SENSIBILIDADE
Se eu fosse pintora
eu pintaria o sol pra você, mas os raios do meu carinho
queimariam a tela, de tão real. Aí, preferi pintar o campo, mas os passarinhos atrapalharam saindo do pincel, então deixei a tela em branco e, assim mesmo, você a sentiu.
Silsaboia
Escrito por Belvedere às 22h03
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Sempre lutei para que chegasse o dia em que a cultura (e qualquer outro segmento) não precisasse implorar recursos, para que os seus promotores não padecessem à mingua, sem dinheiro para cobrir suas próprias necessidades básicas. E foi por isso - movida por um ideal que às vezes me faz duvidar de minha própria sanidade (afinal, aparecer na tevê como espécime de circo não é lá uma situação muito sana!) - que começei a escrever os meus livros, tentando despertar em um público que em sua grande maioria não tem o costume de adquirir livros de poetas, historiadores, dramaturgos e romancistas o interesse por algo mais além das artimanhas esotéricas tão bem estimuladas pela mídia.
Em meus livros tenho tentado estimular os leitores (ditos esotéricos) para a magia das artes plásticas, do teatro, dos poetas, da história, da ecologia, da ética, da responsabilidade civil, do amor pelo próximo... E tenho obtido respostas maravilhosas (certo dia recebi uma carta de uma leitora me comunicando que adquirira a obra completa de Garcia Lorca).
Talvez pelo ideal ou por uma ética que não me permite enganar ao próximo e dele tirar vantagens, não usei a fama que obtive para montar "um próspero negócio esotérico", um desses ligue já da vida. Continuei a viver minha vidinha em Friburgo, junto a um marido poeta, um filho escritor, uma cadela filósofa, um fusca 77 e uma casa alugada. Para cobrir as despesas sempre nos valemos dos direitos autorais e de traduções (somos uma família trilíngue que domina o inglês, o francês e o espanhol). Mas este ano, não sei se por alguma crise no mercado ou se por desígnios que não cabe agora tentar compreender, os direitos autorais e as traduções diminuíram e ficamos ainda mais apertados. Não reclamei; Deus sabe muito bem dos Seus projetos.
Pois bem, sei que não sou ninguém para contestar os projetos Divinos, mas desta vez não sei como lidar com eles. Meu pai ( ex-advogado, ativista político e um homem sempre guiado pela ética e pelos valores morais) está internado em um hospital público de Friburgo (e por sinal, muito bem cuidado), sofrendo de um estado crônico de Alzheimer. Tenho pela frente um cenário de remédios caros e de um tratamento ainda mais caro. Para mim, além da dor de ver o sofrimento dele, me é impossível custear este tratamento. Mas não quero que se pense que estou a pedir dinheiro. Quero consegui-lo por via do meu trabalho, pois acredito que o dinheiro só deve vir da obra do homem, do seu suor e da sua vontade de trabalhar. E como o meu trabalho (e de todos aqui de casa) é escrever, peço, se possível, que adquiram "Senhoras do Santíssimo Feminino", editora Rosa dos Tempos, ou "O Feitiço da Lua", editora Bertrand Brasil, ou "Guadalupe e as Bruxas", editora Planeta. Podem adquirir também o livro "Cerco", de meu filho Daniel Frazão, publicado pela editora Rocco (somos uma família que batalha unida). Acho que assim aumentarão os direitos autorais e poderemos cuidar do meu pai com a dignidade que ele merece.
mil luas
Marcia Frazão
Escrito por Belvedere às 17h35
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