formados no exterior participaram de jornadas com renomados profissionais europeus, norte-americanos, de Cuba e outras regiões do mundo. Participaram e aprenderam. Basta cobrar-lhes monografias e o resumo dessas jornadas.

    Indago-lhes:

1)     Qual o critério do MEC para os gabaritos dessa prova de revalidação?

2)     O que lhes parece o método aplicado na Universidade Federal do Amazonas?

3)     Quem ressarcirá o prejuízo aos médicos que fizeram a prova, recolhendo R$ 5 mil aos cofres da instituição, como pagamento da taxa de inscrição?

4)     É regulamentar decidir-se, à última hora, pela inclusão de uma letra para a resposta às questões? Com base em quê? Resolução do CNE ou da própria Comissão de Revalidação de Diploma de Médico Estrangeiro?

5)     Constatada a irregularidade, que tipo de advertência e/ou punição irá sofrer a Universidade que tem a missão de examinar médicos formados no exterior, mas resolve agir a bel prazer, sem se importar com a condição financeira e, talvez, com o conhecimento que cada um desses médicos adquiriu durante seis anos em que estudaram e praticaram a Medicina na Bolívia?

  

   Rogo-lhes a atenção. Possivelmente, tenham lido a Coluna “Sete Dias”, de Augusto Nunes, no “Jornal do Brasil” de domingo (19 de fevereiro), mencionando a angústia de duas prefeituras amazonenses, cuja população não têm médico. Elas pretendem pagar salários mensais superiores a R$ 5 mil (com viagens de bonificação) para o profissional disposto a atender pacientes no SUS (Sistema Único de Saúde).

   Lamentavelmente, não se encontram médicos formados neste País, decididos a trabalhar naquele estado. Nem nos outros, “sem índios, sem mata e sem mosquitos”.

     Examinem, senhores. Investigar rigorosamente universidades federais autorizadas a aplicar provas para revalidação de diplomas é uma questão de consciência e de extremo senso de justiça.

 

 

     Redator de Cidades no “Jornal de Brasília”, o autor trabalhou 10 anos em Rondônia (entre 1976 e 86), período em que os poucos médicos estabelecidos em cidades do extinto Território Federal iam socorrer a população abandonada em lugarejos.

   

 



Escrito por Belvedere às 07h38
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Amor perfeito e outras canções
 
Esta semana passei ouvindo um tipo de música que ficou presa na década de 70 e no começo dos anos 80. De característica bem popular, trata-se de uma música, na maioria das vezes, com letras que contam histórias românticas e desafortunadas. "No hospital, na sala de cirurgia, pela vidraça eu via você sofrendo a sorrir, e seu sorriso se desfazendo, então eu vi você morrendo, sem poder me despedir", canta Amado Batista no clássico "O Fruto do Nosso Amor". Nesta linha narrativa, fez muito sucesso na voz de César Sampaio, "Secretária de Beira do Cais", sobre a prostituta que mentia para a família: "Como vai, pergunta o pai à filha querida. Ele quer saber como é que está a sua vida, ela diz que é muito feliz na vida que traz, que trabalha como secretária na beira do cais". Almir Rogério emplacou dois clássicos: "Fuscão Preto" e "Motoqueiro". Mas nessa linha historinha triste nada supera "O Telefone Chora", versão da música francesa "Le Telephone Pleure" em que Márcio José, no papel de pai, trava um diálogo patético, absurdo, hilário e tristíssimo com a filha que ele abandonou: "me conta: o seu titio é bom? Você vai à escola? Já fez a lição?" Canta o pai sofrido. No outro lado da linha, alguém visivelmente fazendo voz de criança, responde "Fiz, a minha mãe assina o boletim, nos dos outros quem assina é o papai, mas no meu não". E assim segue o diálogo entre o refrão: "O telefone chora, compreende o meu penar, pois sabe que ela não vai perdoar".
Havia também um certo ufanismo vindo da dupla Dom & Ravel, com seu "obrigado ao homem do campo, pelo leite, o café e o pão". Ou o feminismo engajado de Vanuza: "Hoje eu vou mudar (...) porque sou mulher, com todas as incoerências que fazem de nós o forte sexo fraco". Inúmeras versões, uma das melhores é: "Eu sou rebelde porque o mundo quis assim, porque nunca me trataram com amor...".
Vez ou outra, este tipo de música é resgatada por gente-fina e elegante como Caetano Veloso ou Pato Fu. Alguns artistas populares também trazem de volta estas canções. Atualmente, Leonardo tem dois CDs com sucessos deste período. Os resultados são díspares. Pouco alcançam a inocência pueril das canções originais.
Estamos num tempo em que a música de extrato realmente popular limita-se à repetição de rimas-clichês, grunhidos pornográficos ou a ser um manual de instrução da coreografia. Não há aqui nenhuma comparação entre os dois tempos. Cada período histórico tem a arte que o traduz perfeitamente. Por isso é tão interessante voltar os olhos 20, 30 anos atrás e ver o quanto este tipo de música já não pode mais ser feita agora. São artistas símbolos de uma época. Muitos ainda estão na estrada, mantêm um público fiel, outros perderam-se, venderam-se, desistiram. As suas músicas permanecem entranhadas na memória coletiva, até mesmo de quem não viveu neste período. Ou alguém aí não sabe cantar com Giliard: "Aquela nuvem que passa lá em cima sou eu, aquele barco que vai mar afora sou eu..."?
Rubens da Cunha



Escrito por Belvedere às 14h16
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